Um dos principais patrimônios históricos da cidade, após restauro, entrará em nova etapa; recursos ainda não estão assegurados
A sede do Museu da Bacia do Paraná, primeira casa construída em Maringá, que ficava na área central da cidade e foi desmontada e montada no campus da Universidade Estadual de Maringá, “poderá passar por uma intervenção destinada a assegurar sua conservação e ampliar suas possibilidades de utilização”, segundo anúncio da instituição, que elabora projeto executivo de restauro da edificação histórica – o principal museu local.
Antiga residência de Alfredo Werner Nyffeller, diretor da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, o imóvel é tombado como patrimônio histórico, o imóvel exige soluções arquitetônicas que conciliem a recuperação de sua estrutura com a preservação das características originais.
Preservação e ampliação – A principal intervenção prevista é a elevação da casa para permitir a construção de um pavimento inferior. Segundo o professor Ricardo Dias Silva, coordenador do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da UEM, a solução busca enfrentar um dos problemas mais persistentes da edificação: a umidade proveniente do solo, agravada pela baixa altura da estrutura.
O novo pavimento poderá praticamente dobrar a área disponível para as atividades do museu, além de proporcionar maior destaque visual à construção para quem circula pela avenida Colombo. “A casa é importante como um elemento do próprio museu”, observa Silva, ao destacar que o imóvel também constitui parte fundamental do patrimônio preservado pela instituição.
Entre as possibilidades de utilização do subsolo está a implantação de uma reserva técnica climatizada, destinada à conservação do acervo. A distribuição desses ambientes deverá considerar as necessidades dos responsáveis pelo museu.
A proposta também contempla a construção de um anexo para abrigar instalações administrativas, sanitários e espaços de apoio aos pesquisadores. Com a transferência dessas funções, os ambientes da residência histórica poderão ser destinados prioritariamente à visitação e às atividades culturais.
O desenvolvimento do projeto arquitetônico foi acompanhado por Silva, com a colaboração de três estudantes vinculadas às atividades do laboratório. O engenheiro Everaldo Pletz, especialista em estruturas de madeira, foi contratado como responsável técnico pelo projeto estrutural e pela recuperação dos elementos construtivos da casa.
A iniciativa resulta de discussões iniciadas no Comitê Gestor Cultural, em articulação com a Gerência de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de Maringá, a administração central da UEM, a Diretoria de Cultura, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e os responsáveis pelo museu. As tratativas buscaram assegurar que a proposta atendesse às exigências de preservação aplicáveis ao patrimônio tombado.
Investimento e próximas etapas – O orçamento estimado para a execução da intervenção é de aproximadamente R$ 3 milhões. O valor contempla a recuperação da edificação, a construção do pavimento inferior e a implantação do anexo.
De acordo com o diretor de Cultura da UEM, André Rosa, a elaboração dos projetos técnicos, memoriais descritivos e orçamento constitui uma etapa necessária para iniciar as negociações de financiamento.
Os recursos ainda não estão assegurados. A Universidade pretende buscar alternativas de captação, incluindo emendas parlamentares e a participação de diferentes instituições e fontes financiadoras.
Por essa razão, ainda não existe cronograma definido para o início e a conclusão das obras. A possibilidade de execução em etapas também dependerá das condições de financiamento.
Uma casa aberta à cultura e ao conhecimento – Além de recuperar um patrimônio arquitetônico de Maringá, a iniciativa propõe uma nova organização para o funcionamento do museu.
Segundo André Rosa, a intenção é transformar a residência restaurada em uma casa-galeria, capaz de receber exposições de arte, cultura e ciência, além de encontros, saraus e ações educativas. A estrutura complementar deverá oferecer melhores condições para a conservação, a consulta e o estudo das coleções. “Vejo essa iniciativa como a retomada de um equipamento cultural e científico de grande importância para a nossa Universidade”, afirma o diretor.
A proposta aponta para uma nova etapa na história do Museu da Bacia do Paraná, na qual a recuperação de sua sede poderá abrir caminho para ampliar o acesso público ao patrimônio e às atividades desenvolvidas pela instituição.
Museu da Bacia do Paraná: patrimônio e memória – O Museu da Bacia do Paraná surgiu com o propósito de incentivar pesquisas sobre a região da bacia hidrográfica do rio Paraná e preservar registros da formação histórica de Maringá e de seu entorno.
Seu acervo teve origem em uma coleção entomológica, posteriormente enriquecida por doações da população e de instituições. Entre as contribuições da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná estão documentos, fotografias, álbuns históricos, aparelhos topográficos, equipamentos de escritório e outros materiais relacionados à colonização da região. (C/ Assessoria)
Fotos: Divulgação/UEM
