Prefeitura no azul? Não para os servidores

De leitor:
Anúncio de vaga em um famoso portal de empregos da cidade: contrata-se porteiro, jornada de 12×36, salário R$ 850 mais benefícios, escolaridade exigida: ensino fundamental. Situação melhor que a de muitos servidores públicos municipais. A renumeração mensal de um auxiliar administrativo da Prefeitura de Maringá aprovado em concurso público , com os devidos descontos, é de aproximadamente R$ 830, sem nenhum benefício, 40 horas semanais de trabalho e assistência médica precária. Exige-se ensino médio para a investidura do cargo, mas diante da concorrência verificada no último concurso realizado há quase dois anos (mais de 6.000 candidatos), praticamente todos que assumem são graduados ou até pós-graduados. Evidente que a rotatividade é grande. Os que tomam posse pedem exoneração depois de poucos meses. O salário é pouco atrativo, além da inexistência do Plano de Carreira, um desestimulo e tanto. A comparação com prefeituras vizinhas também é desleal: em Londrina, um servidor de cargo semelhante e que trabalha 30 horas por semana tem vencimentos iniciais de R$ 1300. Na tão criticada Sarandi, R$ 1012.
Se a prefeitura está no azul, por que os servidores são extremamente desvalorizados? Silvio II nada fez pelo funcionalismo em seus dois mandatos. Pupin segue caminho idêntico. E o sindicato, pelo jeito, não está disposto a tomar nenhuma atitude severa. Deveria, pois até os pombos da Praça Raposo Tavares sabem que com a turma do 11 não tem diálogo.
A campanha salarial deste ano pede 12% de reajuste salarial e o vale-alimentação de R$ 250. Dinheiro em caixa não falta, como indica a contratação indecente de CCs. Basta vontade política para atender as reivindicações. Parece pouco, mas melhoraria, e muito, a vida dos trabalhadores que, gostando ou não de Ricardo Barros e cia ltda, batalham diariamente para o bom andamento da cidade. Daria mais ânimo para continuar na prefeitura, prestando um serviço público de qualidade. Do contrário, será complicado lidar com a insatisfação crescente.