Duplicação já em fase de projeto

Do deputado Evandro Junior^:
O protesto programado para acontecer no dia 3 de agosto como reação aos freqüentes acidentes na PR-323 expressa inconformismo com a falta de intervenção pública numa rodovia com triste histórico de tragédias. A iniciativa, de presidente de uma entidade de classe, é estimulada não em eventos pessoais, mas por solidariedade às vidas que se foram na rodovia – e a seus familiares e amigos que sofrem com as perdas. Somente este ano, três dezenas de pessoas morreram na estrada e outras tantas ficaram feridas.
As mortes que se sucedem na PR-323, em conseqüência de repetidos acidentes, se explicam por fatores comuns às tragédias que ocorrem nas estradas brasileiras, como imperícia ao volante, excesso de velocidade e desrespeito à sinalização. Mas no caso da rodovia que liga Maringá a Guaíra, fatores adicionais, não diferentes de outros trechos país afora, ampliam os riscos. Pista simples, sinalização deficiente e intenso fluxo de veículo, em especial de caminhões, criam as condições para potencializar a ocorrência de tragédias.
A capacidade de tráfego na rodovia, de acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), é de 5 mil veículos dia, mas hoje registra quatro vezes esse volume. Para entender o contínuo crescimento do fluxo na via é preciso rememorar a inauguração da ponte Ayrton Senna, em janeiro de 1998. A modernização da ligação de Guaíra, no Paraná, com Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, até então feita por balsa, não apenas promoveu a integração de fronteiras agrícolas, mas reduziu custos de transportes e estabeleceu bases sólidas para a expansão econômica dos municípios da região Oeste do Estado.
Na década seguinte, a PR-323 experimentou uma surpreendente expansão no volume de tráfego sem a contrapartida de obras para dar conta desse súbito incremento de veículos, particularmente de caminhões. Intervenções paliativas ao longo do trecho pouco acrescentaram em segurança, ao não alcançar a demanda mais imediata da rodovia: seu alargamento, via duplicação ou pelo menos construção de uma terceira faixa em pontos críticos. A falta de planejamento cobriu um santo e descobriu outro: ao resolver gargalo urgente no transporte de riqueza com a construção da ponte Ayrton Senna, se criou uma ‘rodovia da morte’.
Mais do que alargamento de trechos pontuais, medidas paliativas para resolver um problema ou outro, a cobrança é pela duplicação da rodovia em toda sua extensão – de Maringá a Guaíra, reproduzindo-se ao longo da estrada a obra em andamento entre Maringá e Paiçandu, projeto por tantos anos reivindicado e, enfim, realizado pelo governo Beto Richa, graças a emenda parlamentar de nossa autoria. Contudo, é justo reconhecer que se trata de uma obra vultosa do ponto de vista financeiro – e demorada. Estima-se que a duplicação custará entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. Mas este governo já começou a enfrentar esse desafio.
O Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas do Paraná encomendou estudo à Construtora Odebrecht, única empresa que manifestou interesse na obra, e os levantamentos iniciais para a duplicação devem ser concluídos até outrubro. Beto Richa tem reiterado que o empreendimento é prioritário em seu governo e que, sem os recursos necessários para bancar o projeto, vai a recorrer ao modelo público-privado, uma forma moderna de dividir o custo de projetos com a iniciativa privada com parâmetros de responsabilidades recíprocas. Ainda que seja de extrema importância cuidar para que o projeto seja executado dentro da normalidade jurídica e financeira, seja por execução pública ou privada, o que se espera é que esse empreendimento deixe de ser argumento de discursos e vire realidade.
______
*(*) Evandro Junior é deputado estadual pelo PSDB do Paraná