Qual a próxima da presidente?

Clima tenso na Câmara: Majô, que ocupa a presidência por indicação de Hossokawa, chamou até segurança armado para acompanhar conversa com o ex-presidente

Precisou a vereadora Majorie Catherine Capdeboscq (PP) chegar à presidência para que o Legislativo maringaense atingisse uma situação nunca vista. Não só por causa da gastança – da criação de um assessor parlamentar para cada vereador até o anúncio de aluguel permanente (R$ 22 mil mensais) do anexo que abrigar os eleitos a mais nesta legislatura. Ela está provocando uma inversão de valores e um clima nunca vistos.

Para se ter uma ideia: na sexta-feira, ela foi até o gabinete do primeiro secretário, Mario Hossokawa (PP), responsável pela eleição dela no cargo que ele ocupava até uma decisão judicial inusitada, anunciar que estava exonerando um subprocurador, indicado por ele, por ter atrasado alguns minutos para bater o ponto – algo considerado corriqueiro na Câmara, muitas vezes por esquecimento ou registro tardio do ponto, como acontece com assessores da própria presidente.

Pelo cargo, porém, o subprocurador não está obrigado ao controle de jornada mediante registro de ponto. No caso em questão, foi ele quem solicitou voluntariamente aos Recursos Humanos a abertura de registro, a partir de 13 de março. Uma CI do RH confirma a informação da desnecessidade de o servidor está dispensado do registro diário da jornada.

O que era considerado algo corriqueiro passou a ser pretensamente usado para prejudicar o ex-presidente da Câmara. Uma consulta ao SEI do Legislativo mostra que o subprocurador teve duas notificações de ocorrência de registro pronto; outros servidores, na mesma condição, se esqueceram de registrar três pontos (seja de entrada ou de saída), e ninguém nunca sofreu qualquer tipo de problema ou penalidade por conta disso. Por sempre ter a prática de registrar o ponto, trabalhando mais que as horas semanais exigidas, ao menos sete vereadores foram pedir a Majô sobre o fato, por considerarem uma injustiça.

Mas, voltando à sexta-feira: Majô, 35, reafirmou a exoneração ao advogado na frente de Hossokawa, 81 (12 deles como presidente da Câmara da terceira maior cidade do Paraná), e deixou a sala da 1ª secretaria. Passado um tempo, Hossokawa e o subprocurador foram até a sala da presidência da casa, para tentar dialogar com Majô. Ela acabou recebendo os dois, mas antes chamou um segurança armado para acompanhar a conversa – como se estivesse recebendo bandidos em sua sala com televisor de 85 polegadas.

O climão na Câmara vai, portanto, além das coisas erradas a que o público tem acompanhado – vai até a falta de respeito, num momento em que políticos do mesmo partido deveriam estar vivendo um ambiente harmônico, não bastassem os percalços vividos na legislatura passada. Qual a próxima da presidente? Ninguém sabe, mas muitos temem que seja mais uma investida contra a imagem já desgastada do Legislativo e de seus integrantes.

Foto: Marquinhos Oliveira/CMM