Ecopapo

O tema é instigante e interessa a todos. Falando ou escrevendo, cada um dá suas receitas de como preservar o universo

A natureza foi criada para sustentar a vida. O ser humano foi criado para cuidar da natureza, cultivá-la e dela se servir. Foi isso que nos ensinaram.  Então a gente está sempre a falar de natureza, ambiente, meio – uns entendendo do que falam, outros pensando que entendem, outros falando só por falar.

O tema é instigante e interessa a todos. Falando ou escrevendo, cada um dá suas receitas de como preservar o universo. Nesses tantos ecopapos, há questões que costumam aparecer com mais frequência. Lembro algumas:

■  Você diz “natureza”, “ecossistema”, “ambiente” ou “meio”? E se “meio” e “ambiente” são a mesma coisa, por que alguns preferem o redundante “meio ambiente”?   

■ O rio adorna e rega a cidade, até que de repente enche demais e põe em pânico a população. Aí perguntam: por que insistem em fazer casa à beira-rio?  

■ Animal doméstico faz parte da natureza? Por que protegem mais os animais silvestres do que os domésticos? E por que você não come a onça, mas faz churrasco da vaca?

■ Sim, sim, vacas e galinhas recebem maiores cuidados: vacinas, ração de primeira. Mas esse tratamento especial seria por amor ou por interesse do ser humano? Quanto mais bem-cuidados, melhores produtos nos oferecem.

■ A natureza é briguenta: a onda contra o rochedo. O cipó contra a árvore. O gavião contra o sabiá. O vento contra a plantinha. Ou isso faz parte do enredo?

■ Tem uns bichos assustadores, que nem a aranha e a cobra. Entretanto aprendemos que em nome da biodiversidade eles precisam ser preservados.

■ Por que precisam existir seres tais quais barata, formiga, carrapato, cupim, pernilongo, piolho, gafanhoto?

■ A natureza é contrastante: tem flor e espinho, remédio e veneno, aroma e fedor, tem doce e amargo.

■ Tem coisas que nos deslumbram e ao mesmo tempo nos colocam em perigo: cataratas, florestas, altos picos, cavernas, vulcões, cânions. Mas temos mesmo necessidade de chegar perto desses lugares?

É complicado lidar com tais aparentes incongruências. Mas que tudo isso dá bom papo, dá. Entendendo ou não do assunto.


(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)

Foto: Ben Vaughn/Unsplash