Aniversários
Por padre Orivaldo Robles:
Desde cedo, nos acostumamos a comparar a vida com um percurso feito do berço ao túmulo. Não posso afirmar com certeza, mas acredito que todas as línguas conheçam a expressão “estrada da vida”. Até porque andar é uma das mais gratas conquistas dos albores da nossa infância. Nascemos não para ficar parados, mas para caminhar.
Ao atingir setenta anos, finalmente compreendo por que idosos preferem olhar para trás em vez de para diante. O caminho percorrido se revela mais venturoso do que faz prever o resto de estrada ainda por vencer. Ignoro quem teve a idéia de apelidar de melhor idade esta fase. Melhor para quem? Para a indústria farmacêutica? Duvido que, em todo o planeta, um único idoso recusasse ter de volta, se jeito houvesse, os seus, digamos, trinta anos. Quando menos, pela chance de reduzir o número das burradas que cometeu. Quem nunca lamentou: “Ah, se arrependimento matasse”? Sem falar que, aos trinta, a vida é bem mais radiosa do que aos setenta. Ou alguém duvida? Na íntegra.
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