Comissões para poucos

Do jeito que as comissões da Câmara foram montadas, não fortalecem o debate — empobrecem. Não ampliam a democracia — concentram poder; PT e Republicanos não estão representados e há apenas uma mulher

As comissões permanentes da Câmara Municipal foram definidas e o retrato que fica é o de um Legislativo concentrado, desigual e pouco plural. Quem olha com atenção percebe que o discurso de representatividade ficou só no discurso.

A *Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais poderosa da Casa, virou praticamente território exclusivo: dos cinco membros, três são do Partido Progressistas (PP). É na CCJ que projetos vivem ou morrem antes mesmo de chegar ao plenário. Concentrar esse poder em um único partido não é detalhe técnico, é decisão política — e das grandes.

Enquanto alguns concentram influência, outros somem do mapa. *Nove vereadores ficaram fora de qualquer comissão, sem direito sequer a opinar formalmente sobre projetos estratégicos. Ao mesmo tempo, há quem jogue em dobro: Guilherme Machado e Diogo Altamir da Lotérica ocupam duas comissões cada, reforçando a lógica de poucos com muito e muitos com nada.

A exclusão não para por aí. PT e Republicanos simplesmente não existem na divisão das comissões. Zero cadeiras, zero participação. Em um Parlamento que deveria refletir a diversidade política da cidade, o recado é claro: nem todos são convidados para a mesa.

E se o recorte for de gênero, o cenário é ainda mais constrangedor. Entre todas as comissões, apenas uma mulher, a vereadora Akemi Nishimori. Em pleno 2026, a Câmara segue tratando a participação feminina como exceção, não como regra.

As comissões são o coração do Legislativo. É nelas que se decide o que anda, o que trava e o que morre. Do jeito que foram montadas, não fortalecem o debate — empobrecem. Não ampliam a democracia — concentram poder.

No fim das contas, a mensagem que fica é simples e incômoda: a Câmara até tem muitas cadeiras, mas o poder senta sempre nas mesmas.