Quando o discurso não combina com a prática


Não dá para condenar o “palanque” enquanto se sobe nele todos os dias
A frase dita na tribuna da Câmara de Maringá — “a causa animal não pode ser palanque político” — soa bonita, quase ética. O problema é quem disse.
Causa estranheza ouvir essa declaração justamente de um vereador que, ao longo do mandato, mais transformou a causa animal em vitrine política. Redes sociais, discursos, vídeos, eventos e falas inflamadas sempre tiveram a pauta animal como elemento central de autopromoção. Agora, tentar posar de fiscal da moral política é, no mínimo, cara de pau.
A causa animal é séria demais para ser usada conforme a conveniência do discurso do dia. Ou ela é política pública — com orçamento, planejamento, fiscalização e resultados — ou vira apenas slogan de campanha permanente. Não dá para condenar o “palanque” enquanto se sobe nele todos os dias.
O debate precisa ser honesto. Defender os animais exige coerência, constância e responsabilidade. Não cabe fingir neutralidade quando se construiu capital político exatamente em cima dessa bandeira.
Em Maringá, a causa animal merece menos hipocrisia e mais verdade. Porque quem realmente luta por ela não precisa posar de isento depois de lucrar politicamente com o tema.
Imagem gerada por IA
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