Aqui, de volta

Todo velhinho deve ter alguma coisa que lhe agrade fazer e que lhe exercite o cérebro

No início de 2021, durante um almoço em companhia do saudoso jornalista Verdelírio Barbosa, ele me fez assumir o compromisso de publicar uma crônica semanal no Jornal do Povo, seu prestigiado matutino. Para isso abriria um espaço na terceira página, ao lado da coluna dele. Aceitei, mas   estabelecendo que o “contrato” duraria apenas um ano.

Em outubro do mesmo ano o Verde faleceu, porém suas filhas Dayani e Danyani e o filho Deny me pediram que continuasse a escrever. Já se passaram cinco anos e aqui estou ainda, depois de um período de férias. Até quando? Não sei. Em abril completarei 93 anos e só Deus sabe até quando irá o meu fôlego.

Escrever tem sido rotina em minha vida desde a juventude. Com 16 anos publiquei minha primeira crônica no “O Fidelense”, valente hebdomadário que fez história em minha cidade natal.

Vindo para Maringá em 1955, atuei profissionalmente em todos os jornais e revistas que aqui circularam até final dos anos 1970.

Depois passei a trabalhar como professor e como tal aposentei em 1997, pela UEM. A partir de então tenho me dedicado mais à poesia. A produção de crônicas para o JP é uma espécie de pilates mental, que me ajuda a manter a cabeça em atividade.

Todo velhinho deve ter alguma coisa que lhe agrade fazer e que lhe exercite o cérebro. Uns gostam de jogar truco, outros preferem palavras cruzadas, as senhoras costumam se distrair fazendo bordado ou crochê. Há ainda os que gostam de ver filmes ou de ler revistas e livros. O importante é ter sempre a cabeça ocupada com algo agradável, a fim de não enferrujar o “equipamento de pensação” nem dar espaço aos grilos. 

Devido à idade, raramente saio de casa, nem mesmo para as reuniões da Academia de Letras e da União dos Trovadores. Então escrever umas coisinhas leves é a melhor maneira de passar os dias.


(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)