A dignidade do povo

As eleições de novo se avizinham. Que o povo sem voz e sem vez se organize, sem abrir mão da própria dignidade

– Afinal de contas, é o Poder Executivo ou o Congresso Nacional quem administra o orçamento do país?
– Ora, amigo, depois do Presidencialismo de Coalizão, se os 50 bilhões não forem repassados ao Congresso Nacional, o Presidente pode ser cassado- surge uma opinião.

Daí, a ausência de obras estratégicas ao país. Faltam-nos cientistas para o processamento de pedras raras da Amazônia cobiçada por Trump, mas acaso existem recursos para o aprimoramento de nossos cientistas? Não? Há décadas que a China está destruindo a serra de Carajás no sudeste do Pará, subtraindo progressivamente 18 bilhões de minério de ferro bruto a preços simbólicos, deixando- nos em contrapartida importantes abismos ambientais, mas calma lá: dispomos de tecnólogos para a exportação industrializada do que eles passam a denominar “Muralha de aço da China”? Não. E as verbas? Deputados e senadores preocupados se revelam em destiná-las às respectivas bases eleitorais…

– Fazer o quê, meu irmão? pondera um terceiro. A praga da corrupção…

A verdade é que mais e mais o povo já não acredita em si. Rezar? Sim. Que nunca nos faltem os três Ts: terra, teto e trabalho. Por livre iniciativa, o que se oculta é a absorção ilimitada de fortunas. A propósito, 01% da população mundial é dona da metade das riquezas do planeta. Os mais ousados chegam a garantir que os pobres precisam de esperar o bolo crescer, para depois ser repartido.

E o povo, mesmo cada vez mais descrente, segue reeditando vitórias eleitorais, por exemplo, ao Centrão que abertamente o despreza. As eleições de novo se avizinham. Que o povo sem voz e sem vez se organize, sem abrir mão da própria dignidade. Que os candidatos indiferentes aos desempregados, aos moradores de rua, que nunca o aceitaria na própria casa, sem cheiro de bairros e de pobres, indiferentes aos catadores de lixo, aos camponeses sem terra, ao tráfico de drogas, de armas, ao feminicídio, à pedofilia, aos milhões de trabalhadores sem carteira profissional, por exemplo, que sejam ignorados nas urnas.

Que os movimentos populares voltem a ser moda e que o (a) candidato (a) merecer o seu voto seja um exemplo de humildade e austeridade social.
Finalmente, o seu voto responsável tem tudo a ver com a dignidade brasileira a ser resgatada.


(*) Tadeu França foi deputado federal constituinte