Errando a mão

Desconsideraram a possibilidade de o ex-assessor da vereadora ter sido vítima de concussão

Assisti com muita atenção aos comentários das edições de ontem e hoje do Jornal da Manhã que tratou, entre outras coisas, das denúncias de assédio moral e prática de “rachadinha” contra a vereadora Professora Ana Lúcia.

Chamou-me muita atenção — mas acredito que a qualquer pessoa que estivesse menos atenta — a forma como boa parte dos comentaristas tratou o denunciante, o comunicador social e ex-assessor da denunciada, Vinícius Felice.

Antes, uma constatação: tanto a bancada de quarta quanto a de quinta-feira contavam com uma maioria esmagadora de comentaristas que já foram, são ou seguem no “mercado” da assessoria política.

Dito isso e tomando esse fato, é impossível dissociar tal contexto da postura dos mesmos, que trataram de incutir implicitamente sobre o denunciante a pecha de praticante de ilicitude, pois “quem aceita devolver salário é tão criminoso quanto”, ou ao questionarem “qual o motivo de ter aceito a assessoria se sabia que teria que fazer rachadinha”.

Não pegou bem essa postura; ouvi isso de gente de todos os posicionamentos políticos. A única defesa possível, por parte destes, seria a da investigação objetiva e célere, cobrar a Câmara para que dê andamento e que a coisa se esclareça na investigação, no confrontamento das provas e na busca pela verdade. O que fizeram pareceu muito com algum tipo de corporativismo ou de sinalização aos patrões (futuros ou possíveis) da política de que, para eles, o errado é o assessor e não o político.

Estranhou-me muito o fato de que, sem informações mais profundas, estes desconsiderassem a possibilidade de o ex-assessor da vereadora Ana ter sido vítima de concussão (quando o parlamentar exige o repasse de parte do salário como condição para a nomeação ou manutenção do cargo).

Não tenho como não lembrar da máxima de inspiração freudiana: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”.

Imagem: brgadvogados