Um bar e seus personagens


Escrito com mão de artesão, desmontável feito um encaixe de peças. Como um belo painel
Mesas ocupadas. Poetas, românticos, cáusticos, louras oxigenadas, morenas brejeiras, homens calvos, engravatados. Alguns bêbados; muitos alegres. Lá no cantinho, um sujeito sonâmbulo. De gente assim é feito o “Bar e Café São Jorge”, de Ronald Claver. Os personagens são peculiares. Quem tiver a pachorra de observar, notará. Porcão é o dono. De rixa com Crioulo, sempre ameaça fechar as portas, mas nunca fecha. Fica no “eterno” esperar mais um pouco…
Homem de Gravata diz: “Este amor está me matando”. Homem Calvo: “Tudo igual”. “Nada é igual. Todo amor tem sua fome e sede. O meu me mata de sede e de fome”, devolve o primeiro. Mulher do Horóscopo, Mulher de Óculos, mais personagens, entre tantos ali nas mesas, a destilar seus dramas. “A Loura Oxigenada de blusa aberta expõe os seios. O Rapaz suga o peito direito enquanto faz carícias no esquerdo”, segue a trama. Enquanto isso: “Crioulo lambe os beiços. Mulher de Óculos morde os lábios. ‘Fecho agora’, fala o Porcão”. Ele ameaça pôr fim à coletiva aventura etílica, mas, de novo, fica na ameaça.
Como diz a sinopse deste livro pouco conhecido, mas recomendável: “O fio condutor deste romance são os personagens com seus poemas, palavras, promessas, esperanças, aventuras e sonhos. E uma cervejinha para espantar a secura da garganta e a solidão”. Escrito com mão de artesão, desmontável feito um encaixe de peças. Como um belo painel. O leitor o preenche. É recomendável repetir a saideira, pois o melhor sempre está por vir.
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