O jovem crocheteiro

Noah tem 20 anos e aprendeu a fazer crochê, aos 14, com a avó

Manhã de sol morno, em Londrina. Busão cheio. Em pé, um garoto de uns 20 poucos anos. De cabeça baixa, ele maneja uma agulha que entrelaça fios dando forma a uma peça de crochê. Um hábito diferente e raro. Em tempos virtuais, o passatempo predileto é o celular. A maioria enamora a tela. Num deslizar frenético de mensagens e imagens. Raramente, alguém resiste com um livro aberto. Meu caso, sempre carrego um na pasta. Se me sento, abro-o, mas meus olhos driblam minha mente. A paisagem de fora teima em competir com a leitura.

Mas aquele jovem crocheteiro, que não se distrai, se chama Noah Santana. Tem 20 anos e aprendeu a fazer crochê, aos 14 anos, com a avó. Diz gostar da arte que pratica nos momentos em que está no busão ou à espera de alguma coisa. “Passando o tempo com algo útil, que também é uma terapia”, diz uma mulher, cujo olhar se junta aos de outras, que se aproximam e perguntam sobre o ofício. Ele conta que já fez algumas peças encomendadas, mas por falta de tempo não tem se dedicado como gostaria.