Confiança na sensatez

Vereadora Ana Lúcia entrega documento a vereadores, desconstrói denúncias e reforça defesa

As acusações formuladas pelo ex-assessor da vereadora Ana Lúcia Rodrigues (PDT), Vinícius Emanuel Felice de Oliveira Franco, que resultaram na abertura de processo investigatório, foram pontualmente desmontadas por testemunhas na fase de oitivas realizadas pela Comissão Processante, formada para apurar as denúncias. Essa é a síntese de documento entregue pela vereadora aos seus colegas de parlamento como recurso para melhor compreensão do processo, que será finalizado com depoimento de Ana Lúcia, agendado para o próximo dia 8.

“Dirijo-me diretamente a cada um de vocês sem intermediários, para tratar dos fatos em andamento.  Depoimentos de testemunhas arroladas pela defesa desconstroem as acusações de assédio moral, contribuição partidária irregular, exercício de atividades alheias ao mandato e proposta de ‘receber sem trabalhar’’’, afirma a vereadora no documento, entregue pessoalmente aos vereadores. O memorial de defesa aborda cada uma das acusações e as desconstrói com argumentos testemunhais.

Além de uma dezena de depoimentos, o documento evoca prova pericial em áudio apresentado pelo denunciante atestando que “o aparelho gravador originário jamais foi entregue ou periciado, sendo o material enviado via links de nuvem e e-mail e que houve alteração das estrutura dos arquivos e divergência de extensões externas”. A vereadora reforça também que o denunciante jamais usou a expressão ‘rachadinha’ na denúncia inicial e muito menos durante os procedimentos da comissão, definindo o termo como ‘fantasioso’.

“O denunciante jamais alegou que eu recebi qualquer quantia, retive cartão bancário ou fiquei com dinheiro público para benefício próprio. Jamais entrou um único centavo de assessores na minha conta bancária pessoal ou na minha vida privada”, afirma a vereadora no documento, detalhando valores e destino da contribuição, reforçando que os recursos são destinados ao partido para manutenção de sua sede , conforme previsão estatutária. “Vários assessores não pagavam e nunca foram cobrados ou punidos”, afirma a vereadora.

Sobre a acusação de assédio moral, a vereadora argumenta que “como gestora de um gabinete parlamentar financiado com o dinheiro do contribuinte maringaense, sempre exigi assiduidade, pontualidade, urbanidade e eficiência. Cobrar cumprimento de horário e zelo técnico de assessoria comissionada não é assédio moral — é estrito dever de gestão pública. A narrativa de assédio foi forjada pelo denunciante após ser cobrado por repetidos atrasos, desídia e insubordinação”. Depoimentos de assessores e ex-assessores reforçam a argumentação.

Outra acusação, de uso da estrutura da gabinete para fins alheios ao mandato, todas as testemunhas ouvidas declararam que nunca foi solicitada quaisquer atividades de cunho pessoal ou privada. “A cobertura dos vários eventos que organizei como presidente do Diretório Municipal, sempre foi realizada por profissionais contratados (vídeos, transmissão nas redes sociais, fotos etc). A cobertura fotográfica no Encontro Regional do PDT, por exemplo, insere-se no exercício da minha atividade político-institucional como parlamentar da cidade”, afirma a vereadora.

Ana Lúcia considera a suposta proposta de ‘receber sem trabalhar’ como a mais maldosa da denúncia e lembra no documento que “ao comunicar a decisão de sua exoneração devido aos atrasos e postura insubordinada, o ex-assessor alegou desespero financeiro (‘vou ser despejado, gastei muito dinheiro para vir de Curitiba’). “Sensibilizada, foi cogitado mantê-lo vinculado ao gabinete durante o restante do mês de maio. Neste período manteria todas as atividades das redes, sem me acompanhar pessoalmente nas agendas”, explica a vereadora.

Para atender a essa decisão, o chefe de Gabinete da vereadora, Gustavo Schuindt, elaborou e entregou ao ex-assessor uma lista de tarefas a ser executada internamente. “A testemunha Carla Andraus, assessora da vereadora, presenciou Vinícius amassar o papel das tarefas, bater na mesa e declarar aos gritos que ‘não faria nada daquilo’”, narra o memorial da defesa. Em função da ‘insubordinação e do tom retaliatório’, foi decidida sua exoneração, ocorrida no dia 5 de maio, conforme a portaria 227/2026. O assessor não recebeu nenhum valor sem trabalhar.

Ao finalizar o documento, a vereadora lembra que “a cassação de um mandato parlamentar conferido pelo voto popular é a pena mais drástica que esta Casa de Leis pode impor” e acrescenta: “ela não pode ser motivada por vingança de ex-assessor exonerado por indisciplina, tampouco sustentada em áudios desprovidos de integridade”. Ana Lúcia diz ainda que “absolver este mandato não é um favor a mim: é um ato de proteção, de justiça e em favor da dignidade do Poder Legislativo. Confio na sensatez, no senso de justiça e na responsabilidade democrática de cada um”. (Assessoria)

Foto: Marquinhos Oliveira/CMM