Tempos novos, mas… fechados


De Juliana, outrora uma entusiasmada cabo eleitoral: “Agora eu só espero uma coisa dessa gestão: que acabe!”
Prefeito de Londrina teria mandado rifar até os últimos apoiadores de campanha em um grupo de WhatsApp. O verbo vem acompanhado de um “teria”, claro, porque quem efetivamente limpou a área foi um de seus assessores comissionados. “Pau-mandado” seria um termo deselegante — embora, convenhamos, perfeitamente ilustrativo.
Nas conversas entre os poucos que ainda insistem em defender o governo, a decepção já não se esconde. O clima resume-se ao velho aviso: o último a sair, apague a luz.
Tempos novos, mas… fechados. A política, essa senhora especialista em cobrar lealdade enquanto distribui esquecimentos, produziu mais uma de suas cenas clássicas. Quem esteve na linha de frente, pediu voto e vestiu a camisa agora tenta entender onde foi parar a reciprocidade.
E não se trata de barulho da oposição. Juliana, outrora uma entusiasmada cabo eleitoral, sintetizou a decepção de quem estava ali: “Agora eu só espero uma coisa dessa gestão: que acabe!”
Quando quem ajudou a erguer o projeto passa a esperar pelo seu fim, fica difícil atribuir o descontentamento apenas aos adversários. E as “traições” antes apontadas nos outros ganham novo significado quando entram pela porta dos fundos.
A lição final é antiga, mas implacável: quem abandona os seus descobre, tarde demais, que não restou ninguém para caminhar com ele no futuro.
Texto de Israel Marazaki, após defender Juliana e ser expulso também…
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
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