Boas novas
Do padre Orivaldo Robles:
A quarta-feira desta semana começou com a promessa de coisas boas. Primeiro, foi-se embora aquele friozinho chato, que nos maltratava a nós, madrugadores da missa das sete, na Catedral. Caminhar pela rua às seis e dez da matina, com um irritante vento sul na cara, não é exatamente o jeito mais agradável de começar o dia. Com frequência me ocorre que bem melhor deve estar lá em cima, dentro do avião das seis, que todos os dias passa sobre nossas cabeças. Nesta quarta, a caminhada ficou mais agradável. Como noutros dias, vesti a jaqueta. Mas só por segurança. Não havia necessidade.
Em casa, na hora do café, o jornal falava da partida do Corinthians pela Taça Libertadores da América, a ser disputada à noite, no Pacaembu, contra o Boca Juniors. Embalava a esperança de um histórico triunfo, que viesse coroar 102 anos de sofrimento e glória. Menos de glória que de sofrimento. Porque, na opinião dos comentaristas esportivos, para o Corinthians tudo é difícil. A vitória, quando chega, vem aos 48 minutos do segundo tempo, com gol contra ou feito de canela. Um pouco como na vida dos seus fiéis, a maioria composta de pessoas humildes e trabalhadoras, que colecionam poucas razões para sorrir ante a dureza do dia a dia. Quando se confirmou a vitória no gramado – mais fácil até do que todos esperavam – a balbúrdia das ruas deu ideia do tanto de corintianos entre nós. Acho que o lateral Wladimir tinha razão: “Os outros times têm uma torcida; a torcida corintiana tem um time”. Simpatizante do América de Rio Preto, último colocado na série A2 do Campeonato Paulista de 2012, nessa quarta eu me senti corintiano desde criancinha. Brasileiro não admite perder para os hermanos nem no par ou ímpar.
O mais interessante o jornal estampava na chamada de capa, em letras grandes: “Maringá tem número recorde de candidatos a vereador”. O corpo da matéria dizia que, neste ano, contamos com a marca histórica de 346 (podendo chegar a 362) candidatos à Câmara Municipal. Alentadora notícia. Entre nós, três e meia centenas de abnegados cidadãos, sem nenhum interesse pessoal, se dispõem a lutar pelo bem da comunidade. Até os blocos de paver do calçamento conhecem as razões aduzidas por muitos pretendentes. Algumas: “Aceitei colocar meu nome à apreciação dos eleitores para contribuir com o bem da minha cidade”; “Sinto o inadiável (inadiável é ótimo) dever de ajudar a minha comunidade”; “Resisti muito ao apelo dos companheiros, mas fui convencido de que não posso me furtar a contribuir com o progresso do município”. Não é edificante? Bela surpresa descobrir que, num mundo de tanto egoísmo e safadeza para se ajeitar na vida, ainda existe nobreza nas pessoas. Contamos com aproximadamente 350 cidadãos, homens e mulheres convictos de seu compromisso para com a “pólis”, essa bela invenção dos gregos em que o público se sobrepõe ao particular. Político não pensa em si; pensa no povo.
Volto a lembrar Paulinho Gogó, de sábado passado: “Quem não tem dinheiro conta história”. Quem não tem melhor situação política, também. Mas vai que, de tanto ouvir histórias, a gente acabe se convencendo de que o caminho é por aí, né? De algum ponto é preciso partir. Como diz o poeta sevilhano Antonio Machado (1875-1939), “caminante, no hay camino, se hace camino al andar”. Caminho se faz caminhando.
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