Brasil

Uma educação diferente

Em seu artigo na edição desta semana da revista Veja, o economista Gustavo Ioschpe volta a dar destaque à sua ideia da placa do Ideb nas escolas públicas e que gerou um projeto do maringaense Edmar Arruda (agora, sabe-se, em parceria com Ronaldo Caiado), no artigo “Precisamos de educação diferente de acordo com a classe social” (aqui). “Ninguém se indigna nem se mobiliza para combater algo que lhe parece estar bem. E não acho que seja possível a aprovação de qualquer reforma importante enquanto a sociedade não respaldar projetos de mudança, que hoje são sempre enterrados pelas pressões corporativistas”, observa ele no texto.

Começou a feder – agora, nacionalmente

Está na Folha.com, com direito a uma foto da ministra Gleisi Hoffmann:

Uma empreiteira do Paraná [a maringaense Sanches Tripoloni, que constroi no Contorno Norte, aquele que nada contorna mas que já engoliu montanhas de recursos federais], que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações por irregularidades, aumentou em 1.273% seus contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de 2004 a 2010, informa reportagem de Breno Costa, Andreza Matais e Rubens Valente, publicada na Folha de S. Paulo desta terça-feira. Desde o início do governo Lula, a Sanches Tripoloni, de Maringá, vive um crescimento em seus contratos. Saiu de R$ 20 milhões em 2004 para R$ 267 milhões no ano passado (valores atualizados). Entre os beneficiários de doações eleitorais da empresa estão o senador Blairo Maggi (PR-MT) e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). Leia mais.

PS – Se a imprensa nacional for a fundo, encontrará puro lodo. Voltaremos ao tema no decorrer do dia.

Pagot estaria ‘sob controle’

De Cláudio Humberto:

Após intensas negociações, o governo está aliviado: já não haveria o que temer no depoimento do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, esta terça, no Senado. Em conversas informais com senadores, Pagot disse ter recebido ordens do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para que aditivos fossem feitos aos contratos, aumentando os valores, a fim de que empreiteiras financiassem a campanha de Dilma Rousseff.
Porta do inferno – Um destacado senador governista afirmou ontem a esta coluna: “Se esse Luiz Antonio Pagot falar o que sabe, o governo cai”.
Ele tem a força – Para manter fechada a boca de Pagot, o governo admitiu não afastá-lo. Ele está de “férias”, mesmo depois de Dilma anunciar sua demissão.

PS do Blog – Para os maringaenses, que têm obras do PAC sob a mesma suspeita, nada que surpreenda…

Menos, menos

De Lauro Jardim, na coluna Radar da Veja desta semana:

Quando se anunciou pela primeira vez que a Foxconn abriria uma fábrica no Brasil para montar iPads, vendeu-se a balela de que o gigante chinês investiria 12 bilhões de dólares na empreitada. Hoje, internamente, o governo estima algo entre 3 e 4 bilhões de dólares de investimento da Foxconn. É dinheiro que não acaba mais. Só não precisava terem exagerado tanto.

Tratamento diferenciado

De Cláudio Humberto:

Já vai tarde – O mexicano Humberto Leal Garcia Jr foi condenado à morte, nos EUA, por estuprar, esganar e matar uma garota de 16 anos. No Brasil, ele estaria livre em seis ou sete anos, graças à cumplicidade do “direito penal mínimo”. Ou sumiria num “saidão” de Natal ou do Dia das Mães.

Empreiteira de Maringá é forte doadora do PR

A Sanches Tripoloni, de Maringá, é uma das três construtoras que mais doaram para a campanha do PR, partido do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ao lado da Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, a Sanches Tripoloni doou quase R$ 6 milhões em 2010 ao PR, segundo reportagem de Fábio fabrini e Roberto Maltchik, em O Globo. “As três empreiteiras figuram em acórdãos do Tribunal de Contas da União como beneficiárias em obras gerenciadas pelos dois órgãos, suspeitas de sobrepreço, superfaturamento e outras irregularidades. A Sanches Tripoloni, que contribuiu com R$ 2 milhões para o PR, recebeu do Dnit tudo o que faturou da União desde 2009: R$ 468,14 milhões. A empresa integra o consórcio que constrói o Contorno Norte de Maringá, na qual o TCU apontou sobrepreço de R$ 9,9 milhões. Em novembro de 2010, o TCU bloqueou, preventivamente, R$ 2,5 milhões do empreendimento”, diz o texto.
Doadora das campanhas dos Barros (PP) e de John Alves Correa (PMDB), a Sanches Tripoloni foi considerada inidônea pelo TCU.

Gomyde é desmentido em rede nacional

Deu até no Jornal Nacional desta noite: o Ministério do Esporte desmentiu o assessor especial do próprio ministério, o paranaense Ricardo Gomyde (PCdoB), ex-deputado federal e ex-presidente da Paraná Esporte, que havia afirmado que o Aeroporto de São Gonçalo, em Natal (RN), não ficaria pronto para a Copa de 2014. O Ministério do Esporte informou que “o assessor usou dado desatualizado durante apresentação (…), o que o levou a cometer uma avaliação equivocada acerca do término das obras”. Segundo a Infraero, a construção está dentro dos prazos e “o governo federal trabalha com um cronograma que garante a conclusão no primeiro semestre de 2014, antes da realização do Mundial.”

Nova lei impede prisão de quem frauda licitação

De Cláudio Humberto:
A nova lei 12.403, que entrou em vigor ontem, impede a prisão preventiva de autoridades ou servidores públicos que são flagrados fraudando licitações, somente porque a pena prevista para esse crime é inferior a quatro anos. De acordo com a Lei das Licitações (nº 8.666), a pena para fraude é de três anos e seis meses. A punição para quem dispensa licitação ilegalmente é de apenas três anos e cinco meses.

Envolvimento

O afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes, por causa da denúncia da revista Veja, pode respingar nas obras federais, construídas com dinheiro do PAC, em Maringá. Luiz Antonio Pagot, diretor-geral do Dnit, é quem bancou os aditivos nas obras do rebaixamento da linha férrea e no famigerado Contorno Norte.

Requião, o amarelão

De Luiz Maklouf de Carvalho, na Época:

Quem conhece bem o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o PB, diz que ele é duro como beira de sino quando encasqueta com alguma coisa. O protagonista das últimas implicâncias de PB é o hoje senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. Bernardo, a quem Requião chamou até de “pilantra”, o processa no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra a honra. Sem interesse em se indispor com um ministro forte – na verdade, dois, porque na Casa Civil está a mulher de Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann –, Requião está propondo um acordo. Seu advogado, René Ariel Dotti, pediu a suspensão condicional do processo. É um recurso que a lei oferece para a solução consensual do caso, nos crimes em que a pena mínima for de até um ano. A proposta significa que Requião, sem fatos para provar o que disse (em mais um daqueles momentos “vou tomar o gravador do repórter”), pediu arrego. Leia mais.

BNDES privatizado?

E a ministra Gleisi Hoffmann afirmando que o BNDESpar não é público? Ela não joga futebol, mas fez a defesa do ano: transformou o BNDES e seu braço em privado – mas só em discurso, para defender dinheiro do governo na fusão de duas redes de supermercado. Há pouco, no Bom Dia Brasil, a comentarista Miriam Leitão lançou a dúvida: será que o governo privatizou o BNDES e não informou a população?

Lembrando os 103 anos de imigração

O deputado federal Luiz Nishimori (PSDB) lembrou em plenário que a comunidade nipo-brasileira comemorou em 18 de junho os 103 anos da imigração japonesa no Brasil. “Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1908 em um navio que partiu da cidade de Kobe. Eles adotaram o país como pátria e semearam sua cultura contribuindo para a construção do Brasil. A relação estreita entre os dois países abriu caminho para negócios de interesse bilateral”, explicou.

Duas

De Cláudio Humberto:

Uma África – Dados da Unicef, Fundo da ONU para a infância, revelam que o Brasil está só três pontos acima do Congo em analfabetismo: 17% x 14%.

Marcha do bem – O deputado e ex-delegado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) vai organizar a Marcha Contra a Maconha, na Avenida Paulista, em julho. Busca apoio de entidades da sociedade, como igrejas, Fiesp e OAB.

PF prende prefeito e primeira-dama de Taubaté

A Polícia Federal deteve na manhã de hoje o prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), durante uma operação que investiga fraudes em licitações. Também foram detidos a primeira-dama, Luciana Peixoto, e o responsável pelo departamento de licitações da Prefeitura, Carlos Anderson. Segundo a PF, a prisão temporária de cinco dias é necessária para que os suspeitos não atrapalhem as investigações. Os detidos devem ser levados para São José dos Campos, também no Vale do Paraíba, no interior paulista, ainda nesta terça. Leia mais.

Sigilo de documentos: Dilma cede a pressões

De Eduardo Bresciani, em O Estado de S. Paulo:

A presidente Dilma Rousseff vai patrocinar no Senado uma mudança no projeto que trata do acesso a informações públicas para manter a possibilidade de sigilo eterno para documentos oficiais. Segundo a nova ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o governo vai se posicionar assim para atender a uma reivindicação dos ex-presidentes Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), integrantes da base governista.
A discussão sobre documentos sigilosos tem como base um projeto enviado ao Congresso pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009. No ano passado, a Câmara aprovou o texto com uma mudança substancial: limitava a uma única vez a possibilidade de renovação do prazo de sigilo. Com isso, documentos classificados como ultrassecretos seriam divulgados em no máximo 50 anos. É essa limitação que se pretende derrubar agora. Leia mais.

A vida depois da queda

De Adriana Caitano e Fernanda Nascimento na Veja:

“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. A frase do assessor do ex-presidente Kennedy, o filósofo americano John Kenneth Galbraith, não poderia ser mais oportuna à realidade brasileira. Por aqui, o perdão a práticas corruptas é habitual. A história recente traz inúmeros exemplos de figurões que se envolveram em grandes escândalos e pouco depois receberam um salvo-conduto. O ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci é um deles. Aprontou, caiu em 2006 e voltou ao poder em 2011. Desta vez, seus poderes no governo duraram menos de seis meses. Leia mais.

Os evangélicos e a ditadura militar

Da revista IstoÉ:

No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. “Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços… Eu dizia: ‘Não posso fazer isso.’ Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?” Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Leia mais.

Mais um ministro deixa o governo Dilma

Do Estadão:

O ministro Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, já disse à presidente Dilma Rousseff que não vai mais continuar no cargo. Dilma ficou de definir, em reunião marcada para esta sexta-feira, 10, como será o ritual da troca do ministro que, pelo menos em tese, é o responsável pela articulação política do governo. Dilma também vai definir como será feita a escolha do substituto. Um dos nomes cotados é o atual líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza. Leia mais.

O governo sem Palocci

Da Folha de S. Paulo:

Diante do agravamento da situação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), a presidente Dilma Rousseff passou a analisar não só nomes para substituí-lo como a estudar mudanças no perfil dos titulares do cargos núcleo-duro do Palácio do Planalto. Segundo a Folha apurou, ela cogita, num cenário de queda de Palocci, trocá-lo por um ministro de perfil “técnico”, o que assessores da presidente tratam reservadamente como escalar uma “Dilma da Dilma”. Leia mais (para assinantes).

Palocci pode ter arrecadado para ONG de Lula

De Cláudio Humberto:

O ministro Antonio Palocci (Casa Civil) pode ter usado sua empresa de consultoria Projeto não apenas para prestar serviços a grandes empresas. Ele também foi encarregado de arrecadar doações para sustentar as atividades da ONG Instituto da Cidadania, chefiada pelo ex-presidente Lula, segundo confirmaram a esta coluna fontes do PT  ligadas ao comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Promotor demitido

Do Migalhas:

O MP-SP demitiu, na sexta-feira, um promotor de Justiça acusado de corrupção, após batalha jurídica que durou mais de 22 anos. As ações começaram em 1989, quando a procuradoria de Justiça acusou o promotor Luiz Aguinaldo de Mattos Vaz de corrupção passiva. Segundo a denúncia, ele aproveitou-se do cargo de curador de Massas Falidas, entre 1983 e 1984, para participar de várias fraudes.

Palocci ainda é médico do governo paulista

De Cláudio Humberto:

O ministro Antonio Palocci (Casa Civil) é um homem de sete instrumentos: além das consultorias milionárias quando era deputado, e mesmo durante e depois da campanha de Dilma, continua no governo paulista como médico sanitarista em Ribeirão Preto, terra natal e berço político. O Portal da Transparência informa que Palocci não é servidor requisitado do governo paulista, mas sua assessoria garante que sim.

Mortes no Pará

Quando estive em São Félix do Araguaia, divisa entre Mato Grosso e Tocantins, em 2007, o bispo emérito daquela prelazia, dom Pedro Casaldáliga, quem eu entrevistei para a então revista Página 9, me disse que as mortes por conflitos de terra naquela região e no Sul do Pará são bastante comuns. Ele se referia a pessoas que se opõem à destruição da floresta. Muitas vezes, pagam com a própria vida. O próprio dom Pedro viu matarem seu amigo, o padre João Bosco Burnier, em 1976. Eles reuniam provas para denunciar o caso de uma mulher que fora torturada com agulhas enfiadas por baixo da unha. Só não mataram dom Pedro porque imaginaram que o padre (com trajes mais apresentáveis) fosse o bispo. Agora, vemos com tristeza mais dois assassinatos naquela região. Dos ativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo da Silva. O que a gente espera sempre é que os culpados sejam presos e punidos. Incluindo os mandantes.

Donizete Oliveira, jornalista e professor em Maringá

Justiça e política

Do Migalhas:

Como é que pode um juiz de Direito falar de filiações e almejar cargo político enquanto veste a santa toga ?! Se sua ex-Exa. tinha algo a mostrar durante a carreira, toldou tudo no ato egoísta, amoral e, a se apreciar pela corregedoria, quiçá condenável. Seus respeitados colegas de magistratura bandeirante, apolíticos, como manda a lei, podiam ter ficado sem essa. Entenda.

Imagem é tudo

De Lauro Jardim:

Nas recentes conversas que teve sobre o Código Florestal, Dilma Rousseff deu sinais de que vetará trechos da proposta que prejudiquem a imagem do Brasil no exterior. Uma das emendas na mira de Dilma, de autoria de deputados do PMDB e do PR, é a que deixa para os estados a regularização de propriedades em áreas de preservação.

Campinas abre impeachment do prefeito

Os vereadores de Campinas aprovaram ontem à noite o pedido de abertura de Comissão Processante do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Foram 32 votos favoráveis ao processo que poderá culminar na cassação do pedetista. Durante as três horas de votação , os manifestantes – em sua maioria servidores da Prefeitura de Campinas e partidos de esquerda como o PSol – pressionaram os parlamentares pela aprovação do pedido do vereador Artur Orsi (PSDB). No total, foram apresentados quatro pedidos de CP. Duas de moradores de Campinas e duas de parlamentares – uma do tucano e outra apresentada pelo vereador Petterson Prado (PPS). Leia mais.

Por uma educação melhor

A professora Amanda Gurgel voltou a bombar, desta vez ao participar do Domingão do faustão. No YouTube, sua fala durante a audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte foi vista foi milhões de pessoas. Em seu discurso, ela apontou os principais problemas de educação do país, os baixos salários dos professores e a falta de estrutura das escolas públicas. Hoje, no Domingão do Faustão, ela disse que vai continuar sua luta pela melhoria no ensino do país e por condições mais dignas para os professores. “Eu acredito que faz parte do processo educacional ensinar a luta pelos seus direitos. Eu ensino meus alunos a lutarem, portanto eu tenho que ser a primeira”, afirmou Amanda. Leia mais.