Crônica

A grande gincana

Durante muitos anos Lucilla e eu participamos de uma equipe que promovia encontros de preparação de noivos para o casamento. Um dos momentos mais bonitos era quando o Dr. João Batista Leonardo falava sobre a maravilha que é o nascimento de uma criança.

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UEM, no peito e na raça

Leio no Google que a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, foi criada em 1290 – pouco mais de um século após a fundação de Portugal. Tem, portanto, 730 anos. A primeira faculdade de Maringá, ponto de partida para a formação de nossa UEM, foi criada em 1959 – apenas 12 anos após a fundação da cidade. Tem, portanto, 61 anos. A diferença é que a de Coimbra teve como padrinho o próprio rei, Dom Dinis, enquanto a de Maringá nasceu do arrojo de uma comunidade de pioneiros. Quando completar 730 anos, que dirão dela os historiadores?

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Os bem-te-vis de Maringá

Bem-te-vi que bem-me-vês, bem-visto sejas também, hoje e sempre e toda vez que bem-me-vires. Amém. –- Na minha rua habitam muitos e fico todo prosa quando um deles me acorda cantando em frente à janela. Ele diz: “Bem-te-vi… Bem-te-vi…”. Respondo: “Obrigado, igualmente”.

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Bom dia, Nhô Juca

Em meados de 1952, quando começou a primeira campanha eleitoral em Maringá, o candidato a prefeito Inocente Villanova Júnior foi buscar em São Paulo um jovem radialista para coordenar e animar os seus comícios. Era um paulista nascido em Itápolis no dia 28 de maio de 1925, Antônio Mário Manicardi, recém-aprovado num concurso para compor o elenco de radionovelas da Rádio América. A proposta do candidato era bem atraente. Manicardi aceitou, mas com o trato de que, após a campanha, voltaria para São Paulo. Até hoje não voltou.

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Vanor, um homem bom

Na terceira eleição municipal de Maringá, João Paulino Vieira Filho e Vanor Henriques disputaram voto a voto a prefeitura. João Paulino venceu e foi, por duas vezes, um ótimo prefeito. Mas se Vanor tivesse sido o vitorioso teria sido um prefeito ótimo também. Porque era ótima pessoa. Aliás uma das melhores pessoas que conheci. 

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Doutor Said

Nascido paulista em 1933 na cidade de Dois Córregos, Said Felício Ferreira formou-se em medicina na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Em 1957 veio para Atalaia, cidade vizinha nossa, e ali instalou sua primeira clínica. Dois anos após mudou para Maringá.

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Grande Doutor Altino

Os primeiros jornais e revistas de Maringá tiveram o privilégio de contar com um megaelenco de colaboradores: Dom Jaime Luiz Coelho, Hélenton Borba Cortes, Mário Urbinatti, Túlio Vargas, Ademaro Barreiros, Emílio Germani, Ricarte de Freitas, Luiz Carlos Borba, Ary de Lima, Duque Estrada, Tertuliano dos Passos. E entre eles um que eu costumava chamar de Dom Altino, talvez porque o achasse com jeito de príncipe – o Doutor Altino Borba.

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O peladão

Por motivos fartos e facilmente compreensíveis, ele acabou ganhando status de atração turística – um dos pontos de parada obrigatória para todo grupo que visite Maringá pela primeira vez. Ali o guia aproveita para contar como começou a história da cidade: é o local do encontro entre o Maringá Velho e o Maringá Novo. Oficialmente, o nome do charmoso espaço é  Praça Sete de Setembro. Mas na boca do povo é Praça do Peladão.

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Assim começou o albergue

Meados de 1958. Manoel Tavares (diretor de “A Tribuna de Maringá”), parou diante de minha casa montado numa motocicleta e armado de máquina fotográfica. Pediu-me que subisse à garupa e o acompanhasse numa visita sem aviso prévio a uma instituição então conhecida como “albergue noturno”, que funcionava em Maringá por conta de um órgão do estado, o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural – FATR. Era uma hospedaria sem nenhum conforto, destinada a acolher migrantes que chegavam de várias origens atraídos pela fama do novo eldorado, e que ali permaneciam enquanto procuravam emprego.

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O parque (quase não) do Ingá

A primeira vez em que lá entrei foi em 1967, em companhia do prefeito Luiz de Carvalho. O local era ainda conhecido como “Bosque 1” – um pedacinho da antiga floresta em meio à qual a população pioneira construiu a garbosa urbe onde hoje a gente orgulhosamente mora.

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A bênção, maestro Matti

A Cantina do Zitão, como vocês sabem, era um animado lugar onde os solteiros da recém-nascida Maringá se encontravam para saborear a comidinha gostosa de Dona Maria José. Desde janeiro de 1955, quando aqui cheguei, e por mais alguns anos, fui um dos clientes da casa. Ali, por afinidades várias, meus mais frequentes companheiros de mesa eram dois dos nossos mais ilustres pioneiros do ensino: José Hiran Sallé e Aniceto Matti. Do bom Hiran já lhes falei; hoje vou falar do bom Aniceto, o querido maestro Matti, do qual sentimos todos uma saudade enorme.

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Mostra do More

Quem foi o diretor de “Casablanca”? Quem foi a protagonista de “E o vento levou”? Qual foi o primeiro filme de Orson Welles?… Hoje você vai ao Google e fica sabendo na hora. Mas até o final do século passado, pelo menos aqui em Maringá, se você quisesse saber algo sobre cinema, o modo mais fácil de obter respostas rápidas e precisas seria perguntar ao More.

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O duelo JP x Haroldo

Em algumas cidades é comum a população dividir-se em duas torcidas: no Rio o Fla-Flu, em Porto Alegre o Grenal, na capital paranaense o Atletiba. Em Maringá, ao longo dos anos 1960, houve algo semelhante, porém no campo político: de um lado os seguidores do Doutor João Paulino Vieira Filho, líder do PSD (depois Arena-1), do outro lado os seguidores do Doutor Haroldo Leon Peres, líder da UDN (depois Arena-2).

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JP, Granado e Schiavone

Se a gente juntasse alguns dos muitos casos engraçados ocorridos na história desta cidade, daria um livro delicioso. Outro dia, num papo com um pessoal meio da saudade, conversa-vai, conversa-vem, veio à lembrança um fato que vou recontar pra vocês, pedindo desculpas antecipadas aos três ilustres personagens da cena, dois deles em memória.

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Doutor Luiz, um homem justo

Segunda metade da década de 1960. O prefeito era o Doutor Luiz Moreira de Carvalho, médico, nascido mineiro em Divisa Nova, pioneiro maringaense aqui chegado em 1949. A prefeitura funcionava ainda no prédio antigo, na esquina das avenidas Getúlio Vargas e 15 de Novembro. 

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Joubert de Carvalho

     Um jornalista de São Paulo, amigo do Aristeu Brandespim (diretor da revista NP), de passagem por Maringá, almoçou conosco e a certa altura indagou: “Onde fica a Rua Joubert de Carvalho? Eu gostaria de fotografá-la”.

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Divanir, o Mecenas

Por A. A. de Assis:

Em 1966, Maringá era uma jovem cidade de apenas 19 anos, no auge do pioneirismo, com poucas ruas pavimentadas e uma população ainda empenhada em fincar raízes para a construção de uma vida nova em meio à floresta virgem.Continue lendo ›

Na cola do Leminski

Por Douglas de Souza Fernandes:

Falando assim, poucos vão acreditar, mas já escrevi no verso do Leminski! Explico: em 1986, trabalhava no jornal curitibano Correio de Notícias, mas em Maringá, como repórter da sucursal na Rua Santos Dumont pouco depois da Praça Napoleão Moreira da Silva. Continue lendo ›

Vendo carroça

Por José Luiz Boromelo:

“Vendo carroça usada, necessitando de pequenos reparos, equipada com pneus meia vida, freio de mão em funcionamento, varal reforçado com ferragem de construção. Acompanha arreio artesanal muito resistente, fabricado em couro cru contendo coalheira, selote, tapa, rédea, correntes e ainda bridão, rascadeira e chicote. Continue lendo ›

A duvidosa paz do morto

Por João Batista Leonardo:

Vivi horas místicas, em clima de reflexão, no velamento de um amigo. Lá, umas pessoas chorosas se consolavam, outras meditativas e intrínsecas, muitas contentes querendo se mostrar e a maioria preocupada em assinar na lista de presenças, para se valer diante da família.Continue lendo ›

Eu, robô

celular

Por José Luiz Boromelo:

Olhos grudados na tela colorida. Atenção toda voltada a intermináveis passeios a redes sociais. Ansiedade contínua e incessante em conferir possíveis novas mensagens. Textos, vídeos e clipes de gosto duvidosos, atraindo cada vez mais usuários, que se tornam dependentes em um piscar de olhos. Continue lendo ›

O tédio no casamento

Tédio

Por João Batista Leonardo:

A vida comungada a dois clama que seja, minimamente, firmada em bases sólidas para a continuidade nos planos sociais, econômicos e sentimentais.
Convivi como médico no seio de famílias por mais de cinquenta anos e os casais desajustados que acompanhei foram tantos e tantos, pelos mais diversos motivos.Continue lendo ›

Porianna, nascimento e morte
de um jovem neonazista

Neonazistas

Por David Arioch, em seu blog:

Conheci Piero pessoalmente quando tínhamos 17 anos. Ele era um adolescente comum. Estatura mediana, magro, cabelos e olhos castanhos e uma exímia vontade de existir e ser notado para além dos cravos e das espinhas que o exasperavam. No final dos anos 1990, nos tornamos amigos através da música. Eu já gostava muito de heavy metal e ele também. Então começamos a fazer trade em Maringá, onde ele visitava familiares. Eu saía de Paranavaí e ele de São Paulo. Nos encontrávamos na Musical Box, na Avenida Brasil, onde trocávamos CDs e cópias de fitas de shows em VHS.Continue lendo ›