De Maria Newnum:.
Eu não gosto de cerveja, não gosto de futebol, mas gosto de política. Aprendi a gostar de política no segundo grau lendo o texto “O analfabeto político” de Bertolt Brecht. O texto diz: “O analfabeto político: Não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
Relendo esse texto, me vejo voltando aos meus tempos de menina, onde já percebia que meu pai e seus amigos desacreditavam da política e preferiam tomar cerveja, ver futebol e mulheres peladas nas revistas. Enquanto isso, minha mãe lidava com muita dificuldade para garantir escola e atendimento de saúde pública para as quatro filhas. De lá para cá as coisas não evoluíram: o futebol e a cerveja ainda continuam gerindo a vida de muitos homens e como sempre, cabe às mulheres, na maioria dos casos, a rotina de amanhecerem nas filas de postos de saúde e hospitais públicos clamando, como pedintes, socorro para suas crianças, velhos e maridos doentes.Continue lendo ›