Por padre Orivaldo Robles:
Não costumo assistir o “Fantástico”. Dele me interessam só os gols da rodada. Mas passam muito tarde para quem se levanta às seis da manhã. Sou dorminhoco: já que não posso ter oito, quero, pelo menos, sete horas de sono, embora nem sempre consiga. Domingo passado, excepcionalmente, me plantei diante da TV. Pelas tantas, o repórter Clayton Conservani trouxe interessante matéria sobre aquele desastre aéreo, ocorrido na Cordilheira dos Andes, que até virou filme. Para quem não lembra, no dia 13 de outubro de 1972, um avião da Força Aérea uruguaia, com 45 pessoas a bordo, caiu nos Andes. Durante dois meses, sobreviventes se arrastaram pelas montanhas geladas. Para matar a fome, obrigaram-se a comer carne dos companheiros mortos. No dia 23 de dezembro, dezesseis deles foram resgatados com vida. O repórter entrevistou Gustavo Zerbino, um dos que superaram a terrível provação. Uma frase dele me impressionou: “Só reclama quem está bem. Quem está realmente mal cerra os dentes e continua em frente”. Poucos, como ele, têm moral para falar assim. Pensando bem, Zerbino tem razão. Quem enfrenta situação realmente aflitiva não tem tempo para queixumes. Precisa ir à luta e, para isso, reúne todos os recursos de que é capaz. Sabe que não pode desperdiçar um mínimo de atenção, de tempo ou de energia. Necessita de tudo o que, de alguma forma, possa ser útil para vencer a aflição que o atormenta.Continue lendo ›