a. a. de assis

Crônica

Avenida Raccanello

Estávamos atravessando o moderno bairro conhecido como Novo Centro. Perguntei ao motorista do aplicativo se ele sabia quem foi Horácio Raccanello. Ele, bem jovem e morante havia pouco tempo em Maringá, disse que não sabia. Respondeu apenas que “para ser nome de uma avenida tão bonita deve ter sido uma pessoa muito importante”.

Continue lendo ›

Crônica

As irmãs do Santa Cruz

Todos os nossos pioneiros são dignos de máximo respeito, além de credores de justa gratidão da parte de todos nós que deles herdamos esta encantadora cidade. Eram, em sua grande maioria, colonos ou pequenos proprietários em outras regiões do país, alguns em distantes rincões do mundo. Tiveram a coragem de trocar a tranquilidade do chão natal pela ousadia de abrir clareiras na mata para formar lavouras e plantar cidades. Movia-os, contudo, um motivo forte: a esperança de fazer aqui o pé-de-meia.

Continue lendo ›

Crônica

Como sonhara Isaías

Cada qual tem lá seu modo de tentar entender a origem do universo e de tudo o que nele existe. Alguns se amparam na fé, outros na ciência. Mas isso é discussão para gente grande, e não tenho mais idade para entrar nesse “acho que é assim, acho que é assado”. O que me espanta mesmo é pensar que um planeta inicialmente dotado de tantas maravilhas foi pouco a pouco se transformando na arena louca em que hoje tenta manter-se viva a humanidade.

Continue lendo ›

Crônica

Maluf, o pioneirão

No princípio era assim: na colina o Maringá Velho, na planície o Maringá Novo. No meio havia um bom pedaço da floresta original, por onde passava uma trilha que ligava os dois povoados. Deu-se, porém, que um dia um funcionário do Maluf se perdeu na travessia e precisou-se de um dia inteiro de busca para reachar o moço.

Continue lendo ›

Crônica

A grande gincana

Durante muitos anos Lucilla e eu participamos de uma equipe que promovia encontros de preparação de noivos para o casamento. Um dos momentos mais bonitos era quando o Dr. João Batista Leonardo falava sobre a maravilha que é o nascimento de uma criança.

Continue lendo ›

Crônica

Os bem-te-vis de Maringá

Bem-te-vi que bem-me-vês, bem-visto sejas também, hoje e sempre e toda vez que bem-me-vires. Amém. –- Na minha rua habitam muitos e fico todo prosa quando um deles me acorda cantando em frente à janela. Ele diz: “Bem-te-vi… Bem-te-vi…”. Respondo: “Obrigado, igualmente”.

Continue lendo ›

Crônica

Bom dia, Nhô Juca

Em meados de 1952, quando começou a primeira campanha eleitoral em Maringá, o candidato a prefeito Inocente Villanova Júnior foi buscar em São Paulo um jovem radialista para coordenar e animar os seus comícios. Era um paulista nascido em Itápolis no dia 28 de maio de 1925, Antônio Mário Manicardi, recém-aprovado num concurso para compor o elenco de radionovelas da Rádio América. A proposta do candidato era bem atraente. Manicardi aceitou, mas com o trato de que, após a campanha, voltaria para São Paulo. Até hoje não voltou.

Continue lendo ›

Crônica

Vanor, um homem bom

Na terceira eleição municipal de Maringá, João Paulino Vieira Filho e Vanor Henriques disputaram voto a voto a prefeitura. João Paulino venceu e foi, por duas vezes, um ótimo prefeito. Mas se Vanor tivesse sido o vitorioso teria sido um prefeito ótimo também. Porque era ótima pessoa. Aliás uma das melhores pessoas que conheci. 

Continue lendo ›

Crônica

Doutor Said

Nascido paulista em 1933 na cidade de Dois Córregos, Said Felício Ferreira formou-se em medicina na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Em 1957 veio para Atalaia, cidade vizinha nossa, e ali instalou sua primeira clínica. Dois anos após mudou para Maringá.

Continue lendo ›

Crônica

O peladão

Por motivos fartos e facilmente compreensíveis, ele acabou ganhando status de atração turística – um dos pontos de parada obrigatória para todo grupo que visite Maringá pela primeira vez. Ali o guia aproveita para contar como começou a história da cidade: é o local do encontro entre o Maringá Velho e o Maringá Novo. Oficialmente, o nome do charmoso espaço é  Praça Sete de Setembro. Mas na boca do povo é Praça do Peladão.

Continue lendo ›

Crônica

Assim começou o albergue

Meados de 1958. Manoel Tavares (diretor de “A Tribuna de Maringá”), parou diante de minha casa montado numa motocicleta e armado de máquina fotográfica. Pediu-me que subisse à garupa e o acompanhasse numa visita sem aviso prévio a uma instituição então conhecida como “albergue noturno”, que funcionava em Maringá por conta de um órgão do estado, o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural – FATR. Era uma hospedaria sem nenhum conforto, destinada a acolher migrantes que chegavam de várias origens atraídos pela fama do novo eldorado, e que ali permaneciam enquanto procuravam emprego.

Continue lendo ›

Crônica

Mostra do More

Quem foi o diretor de “Casablanca”? Quem foi a protagonista de “E o vento levou”? Qual foi o primeiro filme de Orson Welles?… Hoje você vai ao Google e fica sabendo na hora. Mas até o final do século passado, pelo menos aqui em Maringá, se você quisesse saber algo sobre cinema, o modo mais fácil de obter respostas rápidas e precisas seria perguntar ao More.

Continue lendo ›

Crônica

O duelo JP x Haroldo

Em algumas cidades é comum a população dividir-se em duas torcidas: no Rio o Fla-Flu, em Porto Alegre o Grenal, na capital paranaense o Atletiba. Em Maringá, ao longo dos anos 1960, houve algo semelhante, porém no campo político: de um lado os seguidores do Doutor João Paulino Vieira Filho, líder do PSD (depois Arena-1), do outro lado os seguidores do Doutor Haroldo Leon Peres, líder da UDN (depois Arena-2).

Continue lendo ›

Artigo

O Festival de Cinema de Maringá

Os mais antigos se lembram do sucesso. A cidade estava com apenas 11 anos, não tinha sequer uma rua asfaltada, porém já ousava fazer artes de gente grande. Ousou, por exemplo, um dia, brincar de Cannes. Isso mesmo: para espanto geral, fez-se aqui, de 3 a 10 de maio de 1958, o I Festival Nacional de Cinema de Maringá.

Continue lendo ›

Artigo

Baile pé no chão

Sempre que revejo algum daqueles filmões que mostram como era a vida no velho oeste norte-americano, vem-me à memória a Maringá pioneira das duas primeiras décadas – anos 1940 e 1950. Pouco mais que um vilarejo cercado de matas e cafezais por todos os lados. Gente vinda das mais diferentes origens, misturando costumes, sotaques, projetos de vida.

Continue lendo ›

Artigo

Relógio de bolso

Nunca me esqueço de uma crônica publicada há mais de meio século na revista “O Cruzeiro” pela célebre jornalista Rachel de Queiroz. Falava de um homem que passou a usar relógio de pulso porque não tinha tempo para ver as horas no relógio de bolso.

Continue lendo ›