Trova
De repente tudo para,
provocando calafrios…
Ouve-se o canto da Iara
chorando a morte dos rios!
A. A. de Assis
De repente tudo para,
provocando calafrios…
Ouve-se o canto da Iara
chorando a morte dos rios!
A. A. de Assis
Contra o gênio, com frequência,
joga pedras a vaidade.
– É que a luz da inteligência
machuca a mediocridade!
A. A. de Assis
Benditas sejam as vidas
que, alegres, serenas, santas,
vivem a vida envolvidas
em levar vida a outras tantas!
A. A. de Assis
A palavra acalma e instiga;
a palavra adoça e inflama.
– Com ela é que a gente briga;
com ela é que a gente ama!
A. A. de Assis
A natureza protesta
sempre que alguém a maltrata.
– Se matas uma floresta,
vem o deserto e te mata!
A. A. de Assis
O grande A. A. de Assis selecionou 100 trovas inesquecíveis.
Que tristeza ouvir um santo,
um sábio, um poeta, um rei,
ao peso do desencanto,
dizer ao mundo: – Cansei!
A. A. de Assis
Criado por Deus, o rio
nasce limpo e, como nós,
traz consigo o desafio
de limpo chegar à foz.
A. A. de Assis
Que alegre alívio provoca,
na alma e no coração,
o abraço que a gente troca
numa troca de perdão!
A. A. de Assis
A bênção, queridos pais,
que às vezes sois mães também.
Em nome de Deus cuidais
dos filhos que d’Ele vêm!
A. A. de Assis
Esta é uma lei que não muda,
portanto preste atenção:
– O Pai jamais nega ajuda
àquele que ajuda o irmão.
A. A. de Assis
Já se ouve o grito.
A moçada vai suar
ao soar do apito.
— a. a. de assis
A vida, além de um prazer,
é a chance que a gente tem
de, mais que apenas viver,
ser luz na vida de alguém.
A. A. de Assis
Da mãe à filha querida:
– Obrigada, meu bebê…
Fui eu quem lhe dei a vida,
mas minha vida é você!
A. A. de Assis
Grande mesmo é quem descobre
que ser grande é ser alguém
que abre espaço para o pobre
tornar-se grande também.
A. A. de Assis
Trate o velho com respeito;
dê-lhe o amor que possa dar.
Mas não lhe roube o direito
de a si mesmo governar!
A. A. de Assis
Tal qual dois rios se abraçam,
formando um só rio após,
dois “eus” pelo amor se enlaçam,
passando a chamar-se “nós”!
A. A. de Assis
O mundo precisa crer
num Deus que se chama Amor.
Se essa crença não valer,
nada mais terá valor!
A. A. de Assis
Errar nunca foi demérito,
e eu também estou sujeito.
– Nem mesmo o velho pretérito
é totalmente perfeito.
A. A. de Assis

O texto abaixo é de João Guido, e foi publicado originalmente na revista Aqui (número 14), em fevereiro de 1980. Foi mantida a ortografia da época. A revista, publicada mensalmente, era de propriedade da Editora Gráfica Clichetec e tinha como diretores Genaro Dutra, Antonio Augusto de Assis, Nobuo Sotozono e Luiz Nora Ribeiro. João Guido, que também apareceu em textos de outras publicações – pouquíssimos sabem -, era um dos heterônimos utilizados pelo grande A. A. de Assis (ilustração) nos velhos e bons tempos de lida jornalística. Assis, por sinal, descansa em Balneáripo Camboriú até o final do mês.
De João Guido:
Praquê que enfiaram na cabeça dele aquela idéia de se mandar do seu chão de nascença? Quinzim Bitu não era rico, não era. Os quinze alqueires num fundão da Paraíba, uma área do brejo, plantando dava: A mulher Otaviana ajudando a capinar e colher, os cinco filhos sobrevividos já pegando no cabo da enxada, o mais velho com vinte, o caçula com 12, no meio Tiquita pensando em casamento. Rico não era o Quinzim Bitu. Comia fartura, as colheitas e as carnes que vendia faziam sobrar algum para a roupa nova dos dias de romaria, a família gorda e sossegada. Enfiaram na cabeça dele a notícia de que no sul a vida era muito melhor. Tinha conforto, tinha modernice, tinha alegria, tinha chiqueza, tinha carnaval, futebol, emprego fácil, dinheiro farto. Quinzim vendeu seu chão de nascença e se mandou de caminhão, de trem, desceu em São Paulo. Só sabia capinar, plantar, colher, não conseguiu emprego. Nem documento em ordem ele tinha. Continue lendo ›
Vai, riozinho, sem pressa…
lembra ao mar, sem raiva ou mágoa,
que ele é grande, mas começa
num modesto olhinho d’água!
A. A. de Assis
Se a justiça, um dia, enfim,
a todos der vez e voz,
Deus dirá que agora, sim,
mora no meio de nós!
A. A. de Assis
Uma estrela sobe.
Dom Jaime Luiz Coelho,
aos noventa e sete.
a. a. de assis
Dentre os bens que o filho espera
receber por transmissão,
tesouro nenhum supera
o exemplo que os pais lhe dão.
A. A. de Assis
Vaidade, doença triste
que nos condena a estar sós…
Não nos deixa ver que existe
ninguém mais além de nós.
A. A. de Assis
Dê-se ao jovem liberdade
para sem medo ele ousar.
– É no ardor da mocidade
que o sonho aprende a voar!
A. A. de Assis