Não descansarei

Ontem confessei que estou cansado. De fato, o peso da idade chegando, o trabalho, gratificante, mas estafante como pequeno empresário (o número de clientes cresceu muito), e a sensação de que neste trabalho de fiscalização ,que fazemos há alguns anos, não atinge os resultados esperados diante da passividade de boa parte da sociedade, me fizeram parar para pensar. Será que vale a pena? Descobri que, segundo dados do IBGE só 2% dos brasileiros têm renda maior que a minha, e que ganho mais que 98% .. Sou considerado rico e não precisaria trabalhar mais. Falo da renda sem a atividade empresarial. Poderia, como diz o ditado popular, colocar o ‘burro na sombra’ , deitar em berço esplêndido, viajar, aproveitar a vida, com dizem. No entanto continuo trabalhando muito, e voluntariamente na defesa do interesse público, literalmente. Sou muitas vezes incompreendido, dentro da própria família. O que você ganha com isso? Questiona minha esposa. Chega, ordena. E eu teimosamente insisto. Não descansarei enquanto não vislumbrar a possibilidade de mudança do quadro político em Maringá, e, dependendo da decisão do TSE, realmente darei um tempo. Confio que a administração Enio Verri mudará a história desta cidade.
PS: O comentário sobre minha renda pode parecer fora de propósito, mas tem o objetivo de deixar bem claro que não luto por um cargo comissionado, ainda que seja de secretário. Posso dizer com orgulho que ganho mais que os R$ 10,6 mil, sem nenhum peso da consciência de estar mamando nas tetas de qualquer governo. Muitos, na verdade, ao mamarem nas tetas da prefeitura, estão tirando o leite de crianças pobres, o remédio, até a alimentação dos mais necessitados. Trabalho porque me considero cidadão e do ponto de vista religioso, tenho muito que agradecer e obrigação de colaborar nas obras do Criador. Se almejo um futuro melhor, não é do ponto de vista material. Já tenho tudo que preciso aqui. Ora pelos que sugam os cofres públicos, pois terão problemas a médio e a longo prazo, senão aqui, na prestação de contas a Deus, como diria Silvio II, que por sinal deve estar refletindo sobre tudo o que fez, nos últimos oito anos, em trabalho voluntário (ou seria de turismo?), lá na África.
Akino Maringá, colaborador