De tornozeleira, Luigino Fiocco aguarda julgamento de extradição

Esta semana faz quatro meses que o italiano Luigino Fiocco, 68, o homem da fábrica de helicópteros e aviões que seria instalada em Maringá, está em liberdade provisória, usando tornozeleira eletrônica, enquanto aguarda o julgamento do pedido de extradição feito pelo governo da Itália.

Condenado na Itália a mais de 10 anos de prisão por fraude que deu prejuízo de mais de 200 milhões de euros, Fiocco, de 68 anos, foi descoberto por policiais de elite, os ‘caçadores’ do Catturandi (de ‘capturar’), especializados em caçar mafiosos. Preso em setembro, ele ganhou liberdade por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, em outubro.
Ele ficou cerca de um mês preso na Papuda, até Lewandoski atender a defesa de Fiocco, e aguardar em liberdade o julgamento do pedido de extradição. Luigino Fiocco é conhecido no Paraná por ter sido apresentado pelo ex-governador Beto Richa, pelo ex-secretário de Indústria e Comércio Ricardo Barros e pelo ex-prefeito Carlos Roberto Pupin como sendo o empresário que investiria milhões em Maringá. O projeto nunca passou da assinatura de protocolo de intenções.
O ministro do STF levou em consideração que Fiocco busca regularizar sua estada no país, tem ocupação e domicílio certos e por isso não estaria furtando-se à aplicação da lei penal, “vinha declarando renda no Brasil e exercendo atividade empresarial há alguns anos, além de ter manifestado o interesse de residir permanentemente no país” e que não apresentava periculosidade.
A concessão da liberdade provisória de Fiocco foi condicionada ao recolhimento domiciliar noturno; entrega de seu passaporte à Polícia Federal; monitoramento por meio da utilização de tornozeleira eletrônica; e compromisso de atender a todo e qualquer chamamento judicial.
Além do governo italiano, vários trabalhadores lesados por Fiocco não gostaram de ver a liberdade provisória concedida. Ele aguarda agora a decisão do tribunal para voltar à Itália. De acordo com a lei italiana, este período será considerado dentro dos dez anos que Fiocco deverá passar preso. Por essa razão, busca-se adiar a decisão do STF o quanto possível. Sem considerar também que Luigino tem muitos amigos no Brasil.
(Foto: Ricardo Almeida/ANPr)

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.

4 pitacos em “De tornozeleira, Luigino Fiocco aguarda julgamento de extradição

  1. Já a extradição de um tal de Cesare Battisti foi a jato … inclusive, fora da lei, até porque o Brasil não poderia extraditar ninguém a um país (qualquer país) que tenha pena de morte ou prisão perpétua … Não faltou nem avião da PF indo para a Bolívia numa velocidade que assusta até os gringos do FBI e CIA …

    Aliás, pra mandar avião pra Bolívia, ninguém perguntou se poderiam, quem pagaria, quem mandou … já no enterro do irmão do Lula … não tinha “estrutura” né não? …

    Brazzzziiillllll …

    • Contribuinte diz:

      E extradição do Cesare Battisti não foi “a jato”.
      No último dia do governo Lulla, “o improbo”, o governo brasileiro concedeu status de refugiado para o assassino italiano, contrariando o parecer do CONARE – Conselho Nacional de Refugiados, que, analisando todas as circunstâncias do caso, chegou a conclusão que o caso não se enquadrava nas regras do refúgio aprovadas pela ONU.
      O assassino italiano passou a viver no Brasil uma vida de nababo, rindo das autoridades brasileiras e italianas.
      O caso somente foi reaberto ainda no governo do PT, leia-se Michel Temer, o vice de Dillma, que, revendo o caso e as tentativas de fuga do assassino, chegou a conclusão, de que o refúgio deveria ser retirado e o assassino extraditado para a Itália.
      Nova fuga, desta vez o assassino conseguiu seu intento, não sendo detido na fronteira, mas foi extraditado assim mesmo, da Bolívia diretamente para a Itália.
      O by pass do território brasileiro foi a forma encontrada para driblar qualquer manobra jurídica que pudesse ser intentada em território brasileiro.
      Enfim, fez-se justiça
      Quanto ao italiano da fábrica de aviões e helicópteros, o caso dele deve estar nas mãos de um dos oito ministros do STF indicados pelos governos Lulla e Dillma. É isso que acontece quando se politizam as indicações para a Corte Suprema.

  2. Ótimo post! Nosso amigo está tentando ficar no Brasil o maior tempo possível, porque na Itália não há possibilidade de prisão domiciliar. Então, quanto mais tempo é gasto no Brasil, mais livre ele é. Além disso, não se diz que ele não está tentando fazer algum negócio mesmo agora. Ele tem muitos amigos no Brasil.

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