Judas, quem merece ser malhado: Bolsonaro ou Moro?

Neste sábado de aleluia, no meu tempo de criança era muito forte a tradição popular de Malhação de Judas que consiste em construir um boneco do tamanho de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal, e surrá-lo pelas ruas de um bairro e atear fogo a ele ou enforcá-lo. No Brasil, era comum enfeitar o boneco com máscaras ou placas com o nome de políticos, técnicos de futebol ou personalidades que seriam “canceladas” pelo povo. A propósito, bolsonaristas acusam Sérgio Moro de ter traído Bolsonaro ao sair do governo. Petistas dizem o contrário, que Moro ajudou Bolsonaro a ser eleito. Pessoalmente estou entre os que entendem que Moro foi traído por Bolsonaro e que se há um judas, alguém que merece ser malhado, não só pela traição ao ex-juiz, mas a muito eleitores que nele votaram, confiança em promessas de combate a corrupção, de que teria um ministério técnico, sem políticos de centrão e que não seria candidato à reeleição, só para citar algumas mentiras descaradas e deslavadas.
Talvez Moro, por ingenuidade, tenha traído também a confiança daqueles que, como eu, não queriam que ele deixasse a toga e não foi por falta de alerta. Vejam postagem nossa, de 30/10/2018 aqui, que reproduzo: Sem comentários, mesmo. Primeiro foi Álvaro Dias, agora o presidente eleito, dizer que convidaria o juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, não merece comentários. Um absurdo, que só quem não tem noção da importância dele, e da preocupação com a carreira.
Quem, em sã consciência, largaria uma carreira estável, promissora, como a de juiz federal, para se aventurar a ser ministro da Justiça, um, digamos, cargo comissionado, sujeito a ser exonerado a qualquer momento? Sem comentários, como bem respondeu o juiz.
Se Bolsonaro quer o bem da Justiça e o combate à corrupção, que prega, não mexa com Moro, nem para indicá-lo para o STF, neste momento.
PS: Que poderes tem o ministro da Justiça, no combate à corrupção, senão deixar a PF e o MP trabalharem? Isso qualquer cidadão bem intencionado faz. Não precisa ser um Sérgio Moro.
Bolsonaro merece ser malhado pelos brasileiros, como um traidor da pátria. Já Moro, talvez deva se auto malhar pelo erro cometido ao cair na lábia do ‘mito’, e ingenuamente largar a magistratura. Não tenho dúvidas que muito do fim melancólico da Lava Jato, se deve a isso, e é mais um débito na conta de Bolsonaro.
Oremos por Sérgio Moro e sua família. Que Jesus Cristo os ampare. Não desejaria nem para o pior inimigo (alguém do bem) que estivesse no seu lugar, hoje. Traidor, judas, ele? Não, faltou-lhe malícia, no bom sentido.
(Ilustração: Malhação de Judas/Jean-Baptiste Debret)
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