Existe limite em certo tipo de política?

Aquele que se acha esperto demais um dia acaba caindo nas garras da própria esperteza

O ditado “Aquele que se acha esperto demais um dia acaba caindo nas garras da própria esperteza” caberia tranquilamente ao deputado federal licenciado (licença que fez Maringá perdendo para Londrina de longe, em representação na Câmara Federal) Ricardo Barros, que, conta Leandro Mazzini, foi atrás de Lula no Palácio da Alvorada. Barros foi reeleito com votos basicamente bolsonaristas.

A história “casa” com o que sai do chamado Posto Ipiranga, o escritório onde o político dá expediente. Disse ele dias atrás que uma das hipóteses para esta campanha, onde usa o irmão Silvio Barros II (aquele que deixou a prefeitura com 40 ações nas costas e em 2021 foi denunciado criminalmente por desvios de verbas públicas) como moeda de troca, era obter o apoio de todos – repetindo: to-dos – os pré-candidatos e partidos de Maringá em torno de sua candidatura ao Senado, na eleição suplementar do ainda senador Sergio Moro. Daria, em troca, a desistência de seu irmão mais velho, como se fosse ele desde já o ungido para vencer a eleição municipal. Talvez ele tenha ido ao encontro de Lula para fazer o pedido de liberar o PT maringaense para apoiá-lo ao Senado, deixando de lado a deputada federal Gleisi Hoffmann, que já se declarou pré-candidata.

Há pouco tempo Barros tentou tomar o Partido Liberal de Maringá, numa visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que aparece com cara de poucos amigos, pois dias antes o secretário de Ratinho Junior havia elogiado o governo Lula. Na semana passada ele voltou a dizer que teria novo encontro com Bolsonaro, a despeito do lançamento da pré-candidatura a prefeito do Delegado Jacovós, presidente municipal do Partido Liberal. “Bolsonaro nem sabe quem é Jacovós”, garante ter ouvido dele mais de um interlocutor.

Esta semana Ratinho Junior fez o acordo entre PSD e PL nas cidades onde for possível, tirando em algumas delas o partido do presidente do alvo barrento barrista. Um dos acertos foi Ratinho ter chamado o general Silva e Luna, ex-Itaipu, para trocar o Republicanos pelo PL.

Sobre seu secretário, fica a constatação de que, passa-se o tempo, o ex-prefeito que saiu pela janela, o ex-ministro que comprou sem licitação medicamento sem eficácia para tratamento de câncer infantil, o deputado que queria o fim do Exame de Ordem e votou contra a certidão de nascimento gratuita para os necessitados, aquele que quer mudar a Constituição pois nela o brasileiro “tem mais direitos que deveres”, não alterou sua forma de fazer política. Foi chamado por colegas de política de “deputado gelatina” e “leitão vesgo”, entre outros apelidos mais fortes. Esperteza, enfim, não significa necessariamente inteligência.

Como reagirá Gleisi Hoffmann, que além de tudo é presidente nacional do PT, para companheiros de governo (por exemplo, o senador Randolfe Rodrigues) e de partido (como Renan Calheiros, responsável por seu indiciamento na CPI da Pandemia) sobre a reaproximação dos Barros com Lula? É mais fácil adivinhar como reagirá Ratinho Junior, dono do PSD e codono do PL no Paraná: possivelmente como Beto Richa – de forma passiva, como se nada houvesse acontecido, brabo nos bastidores e depois abraçando para a fotografia.

PS – Há uma tese de que talvez o encontro tenha sido promovido por um deputado petista que foi cantar “Parabéns a você” no aniversário do ex-líder de Bolsonaro, como Zeca Dirceu. Petistas torcem para que não seja verdade.

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