A língua ferve, o silêncio esfria

Quero me dirigir aos fantasmas bem nutridos da gestão passada. Aqueles que, mesmo fora da ribalta, insistem em aparecer nos bastidores

Há quem diga que o silêncio é sinal de sabedoria. Mas convenhamos: há silêncios que mais parecem um voto de confiança à mediocridade. Não considero Silvio Barros o melhor prefeito. Longe disso. Tenho me mantido relativamente contida, talvez por um resquício de otimismo ou por um respeito que já começa a me cansar. Mas já aviso: a língua está fervendo, e quando a fervura sobe, a coluna transborda.

Hoje, no entanto, não é dele que falo. Ao menos, não diretamente.

Quero me dirigir aos fantasmas bem nutridos da gestão passada. Aqueles que, mesmo fora da ribalta, insistem em aparecer nos bastidores. Ou pior: nos blogs da cidade, como se estivessem ensaiando um retorno triunfal. Pois bem, se a saúde de Maringá fosse tão boa quanto dizem os textos que esses espectros assinam, não teríamos filas de exames que mais parecem carreatas, UPAs superlotadas e um SUS local que funciona mais na base da esperança do que da estrutura.

O que realmente me incomoda, meus caros, são certas figuras da gestão anterior que rondam o presente com discursos inflamados e aparições pontuais. Como se o tempo delas ainda não tivesse acabado. Há quem pareça não entender o básico sobre ciclos. Eles começam, terminam. E é de bom tom aceitar isso com dignidade. Mas não. Algumas insistem em defender o indefensável, como quem tenta polir uma prataria que nunca brilhou de fato. E cá entre nós: se o trabalho tivesse sido tão bom assim, por que a necessidade constante de reafirmá-lo?

Há quem hoje ocupe cargo em uma robusta secretaria de Estado. Alguns atribuem isso à generosidade. Eu, que sou cética, prefiro acreditar na hipótese da competência. Mas se a ideia era se mostrar maior, bastava não usar colunas e matérias para criticar os rumos atuais apenas para enaltecer seu próprio passado. É um movimento tão pequeno que acaba por encolher ainda mais quem, aos meus olhos, nunca foi grande.

Por aqui, sigo firme. De olhos abertos, ouvidos atentos e com a caneta afiada. Porque se tem algo que Madame Savage não faz, é se curvar diante de discursos rancorosos disfarçados de boas intenções.

Aquela que escreve o que muitos pensam, mas poucos ousam dizer,
Madame Savage