Renato Bernardi


Magro, cabelos geralmente compridos e precocemente grisalhos, roupas indiferentes à moda, suave no olhar, sereno no sorriso, descontraído no jeito de falar, não dá sinais de sua grandeza interior
Durante alguns anos escrevi para “O Diário do Norte do Paraná” a coluna “Gente muito gente” [página 2]. Falava de pessoas especialmente significativas, que passaram pela história de Maringá deixando marcas inesquecíveis.
Folheando a coleção, reli um recorte do dia 13-10-78. Começava assim:
“Homem quase exageradamente simples, Renato Bernardi deixa confusos aqueles a quem a gente pergunta se são capazes de adivinhar quem ele é. Magro, cabelos geralmente compridos e precocemente grisalhos, roupas indiferentes à moda, suave no olhar, sereno no sorriso, descontraído no jeito de falar, não dá sinais de sua grandeza interior. Figura humana das mais impressionantes, mistura de filósofo e poeta – um pensador que vive como gosta de viver, de bem com o mundo e liberto das convenções sociais”.
Mais adiante escrevi: “Renato é desses homens que já nasceram predestinados para a liderança. Nunca forçou a projeção do seu nome. Cresceu na vida pública como consequência natural de sua vocação para servir à comunidade e daquela facilidade extraordinária de fazer amigos. A par disso, é dono de uma inteligência luminosa e fértil, que faz todo mundo gostar de conversar com ele e que o torna ótimo conselheiro, especialmente dos seus amigos políticos, mesmo daqueles que atuam em partidos diferentes”.
Escrevi mais: “Numa reunião oficial, na rua, no campo de futebol, num barzinho da vila, onde quer que esteja, ele é sempre o mesmo – o bom e sábio Renato, um intelectual por excelência, gente muito gente”.
Renato Bernardi, nascido paulista em Ibirá em 1937, residente em Maringá desde o final dos anos 1950, professor de Geografia e História em vários colégios e um dos primeiros professores da UEM. Vereador, vice-prefeito, secretário municipal, deputado estadual, deputado federal constituinte.
Tantos anos se passaram. Mas se eu tivesse que voltar a escrever sobre ele não mudaria nada. Diria dele hoje o mesmo que disse em 1978, acrescentando apenas que foi muito bom tê-lo tido como grande amigo.
(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)
Foto colorizada: Câmara Federal/Projeto Eu Amo Maringá
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