Conversa de gente grande

Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras.

Quanto você pagaria para ter o direito de escutar durante uma hora uma conversa entre pessoas pelas quais tenha grande admiração? Pois é: pelo andar dos algoritmos, daqui a uns cinco anos (ou menos) isso será perfeitamente possível. Ligaremos uma coisa parecida com televisor e programaremos a conversa que desejarmos testemunhar. A tal ferramenta, abastecida por alguma IA, nos possibilitará presenciar diálogos entre celebridades de grande projeção num determinado período da história.

Quem preferir poderá, por exemplo, começar xeretando um papo entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Ou entre Shakira e Beyoncé.

Da minha parte, gostaria de começar lá na Antiguidade. Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras. Ou entre Virgílio e Cícero. Ou entre os apóstolos Pedro e Paulo. Ou entre Júlio César e Cleópatra. 

Depois viria avançando no tempo: Copérnico e Galileu, São Francisco de Assis e Santo Antônio, Dante e Petrarca, Cervantes e Camões, Shakespeare e John Donne, Mozart e Chopin, Voltaire e Pascal, Chardin e Darwin, Freud e Proust…

Aí começaria a ouvir gente mais próxima de nós: Churchill e De Gaulle, Gandhi e Luther King, Chaplin e Disney, Humphrey Bogart e Cary Grant, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn, Sofia Loren e Brigitte Bardot, Pavarotti e Frank Sinatra, Elvis Presley e John Lennon, Edith Piaf e Maria Callas, João Paulo II e Madre Teresa de Calcutá, Ângela Merkel e Margaret Tathcher…

Na sequência chegaria ao Brasil: Castro Alves e Gonçalves Dias, Machado de Assis e José de Alencar, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, Drummond e Bandeira, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, Ulisses e Tancredo,  Dom Paulo Evaristo e Dom Aloísio Lorscheider, Dona Zilda Arns e Irmã Dulce, Pelé e Garrincha, Rivelino e Zico, Senna e Piquet, Noel Rosa e Pixinguinha, Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira, Bibi Ferreira e Tônia Carrero, Oscarito e Grande Otelo, Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Xororó, Jobim e Vinícius, Roberto Carlos e Caetano, Chico e Milton Nascimento, Jair Rodrigues e Elis Regina, Cecília Meireles e Clarice Lispector, Ruben Braga e Fernando Sabino, Quintana e Manoel de Barros…

Vai chegar esse dia sim. Está chegando.  Que coisa sensacional será ver ali na tela, à nossa frente, um par de gênios discutindo futebol, politica, religião, filosofia, poesia, música…

(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)

Imagem gerada por IA