‘Editorial eleitoral’ do Akino II

O bolsonarismo é o legado que deixará Bolsonaro, tão radical como o petismo

Esta é uma semana importantíssima, a mais decisiva dos últimos quatro anos, quando, nós paranaenses, daremos procurações a um governador, 54 deputados estaduais, 30 federais, um senador e ajudaremos o Brasil na escolha do Presidente da República. E você, amigo eleitor de outros estados, fará o mesmo, com apenas número diferente de deputados estaduais.

Os escolhidos serão responsáveis pela gestão dos recursos dos impostos que recolhemos em cada compra de fazemos, das mais diferentes formas, além de taxas de toda ordem, que segundo especialistas consomem cerca de 5 meses de tudo o que recebemos em salários, aposentadorias e outras rendas, especialmente, os mais pobres e os menos ricos.

Você daria uma procuração para qualquer um gerir o seu dinheiro, gastando como bem entender? Contrataria para gerenciar a sua empresa, alguém despreparado, preguiçoso, que pouco trabalha, ‘enforca’ o expediente para andar de moto, por exemplo?

Confiaria em um ‘conselho fiscal’ relapso, que não fiscalizasse esse gerente, que lhe faça chantagem, dizendo que se não lhe destinar recursos de formas não claras, sem qualquer transparência, o denunciaria e o tiraria do cargo.

E em alguém que já errou, foi acusado de ser ladrão, mas talvez fosse também vítima ‘desse conselho fiscal’, composto por deputados e senadores, muitos dos quais se perpetuam  nos cargos e não importa quem seja o eleito, só querem ‘mamar’ nas tetas do caixa do tesoura nacional, abastecidos com o nosso dinheiro.

Tenho ouvido muito, de amigos, que não votam em fulano porque é ladrão, até o colocam como o maior ladrão. A esses respondo que nenhum ladrão faz um grande assalto sem comparsas e os maiores comparsas de um prefeito, governador ou presidente da República, que seja acusado de ladrão, são vereadores, deputados estaduais, federais e senadores.

Não vota no candidato a presidente, que acusa de ladrão, mas vota no deputado do centrão, só porque ele é da sua cidade e ‘traz muitos recursos’ para a cidade e região.

Uns até lembram de uma frase de um político dos anos 60: ‘rouba mas faz’. ‘Tome vergonha na cara’, diria eu. Ninguém pode roubar para fazer. Eles são remunerados, e muito bem, para fazer e não roubar.

Outros dizem que rachadinha é coisa pequena e todos fazem. Repito: rachadinha é desvio de dinheiro público, portanto roubo, e quem rouba é ladrão. 

Tal candidato defende a família e os valores cristãos, dizem: Sim, defende a família, a família dele, não deixa investigar os filhos. Que valores cristãos, se está no terceiro casamento (nada contra quem casou mais de uma vez), mas…

Você é cristão? É, então não é capaz de perdoar alguém que errou. Lembra desse trecho do ‘Pai Nosso’, perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores…  ou perdoai os nossos pecados….

Lembra que Jesus dizia: ‘Vá e não peques mais’… Ou a passagem em que ele disse: ‘atire a primeira pedra’.

Entre Lula e Bolsonaro preferia uma terceira opção. Mas é preciso reconhecer que com um congresso bom, honesto e a fiscalização eficiente da oposição, especialmente a militância bolsonarista, num eventual governo Lula é impossível que os lamentáveis episódios do ‘mensalão’ e da Petrobras voltem a acontecer. Não acredito que os mais de 500 dias de cadeia, o sofrimento que passou, pela idade, Lula ‘volte a pecar’. Se acontecer de novo é caso de psicopatia e falando em psicopatia, bem deixa pra lá…

Com Bolsonaro, a continuar o orçamento secreto, os desvios serão sempre menores, mas a corrupção continuará existindo.

Ah, mas a esquerda é favorável ao aborto, ideologia de gênero ou outras pautas de costumes, dirão os bolsonaristas mais radicais. Respondo: Nada será aprovado sem aval de deputados e senadores e contra a mobilização do povo, especialmente o bolsonarismo. Se há uma coisa que Bolsonaro deixará de legado é o bolsonarismo, tão radical como o petismo.

Corremos o risco de virar uma Venezuela. Sim, se houver um golpe, seja de direita ou de esquerda, porque o mundo se fecharia para o Brasil. Não vejo condições para golpe de nenhum dos lados.

Para não me alongar e teria muito mais o que falar, vote com consciência. Não seja como o ambicioso que ainda cai no ‘conto do bilhete premiado’. Não pense que haja ‘santos’ entre Bolsonaro e Lula, mas certamente, para o momento, um é melhor, ou, se preferir, menos pior que o outro.

Em 2018 votei mais contra um do que a favor do outro, e apesar dos pesares não me arrependo. Em 2022 vou repetir, votarei mais contra um do que a favor ou outro e tenho convicção que será melhor.

Em que vou votar? Bem, o voto é secreto e não costumo perguntar para ninguém em quem vai votar, assim como não pergunto a nenhuma mulher a sua idade, a não ser quando eu era mais jovem, ‘imbrochável’ (essa é uma das muitas mentiras que alguém pode contar). Ainda sou, mas também não acho legal ficar dizendo isso. Tenho testemunha, que não têm interesse na minha eleição e pode confirmar, sem risco de dar falso testemunho como a primeira-dama, mas também só a ela interessa. 

Foto: Alejandro Zambrana/TSE