O grande mundo de Ronnie Von

Quem quiser entender um pouco mais da música brasileira não pode deixar de ler “O príncipe que podia ser rei”

Um sujeito rico, bonito e galante. De família tradicional. Que se envereda pela carreira artística. Mas não é qualquer carreira. Um roqueiro inspirado nos Beatles. Ídolo da Jovem Guarda. Uma mistura de Mick Jagger, Jay Gatsby e Howard Hughes, como diz a sinopse de “Ronnie Von – o príncipe que podia ser rei”. A biografia dele, assinada pelos jornalistas Antônio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel, revela detalhes da trajetória de Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira. Ou simplesmente Ronnie Von.

E para rei só faltou a coroa. Com sua franja singular batia de frente com Roberto Carlos e outros ídolos da época, dividindo audiência nos programas de TV e na música. Um cantor atraído pelo rock and roll, mas eclético ao ponto de gravar uma balada romântica: “A praça”, de Carlos Imperial. Lançada em 1967, vendeu cinco milhões de LPs. Também apresentador, começou em 1966 com “O pequeno mundo de Ronnie Von” e não parou mais. Até hoje comanda programas de entrevistas sobre diversos assuntos. Na época, o programa dele rivalizava com o “Jovem Guarda”, conduzido por Roberto, Erasmo e Vanderleia. O de Ronnie revelou importantes nomes como “Os Mutantes” e abriu espaço para a MPB.

Quem quiser entender um pouco mais da música brasileira não pode deixar de ler “O príncipe que podia ser rei”. Mas não é só. Riqueza, pobreza, saúde, timidez, conflitos familiares, namoradas, casamentos… o livro apresenta um personagem múltiplo e as vicissitudes do mundo que o rodeia. Como arremata a sinopse: “Ao destrinchar a vida e a carreira de Ronnie Von, herói da época da Jovem Guarda, ídolo da música romântica e da TV, os autores percorreram meio século da cena pop brasileira e criaram um retrato riquíssimo de uma figura marcante do período”.