Vergonha na cara
Do padre Orivaldo Robles:
Atribui-se ao historiador João Capistrano de Abreu (1853-1927) curioso projeto que, transformado em lei, resolveria muitos problemas. Talvez chegasse até a dispensar a Constituição Federal. Dele constariam somente um artigo e um parágrafo. Sua redação seria: “Artigo 1º – Todos os brasileiros ficam obrigados a ter vergonha na cara. Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário”. O assunto me tem voltado à memória com especial insistência nestes conturbados tempos. Acredito que as gerações mais novas não estejam habituadas com a palavra vergonha. Excetuando o jornalista Boris Casoy, que criou famoso bordão para recriminar práticas infames da vida pública, quase ninguém mais a utiliza. Vergonha originou-se da latina “verecundia” que, por sua vez, procedeu do verbo “vereor”. Tem a ver com o respeito, a veneração que se dedica a uma pessoa. Vergonha é o pesar de não ter correspondido à sua confiança ou expectativa. Na íntegra.