Crônica

Sentado na calçada

Do padre Orivaldo Robles:
Não estava de canudo e canequinha nem fazia bolinha de sabão, como cantava a melodia de Orlandivo, que os mais jovens por certo nunca ouviram. Mas estava sentado na calçada. Encostado na parede do restaurante. Não atrapalhava os que iam passando. Ninguém lhe dava atenção. Era como se não existisse. Nem ele se preocupava com os transeuntes. Sua atenção concentrava-se em coisa mais importante. Muito mais importante. Só tinha olhos para a marmita, que alguma alma caridosa lhe comprara. Ou o próprio restaurante, condoído da situação, tinha providenciado para atender o seu pedido. Era hora de almoço. Não é difícil sentir piedade de quem pede o que comer. Desde crianças aprendemos que a ninguém jamais se nega um prato de comida. Dinheiro não, porque nunca se sabe no que vai ser gasto. Ainda mais hoje, tempo de crack, essa droga assassina.Continue lendo ›

Homens que marcam

Do padre Orivaldo Robles:
Sete anos se passaram. Os jornais falam de outro homem de Igreja falecido. Do primeiro Arnaldo Jabor compôs comovida crônica, que ainda me umedece os olhos quando a releio. Tenho coração mole. Choro até em comercial de detergente, já falei. Jabor lembrou que “de mortuis nihil nisi bonum”. Para quem não sabe latim ele traduziu por “não se fala mal de morto”. Tradução exata, porém livre. Professores sempre me exigiram tradução literal. Então, “a respeito dos mortos nada, senão o bem”. Jabor exaltou o falecido de uma forma inesperada, brilhante. Ele maneja as palavras com a facilidade de um menino brincando. O extinto revestia singular carisma. Impossível ocultar o burburinho que causava ao seu redor. Em 2005, Jabor falou de João Paulo 2°. Agora, Carlos Heitor Cony fala do cardeal do Rio, dom Eugênio Sales. Ambos, já parte da História. Seu valor transcende o tempo que passaram entre nós. Extravasaram a notícia, que hoje se comenta, amanhã se esquece.Continue lendo ›

Nossas origens

Do padre Orivaldo Robles:
Em todas as edições o vestibular traz à nossa cidade um bando de jovens num colosso de ônibus de várias procedências. Alguns (ônibus, não estudantes) tornaram-se fregueses de nossas ruas e avenidas. A cada vestibular aparecem de novo. Sinto um prazer infantil em admirá-los. Sua elegante beleza é um convite a viajar para lugares desconhecidos. Lembram meu tempo de criança. Eu nem sonhava com outra forma de viajar que não de ônibus. Naquele tempo eles eram diferentes. No interior em que vivíamos, ônibus era uma gaiola comprida na qual se enfiavam quantos infelizes coubessem. Às vezes, até mais do que cabiam. Levados por centenas de quilômetros, o tempo parecia não ter fim. Conforto, nenhum. Espremidos no meio de sacos de mantimentos, de pacotes, quando não de frango ou de leitãozinho peado, os passageiros suavam como tampa de chaleira. Mães com nenê sofriam o que não sonhavam haver de sofrimento. O ambiente recendia a vestiário de futebol em tarde de dezembro. Só a necessidade fazia embarcar em tal carroção motorizado.
Agora, tudo é diferente. A vida mudou para melhor. Continue lendo ›

Boas novas

Do padre Orivaldo Robles:
A quarta-feira desta semana começou com a promessa de coisas boas. Primeiro, foi-se embora aquele friozinho chato, que nos maltratava a nós, madrugadores da missa das sete, na Catedral. Caminhar pela rua às seis e dez da matina, com um irritante vento sul na cara, não é exatamente o jeito mais agradável de começar o dia. Com frequência me ocorre que bem melhor deve estar lá em cima, dentro do avião das seis, que todos os dias passa sobre nossas cabeças. Nesta quarta, a caminhada ficou mais agradável. Como noutros dias, vesti a jaqueta. Mas só por segurança. Não havia necessidade.
Em casa, na hora do café, o jornal falava da partida do Corinthians pela Taça Libertadores da América, a ser disputada à noite, no Pacaembu, contra o Boca Juniors. Embalava a esperança de um histórico triunfo, que viesse coroar 102 anos de sofrimento e glória. Menos de glória que de sofrimento. Porque, na opinião dos comentaristas esportivos, para o Corinthians tudo é difícil. Continue lendo ›

Crônica por encargo

Do padre Orivaldo Robles:
“Por tradição, a crônica é um gênero jornalístico. Está ligada ao jornal, à revista, à imprensa, seja diária, semanal ou mensal. A crônica é uma atividade sistemática. O Rubem Braga – que todo mundo cita até sem ler e muitos apenas leem sem citar – disse certa vez que a crônica é uma moléstia. Uma moléstia não é gripe, enxaqueca, fratura de tíbia ou tosse comprida. Moléstia é sinusite, tuberculose, gota, bico-de-papagaio. O sujeito acorda e vai dormir com ela. A crônica é isso: a obrigatoriedade do cartão de ponto. Como nenhum jornal aceita cronista que promete mandar matéria quando achar um bom assunto, é mais ou menos compreensível que a crônica, sendo assídua, aproveite os sonhos, o faz-de-conta, a inspiração do cronista. Na televisão – muito mais rara e menos definida – e no rádio a crônica pode ser substituída por imagens e música, sem que as pessoas reclamem e mudem de emissora. Na imprensa, o cronista costuma ser aguardado pelo leitor e tem o ar de ser estimado pelo dono do jornal, sem nem mesmo conhecê-lo pessoalmente. Mas convém ter cuidados: não pode ser enfadonho, prolixo, repetitivo ou professoral. O cronista precisa fingir que faz crônicas por divertimento e que trabalha por não ter o que fazer”.Continue lendo ›

O celeiro

De Donizete Oliveira:
Quando era menino, um dos meus afazeres era dar de comer aos porcos e às galinhas. Todo dia, à tarde, tinha uma tarefa ordenada pelo meu pai: debulhar milho no celeiro. Um barracão que havia no imenso quintal da minha casa. Nunca sabia o que significava aquela palavra, mas acostumei-me com ela. Naquele tempo, a gente fazia as coisas sem questionar. Apesar de não ser tarefa fácil manejar o debulhador. Assim chamava a máquina manual que debulhava as espigas de milho.
Cresci naquela rotina. Todo dia logo depois das 18 horas, rumava para o celeiro. Não sem antes rezar a Ave Maria com o saudoso padre Donizete pela Rádio Aparecida. Meu sobrenome vem daí, tamanha a fé da minha mãe naquele que se transformou numa espécie de santo na pequena Tambaú, no interior paulista. Em casa, nada se fazia sem pedir proteção ao padre Donizete. Deu certo. Até hoje me considero abençoado.Continue lendo ›

Menos, por favor!

Do padre Orivaldo Robles:
Nunca me contagiou o entusiasmo com que pessoas exibem fotos de viagem ou álbum de casamento. Como troféus reunidos para exposição pública. Passeios ou eventos podem ser interessantes para quem lá esteve. Para quem ouve contar, ou tem que ver fotos que não acabam mais, eles se tornam, quase sempre, um aperreio. Mais de uma vez me questionei se pensar assim não seria azedume ou deselegância de minha parte. Vai ver, todo o mundo aprecia. Eu é que sou diferente do resto dos mortais, o único do contra. A infância pobre da roça deixou-me um tanto arredio a práticas com que não fui acostumado.Continue lendo ›

Parece mentira

Do padre Orivaldo Robles:
“Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José (Pepe) Mojica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincón del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo. Pepe recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, fica somente com 1.250 dólares ou 2.538 reais, ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro é distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.
‘Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos’, diz o presidente. Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder. Continue lendo ›

Ainda a vida longa

Do padre Orivaldo Robles:
Antônio Facci, pioneiro de Maringá e escritor, observou que Maringá é diferente de outras cidades de igual porte. Não só pela exuberância da arborização, não só pela pujança de seu comércio, não só pelo número de universidades e cursos superiores, que hoje atraem estudantes do Brasil inteiro e de países vizinhos. Acima de tudo, Maringá é diferente porque, sessenta anos depois de nascida, mantém elevado nível de solidariedade, como acontecia entre os primeiros moradores. As dezenas de obras beneficentes, multiplicadas e visíveis por todos os cantos, refletem a marca de um sofrido começo, quando os habitantes daquela boca de mato cultivavam laços fortes de união, sob pena de sucumbirem às agruras do meio. Não se podia estiolar o espírito de família que os tornava não só unidos, mas responsáveis, um pelo outro, e todos, pela cidade que era sua. Em outros lugares esse calor de vida se perdeu. Não em Maringá. Por uma razão histórica, segundo Facci. Porque Maringá acolheu um homem que lhe ensinou, pelo exemplo de anos seguidos, a abrir o coração para as necessidades do outro: Dom Jaime. Continue lendo ›

Vida longa

Do padre Orivaldo Robles:
“Eu rezo todos os dias para Deus me conservar a vida enquanto eu puder tomar banho sozinho”, me disse, meio rindo, meio sério, um pioneiro de Maringá, ainda bem vivo. Eu admirava sua boa disposição e saúde perfeita. Resistente aos anos, ele venceu os 80 com robustez pouco encontrável em outros até mais jovens. Não perde o sorriso sempre aberto para brindar os muitos conhecidos. À minha observação, deu-me em resposta a tirada que me surpreendeu. Fiquei pensando: onde um homem da roça foi buscar expressão de tanta sabedoria? Sem estudo, fala ingênua, traduziu com perfeição aquilo que, no fundo, é secreta aspiração de todos. Ainda que não ousemos admitir. Porque, pensando bem, que sentido tem a vida para quem é conduzido por mãos alheias, mesmo se eficientes e carinhosas?Continue lendo ›

Pai dispensável

Do padre Orivaldo Robles:
Ao discutir com um matuto mineiro, o cidadão de um Estado famoso por seus numerosos valentões ameaçou: “Saiba que eu venho de uma terra que só tem macho!” Com a fala macia e a paciência de costume, o mineiro respondeu: “Pois no lugar onde eu fui criado, sô, metade do povo é homem e metade é mulher. E a gente gosta. Ninguém nunca reclamou”.
Não vou me referir à marcha para Jesus nem à parada gay do último final de semana em nossa cidade. Aviso antes para evitar interpretação errônea. Pretendo apenas dar um pitaco sobre matéria publicada no O Diário do Norte do Paraná a respeito de mulheres que se tornaram mães sem a presença dos pais de seus filhos (cf. DNP, B8, 13/05/2012). Já preparei o lombo para as bordoadas que vou receber. É a vida. Opinião católica em jornal laico é risco certo de espinafração.Continue lendo ›

O pão da mãe

Do padre Orivaldeo Robles:
Tenho certeza de que não vão acreditar. Dirão que é lorota. Mas aconteceu. Assim, de repente, sem prévio aviso. Vinha eu pela rua, como todos os dias, pelo caminho de sempre, quando me entrou forte pelas narinas um cheiro de pão recém-saído do forno. “Grande coisa“, dirá a meia dúzia dos gentis leitores que, todo sábado, me procura neste espaço. “Seu percurso diário passa por duas panificadoras”. Talvez eu não me tenha explicado direito. Já vai para três anos que percorro as mesmas avenidas e ruas. Conheço todos os seus cheiros. Sei identificá-los muito bem. Não estou falando de nenhum desses. Refiro-me a outro, absolutamente único, que eu não confundiria de jeito nenhum. Já deixei de senti-lo faz uns vinte anos, desde quando as condições de saúde da mãe pioraram e lhe impediram o exercício de uma tarefa que ela executava como ninguém. Não poder mais amassar seu pão foi para ela uma dolorosa prova e para nós, uma perda irreparável.
Perdoem-me os que acreditam conhecer o sabor do pão feito em casa. Não imaginam até onde ele pode chegar. Quem não provou o pão da minha mãe nunca saberá qual o genuíno gosto do pão caseiro. Foi desse pão, é verdade, do pão da mãe, que senti o cheiro, quando eu vinha pela rua. Continue lendo ›

Amor complicado

Do padre Orivaldo Robles:
Li a entrevista da mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Não da original, mãe dos seus filhos, mas de Andressa, 19 anos mais jovem que ele, com quem vive há nove meses. Casariam em 14 de março, aniversário dela, mas nesse dia ele já estava preso. Andressa é linda. Certamente mais do que hoje é a primeira, com quem o contraventor casou no século passado. Que cuida dos filhos e não deve ter sonhado que o casamento acabaria assim. Os filhos vão à escola, ao shopping, conversam com amigos. Certamente escutam coisas horríveis a respeito do pai. É humilhante vê-lo exposto à execração do País inteiro. Em casa, cabe à mãe recompor a esfacelada imagem paterna. O casal é apenas um entre milhões que se separam. Cachoeira pertence ao grupo daqueles homens ricos e bem relacionados que, de repente, se dão conta de que fica mais elegante apresentar-se nas rodas sociais com uma mulher mais jovem e atraente a tiracolo do que a sua. Para esta deixa-se uma boa condição financeira e tudo está resolvido. Numa sociedade em que aparência é tudo, quem faz isso é aplaudido.Continue lendo ›

Nem tudo é verdade

Do padre Orivaldo Robles:
Sócrates (470 a.C.-399 a.C.), filósofo grego, era um pensador cuja sabedoria sobrepujava em muito à dos conterrâneos. Dono de admirável autodomínio, não perdia a serenidade nem mesmo por causa de ofensas que recebesse de forma gratuita. Opondo-se ao sistema de vida dos concidadãos, foi condenado à morte. Aceitou-a sem nenhum protesto. Conta-se que, certa vez, envolvido em debate filosófico com discípulos, recusou-se a atender Xantipa, sua mulher, que o chamava com insistência e em tom cada vez mais alto. Depois de algum tempo, irritada com o descaso do marido, ela se aproximou e, sem que ele notasse, derramou-lhe uma vasilha de água na cabeça. Ele nem se moveu. Todo ensopado, comentou calmamente: “Era natural que, depois da trovoada, caísse uma tempestade”. Continue lendo ›

Pelos caminhos do bem

De José Luiz Boromelo:
Eles chegam alegremente e com as mãozinhas juntas nos fitam nos olhos. Impossível não se encantar com tamanha simplicidade, no momento em que ouvimos um tímido “a sua bênção, tio”. Em resposta recebem o esperado “Deus lhe abençoe” acompanhado de abraços e afagos, motivo para um sorriso cativante e a demonstração espontânea de felicidade estampada no rosto, cientes do dever cumprido. Esse ritual é religiosamente desempenhado pelo trio de irmãos com idades diferentes, mas de comportamento rigorosamente igual quando se põem a cumprimentar os familiares e visitantes.Continue lendo ›

O futuro da Nação

Do padre Orivaldo Robles:
Ou me engano ou tenho memória curta. Parece-me que em anos passados havia menos pedintes em nossas ruas. Hoje encontramo-los por todo o lado. Nos anos 1980, fiz um curso de especialização em país latino-americano ao norte do Brasil. Impressionou-me o número de mendigos. Pensei: “No Brasil não se vê isso”. Hoje, não me arrisco a dizer o mesmo. E todos os indicadores apontam que nosso País melhorou ultimamente.
Uma das causas é, sem dúvida, a desgraça das drogas, que domina parcela considerável da população. Hoje, ela não se restringe às grande cidades. Invadiu todos os espaços. Naquele curso ouvi falar de “drogadictos”, mas não tinha ainda noção exata da calamidade escondida por trás dessa palavra. Em poucos anos assolou-nos uma tragédia que reduz pessoas a farrapos, sem perspectiva de dignidade nem de futuro. Em Maringá, a Igreja Católica oferece pelo menos quatro instituições, mas nem de longe sonha em resolver o problema. Os voluntários do Marev, do Projeto Plantando Vidas, do Recanto Mundo Jovem e da Casa de Nazaré sabem que apenas despejam uma gota d’água num deserto de miséria. É a contribuição católica para nossa comunidade ferida por uma chaga que parece não ter fim.Continue lendo ›

As dores e a Páscoa

Do padre Orivaldo Robles:
Desde 2003 ouço dizer que três dores, se não são as maiores, seguramente estão entre as três mais terríveis que alguém pode experimentar. São a dor do parto, a cólica de rim e a neuralgia do nervo trigêmeo. Uma eu tenho certeza de que jamais sentirei. As outras duas conheço bem e não as desejo ao pior inimigo. A bem da verdade, não tenho inimigo. Eventualmente, alguém me causa irritação, intensa até, não nego, mas passageira. Não por virtude pessoal, mas por bondade de Deus, fui preservado de guardar rancor. Pois nem à pessoa mais irritante eu desejaria uma crise renal ou uma neuralgia do trigêmeo.
Fui contemplado, na semana santa que passou, com manifestações frequentes daquilo que médicos e dentistas conhecem e denominam dor paroxística. E bota paroxismo nisso.Continue lendo ›

Páscoa da ressureição

De José Luiz Boromelo:
A agitação é intensa. Pessoas amontoam-se em filas intermináveis, principalmente nas grandes redes de varejo. As crianças fazem a festa impondo suas vontades, com direito a choro e esperneio. Os pais atônitos, tentando satisfazer os insaciáveis pirralhos na busca pelo tão falado símbolo pascal. E eis que lá estão eles, de cores, tamanhos, sabores, formatos e preços dos mais variados. Há opções para todos os gostos e bolsos. Desde os tradicionais de marca famosa, com recheios refinados que inclui avelã e outras iguarias (muitos deles contendo brinquedos em seu interior) aos mais simples, sem tantos predicados. As cestas também estão com a procura em alta, incluindo diversos itens que variam de ovo a coelho, de urso de pelúcia a arranjos dos mais criativos possíveis. O que vale mesmo é o simbolismo da aquisição, se possível com bastante antecedência, fazendo uma boa escolha e com tempo suficiente para poder comparar preços. E nessa imensidão de ofertas, o produto mais bem apresentado ganha a preferência dos pequenos consumidores, que fazem questão de impor com energia sua irredutível escolha.Continue lendo ›

Uma sociedade mais fria e violenta

De Zé Roberto Balestra, no blog de Joaquim de Paula, ao comentar sobre a prisão de uma mulher que furtava roupas em Paranavaí:
A propósito, há sonegadores tributários, o que me parece um crime de alcance e dano maiores, porque atinge a todos os cidadãos. Entretanto a sociedade aceita que se mantenham no mandato enquanto correm os recursos legais. Pode ser legal, mas não me parece moral. Talvez por isso, ignotos blogleitores, que a nossa sociedade esteja cada vez mais fria e violenta… Leia mais.

Nosso poeta maior

Do padre Orivaldo Robles:
De vez em quando me pego assobiando a melodia de um jingle que só os mais antigos de Maringá conheceram. É uma musiquinha que, há uns cinquenta anos, nossas emissoras de rádio tocavam. A letra dizia: “Motorista inteligente / De todo o Paraná /Confia o motor do seu carro /À Retificadora Maringá”. Levou tempo para eu descobrir que o autor é um amigo muito querido, a quem costumo chamar de poeta maior de Maringá. Muita gente se cansou de ler, sem saber, matérias suas. Usou vários pseudônimos em tempos passados. Hoje, tudo o que produz vem com a inconfundível assinatura de A. A. de Assis. Só os mais íntimos sabem que A. A. abreviam Antônio Augusto.Continue lendo ›

O adeus ao mestre do riso

De José Luiz Boromelo:
A cultura brasileira perdeu mais um de seus legítimos representantes. Foi-se embora aos 80 anos o inesquecível Chico Anysio, humorista, ator, escritor, compositor e criador de centenas de personagens que fizeram a história da televisão no país. Artista completo, crítico refinado, que incorporava com sutileza e perfeição suas criações. Detentor de uma inteligência privilegiada costumava mostrar toda sua competência utilizando-se apenas de um microfone, uma platéia e um palco, local onde se mostrava totalmente à vontade para fazer o que mais gostava: o humor sadio, irreverente e perspicaz, fazendo do espectador um coadjuvante voluntário, transformando o colóquio improvisado numa perfeita interação entre apresentador e público.Continue lendo ›

Thor

De Ruth de Aquino, na revista Época:
Na mitologia, Thor é o deus do trovão, mestre das tempestades. Na vida como ela é, Thor é filho do homem mais rico do Brasil e de uma de nossas musas de Carnaval. Ele tem 20 anos. Na semana passada, deve ter envelhecido. Thor matou na estrada um ciclista, Wanderson Pereira dos Santos, ajudante de caminhoneiro, de 30 anos.Continue lendo ›

Lixo que não é lixo

De Donizete Oliveira:
Revirando meus papéis de escola encontrei uma redação, dos tempos do antigo segundo grau, classificada num concurso sobre reaproveitamento do lixo. O tema era “Lixo que não é lixo”. A participação me deu um prêmio. Uma viagem a Foz do Iguaçu com outros estudantes classificados. Fizemos um passeio divertido pelas cataratas.
Escrevi aquelas linhas na década de 80. Na época, morava e estudava em Apucarana. O então prefeito José Domingos Scarpelini, fervoroso ambientalista, incentivava a separação do lixo.Continue lendo ›

Espécime genuinamente brasileiro

De José Luiz Boromelo:
A fauna brasileira é rica em diversidade de espécies, muitas delas em extinção. Algumas acabam migrando para a área urbana causando transtornos diversos, reproduzindo-se de maneira espantosa. As andorinhas são um exemplo marcante desse desequilíbrio biológico. O jacu é outra praga urbana que se espalhou pelo país afora, e se mostra de difícil combate. Sabe-se que seu controle é praticamente impossível, mesmo com o emprego de técnicas avançadas e alta tecnologia. Animal de fácil localização, sua posição é alardeada naturalmente. O termo torna-se pejorativo para classificar aqueles indivíduos que demonstram ter pouca (ou nenhuma) instrução e de convívio e modos rústicos, sem o necessário traquejo social. O jacu em questão utiliza o veículo de quatro rodas para dar vazão às suas sandices. Continue lendo ›

Ataque por terra e ar…

De Maria Newnum, na Folha de Maringá:
Nesses últimos tempos pode-se afirmar que Maringá é uma ilha cercada de perigos por todos os lados. Engana-se, porém, quem pensa que o perigo está apenas no ar com a instalação da Usina de Incineração de Lixo e suas partículas cancerígenas que flutuará ao gosto do vento e das sandices dos gananciosos por dinheiro. Na íntegra.

A bolsa ou a vida

Era um senhor idoso podre de rico, mas muquirana de não pagar cafezinho para a própria mãe. Trabalhara duro na roça até comprar uma propriedade. Daí para frente, a coisa deslanchou. Conseguiu acumular fortuna considerável. Filhas casadas há tempo, vivia agora com sua velha num confortável casarão de fazenda, cercado de todos os confortos da vida urbana.
Depois dos tantos anos de luta, começou a acusar os sintomas da idade. Com receio de ver reduzido o vultoso patrimônio, recusava-se a consultar um médico. Pouco valia a insistência da mulher e das filhas. Ele se esforçava para disfarçar qualquer sinal de dor. Se aparecia algum desconforto maior, recorria a remédios caseiros. Até que, não suportando mais os reclamos do velho corpo, foi obrigado, um dia, a pedir arrego. Acabou no consultório.Continue lendo ›

A penitência da saúde

Do padre Orivaldo Robles:
Anedota conhecida conta que Jesus Cristo, condoído dos pobres, certo dia, vestiu um jaleco e veio a um posto de saúde do Brasil. Entrou no consultório e disse ao médico: “Pode ir, colega. Vim substituí-lo”. Entrou o primeiro doente, um atropelado. Arrastava-se com o apoio de duas muletas. Jesus falou: “Volte para casa, você está curado”. Ele botou as muletas embaixo do braço e saiu andando normalmente. Na recepção outro doente quis saber: “Como é esse novo médico”? E ele, mal-humorado: “Ah, igual aos outros. Não gastou dois minutos. Não relou a mão em mim, não pediu exame, não receitou remédio nenhum”.
É uma piada, mas mostra a ideia que nosso povo faz do atendimento dado a doentes pobres. Três quartos dos brasileiros têm como única esperança o socorro oficial do SUS. Desiludidos com o que recebem, dirigem sua raiva aos profissionais que veem. Sobre estes desaba a revolta pelo descaso com a saúde em nosso meio. Não apenas nos grotões aonde não chega a mídia. Situações que nos envergonham acontecem até em metrópoles como São Paulo e Rio.Continue lendo ›

Mulher por dentro

De Railda Masson Cardozo
Nós Mulheres com “m” maiúsculo não somos fáceis de sermos distinguidas. Não nos  adequamos a um único gênero, número ou grau, depois da desconstrução e do grito feminino, estamos sendo modeladas cada uma com suas próprias mãos. Desistimos apenas, de contar quantas mulheres há em nós, pois vamos trocando de atitudes da mesma maneira que mudamos três ou quatro vezes de roupa por dia. Perseveramos nas tentativas de mudanças.Continue lendo ›

Uma grande cachorrada

De José Luiz Boromelo:
De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais o Brasil possui aproximadamente 28,8 milhões de cães. Obviamente que esse é um valor estimado, uma vez que os animais registrados não são cadastrados num sistema único de dados, acrescentando-se a esse rol os cães sem raça definida e os que vivem em estado de abandono, perambulando pelas ruas. Ainda segundo essa entidade, nas duas últimas décadas houve um crescimento extraordinário na comercialização de rações e seus complementos, de acessórios e tudo o que se refere aos “pets”, denominação importada de outro idioma, inserida no cotidiano do brasileiro e que faz referência aos animais.
Interessante seria conhecer o método utilizado para quantificar com exatidão a soma encontrada nessa conta altamente fantasiosa. É só sair pelas ruas e sem muito esforço nos deparamos com cães na imensa maioria das residências, algumas com vários deles mostrando toda a precisão de suas privilegiadas cordas vocais, para concluir que o resultado dessa adição é algumas vezes superior daquele divulgado.Continue lendo ›