Ivana Veraldo

Será o fim da letra cursiva (de mão)?

No Brasil, gradativamente há a priorização da letra bastão (de forma) em detrimento da cursiva (de mão). Antes, o aluno era alfabetizado na letra cursiva; hoje, a alfabetização ocorre através da letra bastão, importando mais o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. Alguns Pedagogos lembram que o aprendizado da letra cursiva ainda é fundamental para desenvolver a coordenação motora fina. Em determinados países, como nos EUA, o ensino da letra cursiva (de mão) é opcional e tende a ser banido definitivamente nos próximos anos. Os defensores desta tendência afirmam que hoje as crianças praticamente não necessitam mais escrever as letras com caneta ou lápis no papel. Seria mais importante elas aprenderem a digitar mais rapidamente, já que quase toda a comunicação acontece por meio de letras de forma nos celula res e computadores. Será o fim da letra de mão?

Ivana Veraldo

Gilclér Regina (des)motivará os professores

Gilclér Regina, convidado pela Seduc para ministrar palestras aos professores da rede municipal de Maringá na próxima semana, é considerado por alguns um ‘’show man’’ das palestras motivacionais. Ele é formado em administração com especialização em dinâmica humana e marketing e, à frente da Ceag Desenvolvimento de Talentos, já atendeu grandes clientes. Apresenta o programa “Motivação & Sucesso”, na Rede Novo Tempo de Comunicação. É colunista dominical do jornal O Estado do Paraná e é autor de livros, CDs e vídeos motivacionais. Sua experiência incide sobre o mundo empresarial. É contratado para estimular o aumento da produtividade dos trabalhadores, responsabilizando-os pelo seu sucesso ou fracasso. A Seduc, ao contratar esse tipo de palestra, mostra sua face mais perversa: desresponsabiliza-se pela oferta de melhores condições de trabalho e pela construção da escola de qualidade. A palestra efetivamente desmotivará os professores!

Ivana Veraldo

Filmes para ver nas férias

Para os alunos que estão de férias além de descansar da rotina escolar é possível relaxar e aproveitar para estudar sem esforço. O UOL Educação reuniu dez sugestões de filmes que podem se transformar em boas aulas de história, geografia, inglês e até de relacionamento interpessoal. São eles: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (Bras il, 2006), As Melhores Coisas do Mundo (Brasil, 2009), Diários de Motocicleta (Walter Salles, 2004), Sociedade dos Poetas Mortos (EUA, 1989), Entre os Muros da Escola (França, 2008), A Queda (Alemanha e Itália, 2003), O Segredo dos Seus Olhos (Argentina e Espanha, 2009), Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010), Uma Mente Brilhante (EUA, 2001), Todos os Homens do Presidente (EUA, 1976). Os argumentos para a seleção da UOL estão aqui.

Ivana Veraldo

Ioschpe não é um consenso!

O Rigon chamou a atenção do leitor para um artigo do economista Gustavo Ioschpe publicado na revista Veja no qual defende a idéia da placa com a nota do Ideb nas escolas públicas e que gerou um projeto de Lei do maringaense Edmar Arruda em parceria com Ronaldo Caiado. Não há consenso entre os educadores acerca das idéias de Ioschpe. Pelo contrário, muitos o associam ao pensamento ultraconservador da revista Veja e o criticam violentamente. Há polêmicas sobre a forma como o Ideb é calculado e em torno do clima de competição gerado pela divulgação do Ideb. A proposta de div ulgar o Ideb na porta das escolas também sofre severas críticas. Educadores de renome discordam com fundamento da proposta de Ioschpe de “educação diferente de acordo com a classe social”, alegando que cooperaria para a reprodução da desigualdade social. Enfim, caro leitor, Gustavo Ioschpe não é um consenso!

Ivana Veraldo

Qual modelo de cidade?

A cidade é uma construção complexa! Não só de concreto. Em Maringá acontece com evidência a disputa entre distintos projetos sociais de cidade. Só os menos avisados não percebem. Quando o projeto de cidade segregadora se impõe ao projeto de cidade democrática os espaços públicos são negados ou abandonados. Efeitos: acentua-se a desigualdade social, aumento da violência urbana, da marginalidade, trânsito caótico, queda dos índices educacionais… Como educadora entendo ser fundamental a ampliação dos espaços públicos de cultura, esporte e lazer como complemento do sistema público de ensino para que possamos construir uma cidade mais justa e solidária.

Ivana Veraldo

Maringá sem espaços públicos

Quero enfatizar a panorâmica feita aqui pelo Fábio Moraes sobre o fechamento de alguns “pontos turísticos” de Maringá. Ele destacou o fechamento do Chico Neto, do Teatro Calil Haddad, do Horto Florestal e do Mirante da Catedral. Fez rápida referência ao Cine Teatro Plaza. Poderia ter lembrado do fechamento do Parque do Ingá por mais de dois anos. Vale a pena refletir um pouco mais sobre a questão. No espaço público se efetiva o encontro entre os interesses públicos e os privados, entre o indivíduo e a multidão. Desse encontro, nasce a noção de civilidade. Quanto mais espaço público saudável e democrático existir, maior é a convivência entre os ma is diferentes tipos sociais. O espaço público é indispensável ao exercício da cidadania. O abandono dos espaços públicos, que é o que está ocorrendo em Maringá, é um sintoma da dificuldade da cidade de equacionar as desigualdades sociais. Os processos sociais aqui são resolvidos apenas na “lei do mais forte”, prevalecendo os interesses privados econômicos, aumentando a segregação social. É importante e urgente que se preserve a condição coletiva, democrática e acessível dos espaços públicos, como forma de preservação da civilidade.

Ivana Veraldo

Panela de RU vira banheira

Um aluno da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) usou uma panela do RU (Restaurante Universitário) como banheira “numa manifestação lúdica”. O restaurante não funciona desde o dia 6 de junho por causa de uma greve de funcionários que é apoiada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes). O RU está ocupado por estudantes, como forma de pressão à reitoria. O DCE repudiou a atitude do aluno. A UFSCar emitiu nota informando que vai apurar os fatos. Se a moda pega!

Ivana Veraldo

O pitaco da Maria

O teor do pitaco enviado pela leitora Maria no post sobre o Projeto Mente Inovadora é muito interessante e vale a pena ser retomado. Ela afirma que a Seduc está sem projeto para o ensino fundamental, principalmente em relação aos primeiros anos e, por esse motivo, se apega às “invencionices”. Para ela isso resulta em “crianças que não foram devidamente alfabetizadas, não adquiriram as habilidades básicas de leitura, interpretação e lógica matemática”. Maria também acha que “o aumento dado aos diretores funciona como moeda de troca para abafar os problemas e não permitir questionamentos dos procedimentos adotados pela Seduc”. Conclui Maria que “somente um governo com metas pouco claras e reais para a educação tem esse padrão de gestão”.

Ivana Veraldo

Mente Inovadora (1)

A Empresa MSV Participações e Serviços Ltda representa, no Brasil, a Mind Lab, empresa de Israel que criou o Projeto Mente Inovadora. A MSV divulga e vende o projeto com os kits pedagógicos e treinamentos para os professores. A MSV não está cadastrada na Receita Federal como empresa educacional, mas sim, como comércio atacadista de suprimentos de informática, de livros, jornais e “outras atividades de ensino”. É apenas uma intermediária que vende o produto da Mind Lab e contrata profissionais para ministrar os treinamentos.

Ivana Veraldo

Mente Inovadora (2)

Quais foram os critérios pedagógicos utilizados pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc) para embarcar no canto de sereia de um projeto vendido por uma empresa de Israel, representada no Brasil por outra empresa sem estatuto educacional, com interesses meramente comerciais? Os resultados do Projeto Mente Inovadora devem ser apresentados para os maringaenses, já que o investimento é público.

Ivana Veraldo

A Seduc e o projeto Mente Inovadora

O blog já informou sobre as irregularidades no contrato da Seduc com as empresas Mind Lab e MSV Participações e Serviços Ltda. para a compra de kits educacionais e treinamentos nos valores de R$ 816.5686 e de R$ 501.000,00, respectivamente. Para a Seduc as empresas venderam os kits do projeto Mente Inovadora, que foi implantado em cinco escolas municipais com o objetivo de, segundo seus defensores, desenvolver habilidades por meio de jogos de raciocínio e formar pessoas com mais e melhores recursos internos para resolver  situações/problema. Além das irregularidades já apontadas lanço dúvidas sobre o projeto, que não está focado diretamente nos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas escolares, mas no desenvolvimento de habilidades e competências. Será que o projeto não vira as costas aos saberes necessários?

Ivana Veraldo

O caráter pedagógico da merenda escolar

A merenda escolar de um município não pode ser vista apenas como estratégia de reversão das más condições de vida e saúde da população carente ou como propaganda eleitoral e assistencialismo alimentar. Ela deve ter um caráter pedagógico! Para que a merenda represente um fato pedagógico deverá fazer-se acompanhar de uma política educacional sofisticada: oferta suficiente de vagas para matrícula, infraestrutura escolar, expressivo orçamento destinado à educação, qualificação de professores e de pessoal de escola e sofisticação dos recursos pedagógicos são fundamentais à reversão do fracasso escolar.  A merenda como política pública precisa ser colocada no rol das assessorias às relações de aprendizagem. Em Maringá, segundo Maria Aparecida Ferrarini, Gerente do Setor de Merenda Escolar  da Secretaria de Municipal de Educação, o governo federal repassa R$ 0,30 por aluno por refeição e o município outros R$ 0,30. Representa um fato pedagógico?

Ivana Veraldo

Mais instrução, menos filhos!

Os Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que as mulheres brasileiras com maior escolaridade têm menos filhos e engravidam mais tarde que as que têm menos instrução. As mulheres que possuem maior grau de instrução têm aumentadas as suas perspectivas profissionais e a capacidade de planejar melhor a gravidez. O aumento da escolaridade feminina também tem efeitos positivos sobre a mortalidade infantil e o desempenho de crianças na escola. Os dados devem incentivar os governantes a investir cada vez mais na educação.

Ivana Veraldo

Festas Jun(l)inas nas escolas públicas?

Nessa época são realizadas as festas jun(l)inas, uma das mais importantes manifestações do nosso folclore multicultural. É sabido que muitas escolas públicas realizam essas festas como forma de complementar a sua renda. Assim, nos últimos anos, as tradicionais festas jun(l)inas ganharam outra função, além de divertir pais e alunos e divulgar a cultura brasileira: elas se tornaram uma importante fonte de renda para as escolas públicas. A mobilização tem garantido à essas escolas a compra de objetos como copiadoras, projetores multimídia, computadores, livros e até a construção de salas de aula, em casos mais extremados. A estratégia demonstra a efetiva desresponsabilização do Estado em relação ao sistema público de ensino.

Ivana Veraldo

O Paraná tem meio milhão de analfabetos

??O Paraná vem reduzindo as taxas de analfabetismo, mas ainda tem cerca de meio milhão de analfabetos. Em 1993, a taxa de analfabetismo era de 12,5% da população paranaense com 15 anos ou mais; em 2000, 9,5%; em 2003, 7,8%; em 2009, caiu para 6,5%. Na região sul, o Paraná é o Estado que tem maior proporção de analfabetos na população com 15 anos ou mais. O Programa Paraná Alfabetizado, criado em agosto de 2004 pela Secretaria da Educação, é a estratégia governamental para a superação dessa situação. O maior problema é que depois de considerados alfabetizados muitos jovens e adultos continuam afastados totalmente do mundo letrado, o que os transforma em analfabetos funcionais, com nível de escolaridade inferior a quatro anos de estudo ou na condição de mal saberem ler e interpretar um bilhete. No Paraná temos muito mais que uma Londrina de analfabetos funcionais.

Ivana Veraldo

A educação e a “lógica do mercado”

Ao comentar a morte do ex-ministro Paulo Renato, fiz críticas ao modo como durante a sua gestão as políticas educacionais foram geridas de forma mais consentida à lógica do mercado. Por ter recebido algumas críticas resolvi alongar a conversa. O que é mais importante é dizer que quando o Estado conduz a educação simplesmente pela lógica do mercado revela que a educação deixou de ser um direito social. Conduzir a educação sob a lógica do mercado pode, a princípio, gerar a crença do aumento da empregabilidade. Porém, a empregabilidade depende de um conjunto variado de fatores definidos não somente pela formação educacional da demanda. Quando as políticas educacionais se subordinam exclusivamente à lógica do capital elas cooperam para o au mento da desigualdade social e para a exclusão dos “cidadãos” brasileiros de diversas instâncias da vida social.  É fundamental que a educação seja um mecanismo de possibilite o desenvolvimento e a emancipação do homem, portanto, ela não deve se submeter à lógica excludente e exploradora do capitalismo.

Ivana Veraldo

A morte do ex-ministro da Educação

aulo Renato de Souza, ministro da educação durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, morreu no sábado (25), aos 65 anos, quando sofreu um infarto fulminante. A mídia sensacionalista tratará de recordar seus feitos, obviamente, nessa hora pós morte, atribuindo a todos características positivas. Lembrarão do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). Mas será que falarão que foi na sua gestão que a educação brasileira se subordinou, de forma mais consentida, à lógica do mercado e aos ditames dos organismos internacionais? Será que lembrarão que o técnico Paulo Renato conduziu a sua pasta a partir da cartilha do credo neoliberal, cujo núcleo central é a idéia do livre mercado e da privatização? Será que mostrarão como o Ministério da Educação, naquele período, instituiu os mecanismos de avaliação sob a lógica do mercado? Certamente não será assim que o ex-ministro será lembrado. Mas, nós educadores, não podemos esquecer essas marcas indeléveis.

Ivana Veraldo

Ainda sobre o ex-ministro da educação

Foi na gestão de Paulo Renato de Souza que foi aprovada a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e as Diretrizes Curriculares Nacionais. Houve uma priorização do ensino fundamental, mas os demais graus de ensino e questões estratégicas importantes ficaram de lado. Pontos negativos e polêmicos de sua gestão: precarização da formação de professores (formando um professor “técnico e não-reflexivo”); nenhuma discussão sobre piso e carreiras nacional; paralização dos investimentos no ensino superior público federal e facilitação da expansão do ensino superior particular; nenhum investimento no ensino infantil.

Ivana Veraldo

A Alfabetização Financeira é moda!

O Rigon fez um post divulgando uma oficina de Alfabetização Financeira. Não é a primeira vez que Maringá acolhe esse tema em eventos, a UEM já tomara a iniciativa antes. Trata-se de uma tendência nacional. Em 2010 o governo brasileiro emitiu um decreto, n. 7.397, de 22.12, instituindo a Estratégia Nacional de Educação Financeira, reconhecendo-a como ferramenta necessária para a inclusão social, melhoria da vida do cidadão e promoção da estabilidade e eficiência do sistema financeiro do país. O governo chegou a  propor a inclusão da Educação Financeira como tema transversal a ser trabalhado nas escolas. Os argumentos para tal proposta são variados: a nova realidade econômica do Brasil após a globalização; propagação do consumismo; responsabilização dos indivíduos acerca da segurança financeira; expansão e popularização do crédito; aumento dos golpes financeiros… De qualquer forma, vale ressaltar que não se trata de uma orientação anticonsumista e sim de aprender a consumir racionalmente. O Capitalismo, na sua fase financeira, precisa educar os indivíduos para garantir a sua reprodução. Os menos avisados podem pensar que é uma proposta novidadeira. É o velho vestido de novo!

Ivana Veraldo

Trem de passageiros e educação

Finalmente foi  concluído  o projeto de viabilidade do trem de passageiros entre Maringá e Londrina. Na verdade o trajeto completo será de Paiçandu a Ibiporã. Obviamente, até que a ferrovia torne-se uma realidade falta muito tempo. Muitos benefícios serão obtidos para o ensino superior de Maringá: aumentarão as oportunidades de acesso e frequência; o transporte dos alunos será mais seguro; diminuirá o custo do transporte; os alunos que fizerem o percurso ficarão menos distraídos, terão menor desgaste físico, melhorando seu desempenho escolar.  Poderia ser implantado o passe estudantil ferroviário de nível superior, subsidiado pelo Estado e pelas prefeituras da região. Enfim, muitas vantagens sobrevirão da implantação do trem de passageiros entre esses dois pólos urbanos.

Ivana Veraldo

Adoecimento dos professores municipais

Não é só em Maringá que o adoecimento afasta os profissionais da sala de aula. O problema se repete pelo país e faz com que as doenças de quem leciona torne enfermo todo o sistema de ensino. O tema vem despertando a atenção de pesquisadores e não pode ser negligenciado. As soluções passam pela prevenção e pelo efetivo tratamento, tais como: mudança no modelo de gestão, capacitação dos professores, melhor organização do tempo, trabalho em equipe, melhora do relacionamento com os alunos, da infraestrutura, reformulação do currículo e valorização social da categoria. Seja qual for a solução terá que ser tomada em rede, já que não é somente o professor que está doente, mas  também o sistema educacional, quiçá o social.

Ivana Veraldo

As charter schools chegam ao Brasil

As Escolas Charter são geridas por entidades privadas e financiadas pelo sistema público. Nos EUA o modelo tem crescido exponencialmente e o Brasil prontamente copia o modelo (ver experiência em Pernambuco na rede estadual). Em Maringá, entre os anos de 1991 e 1992, ocorreu uma experiência similar de parceria entre o público e o privado, foram as Escolas Cooperativas, experimento das administrações das escolas da rede pública urbana do Município de Maringá (PR). Tal iniciativa ocorreu na gestão do ex-prefeito Ricardo Barros. Neste período, empresas privadas assumiram o comando das escolas públicas e o município as remunerava pagando um valor per capita multiplicado pela quantidade de alunos matriculados em cada escola. O sistema estimulava a competição entre as escolas e desresponsabilizava a iniciativa pública, ou seja, era um empurrão à privatização da educação. Será que as escolas charter reeditarão as escolas cooperativas, mudando apenas a nomenclatura? Conforme dizia Brecht, seria o velho vestido de novo?

Ivana Veraldo

Por que os professores municipais adoecem tanto?

Maringá conta com 1.608 professores na sua rede. Em maio foram apresentados 1.020 atestados médicos à Secretaria de Educação. A maioria dos atestados de professores é por depressão. Qual a razão do percentual tão alto de adoecimento dessa categoria em Maringá? Seria a sobrecarga de trabalho? Em geral duas jornadas para complementar a renda familiar. A falta de estrutura? Os baixos salários? A falta de plano de carreira? A desvalorização dos profissionais? A  inexistência da hora atividade? Salas superlotadas? Falta de material didático? Violência escolar? O “mudancismo” nas propostas, causando insegurança? Não gosto muito dos estrangeirismos mas devo contar que esse mal estar vem sendo chamado de burn out, esgotamento emocional dos docentes.  É urgente que o município adote um programa de promoção à saúde do professor e melhore as condições de trabalho dessa categoria, caso contrário o adoecimento se transformará numa epidemia.

Ivana Veraldo

Professores de seis estados estão em greve

Professores e servidores da educação básica estão em greve em seis estados do Brasil: Rio de Janeiro, Amapá, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Os professores pedem reajustes salariais e a implementação do piso nacional. A lei do piso foi promulgada pelo governo federal em julho de 2008. O valor atual é de R$ 1.187 (válido desde janeiro) para professores com formação de nível médio que trabalham até 40 horas por semana. A obrigatoriedade do piso não leva em conta acréscimos pagos de formas diversas pelos estados, como gratificações e abonos. Em oito estados – Amapá, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Goiás, Pará e Rio Grande do Sul – o salário está abaixo do piso nacional estabelecido pelo Ministério da Educação.

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Professor tira as calças no Mato Grosso

Amorim Nusa, professor  da Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá (MT), tirou a calça em assembleia na última quinta-feira diante de 2 mil colegas para protestar contra os salários baixos. A greve da categoria teve início no último dia 6 quando o governo recusou-se a adotar imediatamente o piso de R$ 1.312, exigido pelos docentes. Segundo o Sintep (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público do Estado), a intenção de Nusa foi mostrar que os docentes estão com as calças na mão.

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Ainda sobre o PME

É importante que as cidades tenham suas políticas educacionais definidas e continuadas, independentemente dos gestores. Por isso a necessidade de um Plano Municipal de Educação (PME). O Plano é uma das ferramentas mais importantes para promover uma reforma democrática na educação. É preciso que cada gestão defina qual o caminho e prioridades a serem seguidas a partir de critérios pré- estabelecidos no PME; boa ferramenta para impedir que se faça política com a educação. A elaboração do PME deverá contar com ampla participação dos segme ntos educacionais e da sociedade civil, através de audiências públicas e aprovação na Assembleia Legislativa. O PME deve ser elaborado após a ampla discussão dos dados relativos à educação em Maringá. Quem vai elaborar esse diagnóstico? Esse é o primeiro passo a ser adotado pela Seduc e pelo Conselho Municipal de Educação: elaborar um criterioso diagnóstico da educação maringaense, para subsidiar a elaboração do Plano Decenal da Educação Municipal.

Ivana Veraldo

Maringá não tem um Plano Municipal de Educação

Insisto em fazer essa denúncia. Aliás, muitos municípios brasileiros não têm um PME, não apresentando um conjunto de metas educacionais a serem cumpridas pelo poder público. Os planos municipais são essenciais para efetivar e acompanhar as políticas da administração pública. Eles devem ser elaborados com a colaboração da sociedade. A falta de um PME causa a descontinuidade dos projetos a médio e longo prazo, pois, sem metas bem definidas, cada troca de governo rompe com o projeto do mandato anterior. As políticas educacionais devem ser de Estado e não de uma gestão, por esse motivo, os planos são decenais. Educação não pode ser objeto de disputa, de eleição. O planejamento é fundamental para a concretização do correto financiamento da educação nas esferas federais e estaduais. Edith Dias deve, urgentemente, convocar o Conselho Municipal de Educação e os demais interessados e organizar as condições para a elaboração democrática desse documento balizador da educação municipal.

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Declínio da educação familiar, ascensão da educação escolar

As famílias mudaram e as funções tradicionais de seus integrantes também sofreram alterações. Vigoram o individualismo, o consumismo, a busca da juventude permanente e da felicidade imediata. Esses fatores influenciam a configuração das novas famílias, aumentando os vínculos com o mundo do trabalho. A responsabilidade da educação dos filhos é transferida cada vez mais para a escola. Criança passa a ser sinônimo de aluno. A educação escolar também se transforma para se adaptar a esse novo cenário. Outras instituições aparecem para compor parcerias (o Conselho Tutelar, os juízes da Infância e Juventude), mas, de fato, a escola não tem condições de assumir integralmente todas as funções que a família exercia. Os profissionais da educação enfrentam diariamente os dilemas resultantes desse angustiante cenário.

Ivana Veraldo

Educação para o trânsito 2

Em post anterior informei que a Seduc, a partir do segundo semestre, implementará nas escolas municipais de Maringá o projeto “educação para o trânsito”.  Preocupa-me a inserção de muitos projetos no interior da escola com o intuito de resolver problemas candentes da sociedade. Há inúmeros exemplos: educação fiscal, coleta seletiva do lixo, educação sexual… E muitos outros. O problema é que muitas escolas se tornam atraentes pelos variados projetos que desenvolvem, e fazem isso em detrimento dos conteúdos curriculares. Não sou contra a educação para o trânsito, afinal esse é um grande problema da nossa e de muitas cidades, mas é preciso cuidado pedagógico dos dirigentes da educação no sentido de não abraçar demasiadamente os temas transversais e comprometer o calendário escolar regular.

Ivana Veraldo