Ivana Veraldo

Educação para o Trânsito nas escolas municipais

A partir do segundo semestre a “educação para o trânsito” começará a ser abordada nas escolas municipais de Maringá. O projeto é da Secretaria de Transportes (Setran) e foi acatado pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc). Uma empresa privada será contratada para ministrar as aulas. O tema não será tratado em uma disciplina curricular, mas sim como um “Tema Transversal”. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB-1997) previa esse tipo de ação. Os Parâmetros Curriiculares Nacionais (PCNs – também de 1997) definiram cinco t emas transversais: ética, pluralidade cultural, meio ambiente, orientação sexual e saúde. O trânsito foi sugerido pelo MEC como “tema local”, a ser trabalhado se houver necessidade de acordo com a realidade local. Suponho que a Secretária de Educação tenha aceitado o projeto da Setran após análise da sua pertinência bem como da sua adaptabilidade à rotina pedagógica das escolas.

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Cotas para homens?

Um disparate! Como há efetivamente mais mulheres do que homens nas universidades americanas surgiram defensores das cotas para homens, um recurso a ser usado para manter a paridade entre os sexos nos campi.

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Um projeto para a educação de Maringá

Será que a nova gestão da Seduc tem um projeto para a educação maringaense. A cidade precisa urgentemente da definição de um Plano Municipal de Educação (PME) que seja integrado ao Plano Estadual de Educação (PEE), ao Plano Nacional de Educação (PNE), à realidade, à vocação e às políticas públicas do município. Algumas metas não podem ser esquecidas: elevação global do nível de escolaridade da população; erradicação do analfabetismo; melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; valorização dos profissionais da educação e democratização da gestão do ensino p úblico. O Plano deve transcender a perspectiva de uma gestão e ser decenal. Embora o Município não tenha responsabilidade de oferta da educação superior e profissional o PME precisa definir políticas e estratégias nestas áreas.

Ivana Veraldo

Um projeto para a educação de Maringá (2)

Quanto às creches o PME deve responder a questões como: em tempo parcial ou integral? A partir de que idade e com prioridade para que tipo de clientela? Com que tipo de proposta ou de serviços? Financiada por recursos de que áreas? Com que tipo de profissionais? Quanto às Pré-escolas: funcionam em prédios próprios ou acoplados com escolas de ensino fundamental? Somente na zona urbana ou também na zona rural? Para que clientelas preferenciais? Concorrendo diretamente com as “escolinhas” particulares? Quanto ao ensino fundamental: em série ou em ciclos? Com que carga horária? Implantação do tempo integral a partir de que clientela? Aumenta-se o atendimento de matrículas na rede municipal ou não? Em que ritmo? Com que proposta de organização, na zona urbana e rural? Com ou sem oferta de transporte escolar? Com que tipo de profissionais? Quanto ao ensino fundamental para jovens e adultos: exames, ensino supletivo semipresencial, ensino fundamental regular noturno? Ou outra modalidade de oferta? A oferta far-se-á em prédios próprios, ou em prédios estaduais e de entidades comunitárias? Essas são algumas questões a serem respondidas pela nova gestão da Seduc caso tenha a intenção de estabelecer as prioridades para a educação municipal.

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Fim da polêmica no IEM sobre a entrada dos alunos

A diretora do Instituto de Educação de Maringá (IEM) havia proibido a entrada dos alunos que chegavam atrasados às aulas. No último dia 26, após reunião entre a diretoria do colégio, o Conselho Tutelar, o Núcleo Regional de Educação e as Promotorias da Educação e da Criança e da Juventude, o IEM recuou na decisão e agora os alunos já podem entrar na escola, sen do que os atrasos serão checados caso a caso pela diretoria. Na contenda, o Conselho Tutelar tomou posicionamento contrário às decisões do colégio, e chegou a ingressar com duas representações no Ministério Público Estadual. A Secretaria de Estado da Educação também discordou do encaminhamento da escola, afirmando que é direito do aluno permanecer na instituição de ensino, mesmo em casos de atrasos, evitando, assim, uma situação de vulnerabilidade ante os perigos que rondam a escola. Neste caso, o estabelecimento de ensino deverá receber o aluno e comunicar aos pais ou responsáveis sobre o atraso. O saldo de toda essa polêmica foi extremamente positivo. Os atrasos diários que ocorriam no colégio diminuíram. A comunidade se envolveu no debate. É muito importante que a escola esteja preocupada com os atrasos, mesmo que não tenha tomado as medidas ma is recomendadas. Os atrasos interferem sim no desenvolvimento das rotinas pedagógicas. A escola precisa de planejamento para formar seus alunos e prepará-los para a vida em sociedade, regulada por direitos e deveres. Deveres e direitos se entrelaçam na superação das práticas individuais e produzem sujeitos coletivos. O fato é que os atrasos de poucos atrapalhavam os muitos.

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Sala de aula brasileira é mais indisciplinada

As salas de aula brasileiras são mais indisciplinadas do que a média de outros países avaliados em um estudo do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês). O estudo, com alunos na faixa dos 15 anos, foi feito com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e aponta que, no Brasil, 67% dos alunos entrevistados disseram que seus professores “nunca ou quase nunca” têm de esperar um longo período até que a classe se acalme para dar prosseguimento à aula. Os países asiáticos são os mais bem colocados no estudo: no Japão, no Cazaquistão, em Xangai (China) e em Hong Kong, entre 93% e 89% dos alunos disseram que as classes costumam se r disciplinadas. De fato, a bagunça em sala de aula tem efeito direto sobre o rendimento dos estudantes.

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Cancelamento do kit contra homofobia

O governo suspendeu a produção do kit contendo vídeos e cartilhas contra a homofobia. O anúncio veio após reunião com deputados das bancadas católica e evangélica que ameaçaram apoiar a convocação de Palocci para explicar o crescimento da sua fortuna no Congresso, caso o governo não impedisse que a cartilha chegasse às escolas. Além disso, os parlamentares ameaçaram abrir uma CPI para investigar a contratação de ONGs pelo MEC para produção do material. Segundo o ministro Gilberto Carvalho, a presidente Dilma Rousseff considerou o material “inadequado” e, por isso, resolveu suspender a produção. O governo pretende se reunir com a Comissão de Educação e Cultura e com as bancadas católica e evangélica para elaborar um novo kit. Parece que o governo está recuando no combate à homofobia e está com receio das repercussões do depoimento de Palocci.

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Edith Dias e as câmeras de vídeo nas escolas

Edith Dias, recentemente designada secretária municipal de Educação, afirmou em entrevista na Globo local que independentemente do projeto de lei apresentado pelo vereador Zebrão (PP) ela já previa a instalação de câmeras de vídeo nos estabelecimentos de ensino da rede municipal . No último dia 17 a câmara de vereadores aprovou o projeto de lei n. 11957/2011. O projeto deverá ser aprovado pelo prefeito. A medida demonstra a falta de preparo dos dirigentes da educação municipal de Maringá no trato da questão da violência escolar. Instituições internacionais e nacionais que estudam sistematicamente esse fenômeno indicam como solução ideal para o problema as medidas preventivas na escola e no seu entorno. Os educadores apontam também soluções macro estruturais como oferta de uma educação de melhor qualidade, mais empregos, melhores serviços de saúde, mais opções de lazer e espaços alternativos para interação social etc. Enquanto isso, Edith Dias demonstra que suas ações serão imediatistas e não educativas como deveríamos esperar de uma competente Secretária de Educação.

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Politização do cargo de secretária da Educação

Qual foi o critério para a escolha de Edith Dias para a secretaria municipal de Educação? Seria sua competência profissional na área edu­cacional ou simplesmente o tradicional revezamento dos cargos executivos disponíveis no município para os filiados partidários do prefeito? Parece que mais uma vez o critério político predominou. Agora a nova secretária terá que lidar, com competência e ética, com o financiamento da educação municipal, com o desenvolvimento de um projeto político-pedagógico com envergadura suficiente para produzir um Plano Municipal de Educação e, principalmente com as demandas dos profissionais da educação, tais como plano de carreira, salários… Para um bom desempenho é preciso que Edith se capacite, pois o apresentado até agora na sua trajetória político-profissional não a habilita a enfrentar com idoneidade e autoridade os desafios que virão.

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Edith Dias na Seduc

Confirmado! Edith Dias é a nova secretária municipal de Educação. Já que é inevitável, anseio que ela lute pela qualidade da educação e pela universalização do ensino e que não conduza suas ações baseada em interesses burocráticos, partidários ou privatistas. Apesar da sua trajetória como vereadora se contrapor ao perfil desejado e esperado para uma secretária municipal de educação, espero realmente que ela consiga aliar competência técnica e compromisso político. No passado ela foi julgada por apropriar-se de parte do salário de uma ex-assessora, quando foi condenada a quatro anos de prisão (pena transformada em prestação de serviços comunitários) e à perda do mandato no Legislativo. Que esse modus operandi não se repita na Seduc.

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Sedução e sensualidade…

…foi o tema de ontem no Café Cultural realizado na Casa de Bamba, com apresentação da professora de artes sensuais Helena Mondego. Não gostei! Aparentemente moderno, ousado e transgressor, o discurso sobre o poder da sedução foi extremamente conservador e colocava a mulher no papel de objeto sexual. Helena reforçou o individualismo ao afirmar que o sucesso depende exclusivamente de cada um, do seu poder de sedução. Caso fracasse, a culpa é do indivíduo que não teve autoestima e força de vontade suficiente para conquistar. Em Maringá, as estatísticas mostram que há mais mulheres do que homens. Sendo assim, mesmo que as mulheres se munam de todas armas de sedução algumas ficarão sem homens. Como explicar a elas isso? Do ponto de vista apresentado pela professora ontem essas mu lheres podem se matar, pois fracassaram. Não há explicações sociais, históricas, culturais. Além disso, faltou mostrar o quanto o mercado influencia o conceito do que é sensual, e cobra bem caro por isso. Enfim, a palestra foi muito ruim. A Maria Newman tentou salvar no final, mas…

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Gargalos na educação de Maringá

A educação infantil e o ensino médio são os dois gargalos da educação de Maringá. Justamente na  entrada e na saída da educação básica é que se encontram os maiores problemas de acesso e permanência na escola. Das cerca de 21.000 crianças de 0 a 5 anos, apenas 8.000 frequentam creches e educação infantil. Dos 30.000 indivíduos que se encontram na faixa de 15 a 19 anos apenas 10.500 estão matriculados no ensino médio.

Ivana Veraldo

Edith Dias, secretária municipal de Educação?

Caso Edith Dias assuma de fato a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) estaremos bem distantes do almejado perfil traçado pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) para esse cargo. Segundo a pesquisa realizada pela Undime um secretário municipal de educação jamais deveria efetivar políticas marcadas por interesses burocráticos, partidários ou privatistas; ele deve ser um gestor formulador de políticas pautadas na qualidade da educação e na universalização do ensino. A trajetória política da ex-vereador a Edith Dias caminha na contramão desse perfil. No passado foi acusada de nepotismo; foi também julgada por apropriar-se de parte do salário de uma ex-assessora, quando foi condenada a quatro anos de prisão (pena transformada em prestação de serviços comunitários) e à perda do mandato no Legislativo. Alguns poderão apelar para a sua experiência como diretora de escola, mas Edith está afastada das questões escolaresháa muito tempo e a roda da educação não para. Para ser um bom gestor educacional não basta ser “político”, como também não basta ser um técnico educacional. Competência técnica e compromisso político, segundo Demerval Saviani, são indissociáveis na seara educacional.

Ivana Veraldo

Polêmicas sobre as novas diretrizes do ensino médio

Mudam as regras de organização do ensino médio, mas a metodologia de entrada no ensino superior, cobrando conteúdos disciplinares, continuará a mesma? As escolas localizadas em regiões mais vulneráveis terão recursos físicos e humanos para efetivar as mudanças? Parece que a proposta do Conselho Nacional de Educação (CNE) é integrar as escolas às demandas do mercado de trabalho, acentuando o caráter terminativo do ensino médio, e não seu caráter preparatório para o ensino superior. Se somarmos essa reformulação à implantação do Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec), proposto pelo MEC recentemente, percebemos a ênfase no caráter terminativo. Penso que as novas diretrizes não vão solucionar os problemas cr?nicos dessa etapa da educação básica brasileira. Não resolverão a questão da evasão, por exemplo. Nenhuma ação específica soluciona um problema de grande complexidade. Parece, inclusive, que apenas reeditam, sob nova roupagem, a velha escola dual: a escola dos pobres, de caráter terminativo no ensino médio, preparando mão de obra para o mercado de trabalho; e a escola dos ricos, de caráter preparatório para o ensino superior.

Ivana Veraldo

Novas diretrizes para o ensino médio

O ensino médio tem os piores indicadores de aprendizado e conclusão da educação brasileira. As últimas mudanças aconteceram em 1998. No último dia 4, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretr izes curriculares para o ensino médio. Mudanças previstas: organização por semestres ou por ciclos; maior flexibilização do currículo; oportunidade de ampliação da carga horária do ensino médio para além dos atuais três anos; currículo com 20% d e horas-aula dedicadas a disciplinas livres, que podem ir desde aulas extras de matemática ou português, até teatro, música, artes ou esportes. As novas diretrizes indicam que a escola deve trabalhar a formação a partir de quatro eixos básicos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. As escolas terão liberdade para montar sua grade curricular com ênfase em uma dessas áreas. Objetiva- se maior autonomia às escolas para que possam atender às necessidades de cada público e às diversidades regionais. As recomendações não tem força de lei, mas servem de orientação para a organização de escolas públicas e particulares de todo o país.

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Um marco histórico

A decisão tomada ontem representa um marco histórico! Na prática, viabiliza para os homossexuais direitos como pensão, herança e adoção. A decisão do STF não é equivalente a uma lei sobre o assunto. O artigo 1.723 do Código Civil estabelece a união estável heterossexual como entidade familiar. O que o Supremo fez foi estender este reconhecimento a casais gays. O IBGE confirma que existem mais de 60 mil casais de pessoas do mesmo sexo vivendo juntos. Portanto, a união homoafetiva é uma realidade que precisa ser regulamentada. Que sejam bem vindas  as novas configurações familiares!

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O filósofo Antero Rocha completa 60 anos!

Nosso querido Antero comemora seis décadas, espalhando sua simpatia e sua peculiar filosofia de vida. Quem convive com a figura conhece sua  longa trajetória, sempre lidando com o público e com o mundo da política. Sabem do seu apurado gosto musical, da sua meiguice no trato com as coisas humanas, da fraternidade com os amigos e do amor pela família. Não posso esquecer, também, de enaltecer  o quanto ele é bom na arte de imitar. Imita políticos, bandidos, amigos, e pode imitar qualquer um, basta dar motivo. Ah! E, às vezes, sua língua é bem afiada ao tratar da política local. Já demos boas risadas, cantamos, bebemos, comemos e tomamos muito café juntos. Ainda não dançamos, não choramos, não fizemos música e nem poesia. Portanto, Antero, viva mais 60 anos, para dar tempo de fazermos tudo isso e que eu possa continuar ouvindo suas “filosofices”.

Ivana Veraldo

Apostilas na educação infantil?

O uso de apostilas já é polêmico no ensino fundamental e médio, que dirá se for direcionado para o ensino infantil, crianças entre 4 e 5 anos. Pesquisa feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que vem aumentando o número de municípios que adotam esse modelo nas escolas privadas e públicas. No ensino apostilado, as aulas são padronizadas, assim como os temas e as atividades pedagógicas. A orientação do MEC é contrária a adoção de apostilas. Para o MEC, até os 5 anos devem ser priorizadas as brincadeiras, adiando a entrada do aluno em um ensino mais sistematizado e com maiores regras e cobranças. Temo que na fa se em que as crianças precisam de estímulos diversos, com brincadeiras e atividades lúdicas, as aulas fiquem limitadas às atividades propostas nos cadernos, o que restringiria a criatividade e a experimentação dos pequenos. Temo também, pelo fato de que a adoção das apostilas esconda o despreparo dos educadores em lidar com a educação infantil. E, por último, temo que as escolas públicas sejam invadidas pelo comércio privado de apostilas com conteúdo aligeirado.

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Senado aprova mudanças na educação básica

O Senado aprovou ontem dois projetos que modificam a educação básica do país. O primeiro amplia de 800 para 960 horas a carga horária mínima do ensino básico (fundamental e médio). O segundo aumenta a frequência mínima dos alunos exigida para aprovação no ensino básico dos atuais 75% para 80% no ano. Os dois projetos foram aprovados em caráter terminativo e seguem diretamente para análise da Câmara dos deputados. O projeto que amplia a carga horária aumenta os conteúdos trabalhados em sala de aula com maior tempo dos alunos nas escolas por ano. O argumento usado para a defesa do projeto é o de que há correlação positiva desse fen?me no com o rendimento dos alunos. É a forma encontrada pelo governo de criar gradualmente o ensino integral, acrescentando uma hora à jornada diária atual. Penso que os dois projetos não garantem melhoria da qualidade da educação ofertada e nem garantem a presença do aluno. São remendos. O MEC não apresentou, até hoje, um projeto pedagógico para a escola de tempo integral e não há um planejamento para a sua implementação, prevendo recursos humanos e infraestrutura adequada. Sem projeto consistente, medidas aleatórias e inconsistentes vão sendo tomadas, sem grandes resultados.

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Ainda o kit contra a homofobia

O MEC direcionará o projeto contra homofobia somente para o Ensino Médio e o vinculará à formação dos professores que obterão sustentação pedagógica para a sua aplicação. O ponto de partida para o projeto foi uma pesquisa realizada em 2008 sobre preconceito, discriminação e bullying, feita em 501 escolas de diferentes regiões, com quase 20 mil atores. Foi comprovado que o grau de homofobia é altíssimo. O MEC entendeu que era preciso desenvolver ações para assegurar o direito à educação de todas as pessoas. O material didático trabalha com a ideia de respeito à diversidade sexual e ajuda a entender que a escola precisa respeitar os direitos humanos dos LGBT. A sociedade precisa ser educada para respeitar os direitos humanos. A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Clara Goldman, também desconstrói a alegação de que o kit exerceria influência na orientação sexual dos adolescentes. Segundo Goldman “o argumento esconde um princípio de que essa sexualidade é ruim e tem que ser combatida e evitada. Essa é a base do pensamento homofóbico. O kit não orienta, não estimula, mas problematiza. Coloca no seu devido lugar a discussão que deve ser feita. O objetivo é que as pessoas LGBT possam ser respeitadas e que caibam na nossa sociedade”.

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Paulo Coelho em queda

Moacyr Scliar afirmou, pouco antes de morrer, em fevereiro deste ano, que “Paulo Coelho não faz literatura brasileira  e  vende muito livro porque se rebaixa e vai atrás do gosto médio de seu público, mero consumidor de autoajuda, esoterismo, superstições e magia”. A rejeição intelectual à obra do mago, inclusive na própria ABL (Academia Brasileira de Letras), da qual Coelho faz parte, é evidente. Coelho já foi “o escritor brasileiro mais lido no exterior”, mas hoje não é mais um fenômeno comercial imbatível. Sempre foi um grande marqueteiro, mas dificilmente será respeitado por seus colegas de ABL ou por estudiosos da literatura nas universidades. A  queda nas vendas mostra que a moda Paulo Coelho está com os dias contados. Felizmente!

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Kit anti-homofobia do MEC causa polêmica

O material vem sendo chamado pelos conservadores de “Kit Gay”. Criado com o objetivo de promover os direitos humanos da população LGBT no ambiente escolar, está sendo acusado de ser inapropriado por supostamente incentivar a homossexualidade entre as/os estudantes. A reação contra a distribuição do kit é catalizada pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O material foi produzido através de um convênio firmado entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos). Será distribuído nas escolas públicas em todo o país através do programa Mais Educação. A entrega do kit nas escolas públicas do Brasil foi aprovada pela Unesco. O vídeo Encontrando Bianca, versão masculina do Kit Escola Sem Homofobia, está aqui e a versão feminina, intitulado Torpedo, está aqui.
Os vídeos são complementares às cartilhas e boletins que fazem a abordagem do universo de adolescentes homossexuais. Assistam e participem da polêmica.

Ivana Veraldo

Separar meninos e meninas nas escolas?

Algumas escolas estão optando por separar os meninos das meninas, sob a alegação de que eles precisam de um aprendizado diferenciado, pois seu amadurecimento seria diferente. No Brasil, há apenas quatro escolas nesse formato (duas em Curitiba). No resto do mundo o número de escolas “single-sex” gira em torno de 210 mil, em 70 países. Os defensores do método afirmam que a separação de meninos e meninas durante a primeira parte da educação tem impacto nos resultados acadêmicos. A proposta de separação é controversa. A escola não tem função apenas acadêmica, há outros processos de aprendizagem que se dão dentro do espaço e scolar, por exemplo, a socialização. Os neurocientistas afirmam que não há diferenças neurológicas que justifiquem a separação. Para melhorar o desempenho acadêmico muitas medidas podem ser tomadas: melhoria da qualidade do ensino  ofertado; melhores condições de trabalho para os profissionais da educação; melhores salários; plano de carreira; bibliotecas, etc. Como as condições mínimas não estão resolvidas, estão encontrando pelo em casca de ovo. Ao invés de impulsionar o carro da história para frente, freia-se, recriando problemas do passado.

Ivana Veraldo

Sou do tempo da “Família Waltons”!

No Brasil, a série foi exibida pela Rede Globo nos anos 70. Retratava a vida de uma família no meio rural da Virginia na época da Grande Depressão após a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). John e Olivia Walton, seus sete filhos e os avós paternos, viviam juntos na área rural e administravam uma pequena madeireira. A situação econômica da família era precária, mas, isso era encarado com bom humor e valores morais conservadores. A história da família era contada sob o ponto de vista de John Boy, o filho mais velho que aspirava tornar-se jornalista e novelista. A mais famosa cena era aquela que aparecia no final de todos os episódios: a casa da família era mostrada com as luzes apagadas durante o anoitecer, menos uma janela no andar superior; ouvia-se brevemente as vozes de dois ou mais personagens, comentando os fatos narrados no episódio, e então todos davam “boa noite”. Nasci nessa época na qual a família nuclear ainda era apontada como capaz de portar soluções econ?micas e sociais. Porém, hoje…

Ivana Veraldo

Perfil do secretário municipal de Educação

A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) estabelece esforço no sentido de definir o perfil requerido para o exercício do cargo de secretário municipal de Educação e para isso, desenvolveu uma pesquisa em parceria com o MEC/Fundescola e concluiu que esse cargo deve ser ocupado por um gestor formulador de políticas educacionais com as seguintes características: contribuir com a criação e implantação do sistema municipal de ensino, buscando uma educação de qualidade, não-excludente; dominar os procedimentos do Saeb (Sistema de avaliação da educação básica), do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do salário-educação, entre outros. Mas, a compreensão do Secretário sobre o financiamento da educação não pode ficar atrelada aos aspectos administrativos e sim à qualidade do ensino ofertado. Terá ainda que elaborar uma política de educação para jovens e adultos e tomar conta de toda a educação infantil do município. Em suma, segundo a Undime, o secretário terá que efetivar políticas públicas não marcadas por interesses burocráticos, partidários ou privatistas, mas a serviço da qualidade da educação e da universalização do ensino. Flávio Vicente está preparado para isso?

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Um especialista em Marketing na Educação?

O nome do vereador Flávio Vicente (PSDB) está forte para assumir a Secretaria de Educação do município. Ele é graduado em Administração, especialista em Marketing Empresarial, mestre em Administração e atua como professor no curso de graduação em administração. Sua formação, associada às tendências da nossa época, pode levá-lo a tratar a educação como um “negócio”, que deve copiar o modelo empresarial para ser eficiente. Temo por esse tipo de condução. A educação do município de Maringá carece de ações que a afastem desse modelo e recupere sua função social: transmitir conhecime ntos e formar cidadãos.

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A internet nos torna leitores desconcentrados e pensadores rasos?

Segundo o jornalista Nicholas Carr no livro “The Shallows” o excesso de informações oferecidas na internet tem causado impacto negativo na nossa capacidade de reter informações, tornando-nos  leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos. Ele sustenta que a internet está promovendo mudanças celulares em nosso cérebro, fortalecendo certos caminhos neurais (a inteligência visual e espacial) e enfraquecendo outros (capacidade de análise, reflexão e pensamento crítico). Carr afirma que a memorização de uma informação depende da atenção dedicada a ela no momento da aquisição e a multiplicidade de estímulos da internet não favorece exatamente a concentração. Por esse motivo a internet  representaria uma ameaça à tradição da leitura profunda e solitária, um retrocesso em nossa história cultural. Penso que tornamo-nos mais rasos como reflexo da ligeireza da cultura contemporânea. A forma como lidamos com a internet é só um sintoma da superficialidade da nossa vida, na qual cada vez mais se valoriza a forma em detrimento do conteúdo. O problema é que muitos se contentam com uma pesquisa na Wikipédia em vez de ir a uma biblioteca.

Ivana Veraldo

Consumismo infantil

Quem se interessa em refletir sobre o consumismo das crianças não pode deixar de assistir ao documentário “Crianças do Consumo  – A Comercialização da Infância”, lançado em dezembro de 2008, nos EUA. É um alerta sobre a publicidade e as estratégias de marketing das grandes empresas no intuito de transformar as crianças e a própria infância num grande buraco negro de consumo. O filme mostra também o enorme volume de gastos com pesquisas e produções midiáticas direcionadas ao público infantil. As crianças são apontadas como principais consumidoras ou “aliciadoras” das famílias, no sentido de convencer os pais sobre como e no que gastar. O documentário aqui. [link arrumado]

Ivana Veraldo

Ainda sobre a falta de creches no Brasil

Colocar a criança na creche é uma decisão da família. Mas, se os pais desejarem colocar seu filho, o governo precisa garantir a vaga. A responsabilidade por essa etapa da educação é das prefeituras. Como nem todas as prefeituras  possuem recursos o governo federal oferece apoio através do Proinfância, programa para construção de creches e pré-escolas. Mas, esse programa não tem conseguido cumprir as metas. Por esse motivo, atualmente, apenas 1,2 milhão de crianças frequentam creches  e há no Brasil 11 milhões de indivíduos nessa faixa etária.

Ivana Veraldo

Quantas creches faltam no Brasil?

Segundo relatório apresentado recentemente pela Fundação Abrinq, se todos os pais de crianças com até 3 anos de idade optassem por matricular seus filhos em creches, seriam necessárias 12 mil novas unidades para dar conta da demanda em todo o Brasil.

Ivana Veraldo