Ivana Veraldo

Eleições e educação 2: a educação infantil

Os próximos dirigentes municipais deverão criar condições para a expansão da educação infantil para as crianças de quatro a cinco anos (pré-escolas), proposta registrada no novo Plano Nacional de Educação (PNE). A expansão não deve ser apenas quantitativa, mas também qualitativa. É fundamental que a população escolha prefeitos e vereadores que apresentem claramente propostas para uma efetiva melhoria da qualidade da educação sob responsabilidade de seus municípios.
Ivana Veraldo

Voltei…

Depois de um tempo sumida, devido a alguns dissabores e muito trabalho, é com muita satisfação que volto a escrever para este blog. Já que estamos na etapa pré-eleição para prefeito e vereadores vou postar algumas reflexões sobre as eleições e o tema ao qual dedico meus esforços intelectuais e a minha prática profissional, a educação.
Ivana Veraldo

Eleições municipais e educação 1

Banalização da proposta da escola de tempo integral. Os candidatos à prefeitura disseminam a idéia de que a escola de tempo integral pode vir a representar a redenção em termos de propostas educacionais. Penso que a garantia de qualidade na educação pública não pode ser considerada somente a partir da ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola. Muitos estão apresentando o “tempo integral” enquanto um somatório de atividades (Cultura, Esporte e Lazer) a serem realizadas na escola. Isso denota sentidos de preenchimento de carga horária somente, e não de articulação com o trabalho escolar propriamente dito. Em Maringá a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) já implementou a ampliação da jornada em várias escolas. Contudo, há muita reclamação da parte dos professores e dos pais dos alunos quanto ao precário funcionamento do projeto.
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A avaliação chega à Educação Infantil

A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) estuda introduzir modelo de avaliação para a educação infantil, utilizando uma ferramenta criada nos EUA e adaptada para o Brasil. Os educadores estão preocupados, pois a utilização de uma escala de desenvolvimento universal perde de vista que as condições, os estímulos, as interações sociais e o ambiente variam muito, dificultando as avaliações nessa etapa do ensino. Além disso, os educadores consideram que, na educação infantil, a atenção dos gestores deve recair mais sobre as políticas e as condições de oferta e não sobre as habilidades das crianças.
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“Toque de estudo”

Juiz que responde pela comarca de três cidades da Bahia (Olindina, Crisópolis e Itapicuru) formulou uma portaria que está sendo chamada de “toque de estudo”: A partir do dia 9 abril, os estudantes das três cidades que forem flagrados “matando” aula serão conduzidos ao Conselho Tutelar, onde os pais serão convocados e responderão a processos, que resultarão em aplicação de multa estipulada pela Justiça. A portaria prevê punições aos pais de crianças e adolescentes que não matricularem os filhos na escola e também aos pais de jovens analfabetos. Os pais podem responder a processo por crime de abandono intelectual. O juiz está seguindo uma tendência nacional de tornar obrigatória toda a educação básica. A idéia é excelente, compartilho, mas é preciso criar condições financeiras, infraestruturais e pedagógicas, caso contrário…
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Transporte escolar

Há muitas reclamações em Maringá quanto ao transporte privado dos escolares, realizado geralmente nas vans. Além do excesso na lotação dos veículos, há outras irregularidades. Os deslocamentos diários geram condições vulneráveis para os estudantes: atrasos, desconforto, acidentes, agressões. O transporte irregular é problemático não somente pelas questões relativas à segurança do aluno, mas também, por afetar o seu aprendizado. O MEC estabelece regras para esse tipo de transporte e avisa: alunos transportados de forma irregular podem ficar distraídos e sem concentração nas salas de aula.
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O kit escolar não é presente

A discórdia entre o prefeito de Londrina e o de Maringá no que se refere ao kit escolar pode camuflar uma questão muito importante. A distribuição dos kits é uma obrigação das prefeituras e não uma ação benevolente. Todo aluno de escola pública tem direito a receber o material didático e o uniforme para que tenha condições de acessar e permanecer na escola. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem o material didático-escolar, o transporte, a alimentação e assistência à saúde dos escolares. O kit escolar é um direito de cada aluno.
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Eleições e educação

As eleições para prefeito e vereadores nos obrigam a refletir sobre quais são as políticas que devem ser implantadas ou continuadas no município na esfera educacional? O município deve oferecer a Educação Básica gratuita para crianças de zero a cinco anos, o Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) e a Educação de Jovens e Adultos; os alunos precisam dispor, gratuitamente, de material didático-escolar, uniforme, transporte, alimentação e assistência à saúde. Para os professores, as eleições podem representar a esperança de novas perspectivas para a valorização das suas carreiras. Entretanto, para que tudo isso se realize, é necessário que cada município tenha o seu Plano Municipal de Educação, com metas claras para serem alcançadas num prazo de dez anos. O Plano garante que as políticas públicas sejam continuadas pelos novos prefeitos e secretários de Educação.
Ivana Veraldo

É formado, mas não na UEM!

Não é uma exclusividade da nossa cidade o preconceito em relação a alunos egressos do ensino superior privado. A expansão exagerada desse setor na década de 90, baseada exclusivamente numa lógica mercantilista, que produzia fábricas de diplomas, deu margem ao nascimento dessa preocupação. Mas, o Ministério da Educação tem fechado o cerco sobre as escolas privadas e está aplicando um rígido programa de aumento de qualidade que tem dado alguns resultados. Hoje, há algumas escolas privadas comprometidas com a formação do aluno. Além disso, um bom profissional se constrói com a soma de uma sólida formação inicial, adquirida na instituição superior pública ou privada , mais uma experiência profissional profícua e a busca incessante de qualificação.
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Educação e comportamento político

Pesquisa de 2011 avaliou a relação entre escolarização e politização e, entre outras conclusões, registrou que os universitários são menos interessados em política do que eram há uma década. Outra pesquisa sobre “confiança nas instituições” mostrou que 60% dos entrevistados não confiam ou pouco confiam no Congresso Nacional e 70% têm a mesma desconfiança em relação aos partidos políticos. Triste cenário de crescente desinteresse pela política e de elevada desconfiança nas instituições políticas. Para superar essa despolitização defendo uma educação que contribua com a formação de cidadãos mais interessados, envolvidos, mobilizados e ativos politicamente. Não se trata de criar uma matéria escolar, como a antiga e extinta Educação Moral e Cívica. Uma disciplina escolar poderia transformar-se em doutrin amento. Proponho a educação política num sentido mais amplo: dentro da escola atravessada no currículo e, fora dela, nos Partidos Políticos, nas ONGs, nas instituições religiosas, nas práticas cotidianas.
Ivana Veraldo

Dois casos de agressão na saída de colégio

Em frente ao Educação de Maringá (IEM), no dia 01.03, e nas imediações do Colégio Estadual Presidente Kennedy, no último dia 5, ocorreram casos de agressão entre alunos. Num dos casos a briga foi filmada e o vídeo postado na internet. Em ambos os casos as brigas foram desencadeadas por motivos banais. As ocorrências foram registradas na Polícia Militar (PM) e também na Delegacia de Maringá. A intolerância às frustrações, a dificuldade de obedecer às regras mínimas de convivência e o individualismo exacerbado contribuem para o uso da violência como forma de resolução de conflitos. Os gestores da educação não podem se calar!
Ivana Veraldo

Como nasce a educação integral

Não há uma receita pronta, mas ela está nascendo por meio do Programa Mais Educação do governo federal. O Núcleo Regional de Educação de Maringá oferece o programa em 14 escolas. São ofertadas atividades diferenciadas no contraturno para alunos do 6º ano ao 9º ano: Matemática, Português, Ciências, Informática, Futsal, Judô, Teatro, Jornal, Dança, Xadrez, Flauta, Percussão, Fotografia e Cine Clube. Escolas contempladas: em Maringá, C. E. Dirce de Aguiar Maia, C. E. Presidente Kennedy, C. E. Rui Barbosa, C. E. Parque Itaipu, C. E. Vinícius de Morais, C. E. João XXIII, C. E. Tancredo de Almeida Neves, C. E. Ta nia Varela; em Sarandi, C. E. Jardim Panorama, C. E. Jardim Independência, C. E. Helena Kolody, C. E. Olavo Bilac, C. E. Cora Coralina; em Paiçandu, C. E. Neide Bertasso.
Ivana Veraldo

A mulher atual

Na pós-modernidade não é fácil ser mulher! São muitos papéis a serem cumpridos ao mesmo tempo, e sempre com um sorriso estampado no rosto. Mãe, filha, esposa, irmã, amiga, profissional, amante, cidadã. São inegáveis os avanços para nós. Mas o coroamento desse processo seria desfrutado com mais sabor se vicejasse uma relação de igualdade com os homens e não predominasse a disputa por poder.
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O envelhecimento do professor

Nesta sociedade que é dominada por valores utilitários, que geralmente considera o aposentado um incapaz, uma mercadoria gasta e descartável, pode um professor ter uma velhice digna? Sim! Ao se aposentar o professor pode garantir e sustentar certas capacidades que foram necessárias ao exercício de seu ofício: o processo de criação permanente, a capacidade de aprender para poder ensinar, o movimento de buscar o novo, de atualizar-se. Seu envelhecimento será, com certeza, muito mais virtuoso.
Ivana Veraldo

Dilemas de mulher

Dias desses recebi no celular uma carinhosa mensagem escrita por um homem bonitão, com idade próxima a minha, trabalhador e honesto: “Ivana, gostei da sua peçoa, o que posso faser para meresser sua atensão? Se voçe me olhar, com sertesa serei mais felis”. Caramba, até agora estou tonta. Magoou!
Ivana Veraldo

Novamente, as vagas nas creches

Para resolver o problema da falta de vagas nas creches de Maringá há quem defenda, por exemplo, a parceria entre o poder público e a iniciativa privada; a Prefeitura subvencionando financeiramente instituições particulares para que elas ofertem vagas para suprir a demanda. Esse modelo de parceria já vem sendo adotado em outros municípios, principalmente do Estado de São Paulo. Entre os educadores ele é muito criticado, principalmente por representar um passo para a total privatização da Educação Infantil e pela precariedade dos serviços ofertados. As parcerias geralmente são efetivadas em municípios com baixa tributação e, consequentemente, poucos recursos para serem investidos na educação. Não é esse o caso da nossa cidade, felizmente. Aqui, falta planejamento, gestão adeq uada…
Ivana Veraldo

O Proinfância e o déficit de vagas nas creches

A Prefeitura de Maringá, para resolver o problema da falta de vagas nas creches, pode solicitar apoio financeiro do MEC através do Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar Pública de Educação Infantil (ProInfância). Os recursos do Programa podem ser utilizados para a construção, reforma e aquisição de equipamentos e mobiliário para creches e pré-escolas públicas da educação infantil. O objetivo do Programa é garantir o acesso de crianças a creches e escolas de educação infantil públicas, especialmente em regiões metropolitanas. Como Maringá integra uma região metropolitana é possível solicitar o apoio. O problema é que a condição para o acesso ao ProInfância é a aprovação das contas do município, principalmente na esfera educacional.
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Prefeitos contra o piso dos professores

O MEC anunciou na segunda-feira (27.2) o novo piso salarial nacional para os professores. A remuneração mínima será de R$ 1.451,00 para o professor de nível médio e jornada de 40 horas semanais. Prefeitos de todo o Brasil foram a Brasília pedir mais dinheiro do Governo Federal para pagar o novo piso. Oito estados estão abaixo desse valor. O novo piso do magistério melhora o poder de compra da categoria; contribui para aprimorar a qualidade da educação e equipara os professores com outras categorias do serviço público que detêm formação profissional similar, entre outras vantagens. É absurda a manifestação dos prefeitos, que discursam retoricamente em defesa da educação, mas não a colocam como prioridade nas políticas públicas.
Ivana Veraldo

A vida secreta dos nossos filhos

Na escola, no shopping, na rua ou na internet, nossos filhos adolescentes possuem uma vida sigilosa. Habituados à relação de dependência da fase infantil, os pais entram em pânico quando os filhos adolescentes agem e pensam com certo desligamento familiar e buscam seus próprios objetivos. O processo tem início quando a criança entra na escola, ainda na infância, mas o ápice é na adolescência. Esses momentos privados exercem papel fundamental na afirmação da individualidade. Funcionam como um treino para a vida adulta. Obviamente, os adolescentes ainda não possuem a capacidade completa de cuidar bem de si mesmo e nem consolidaram de modo conveniente as noções de perigo e de autoproteção. Por esse motivo, ainda precisam receber proteção contra riscos e cuidado amoroso por parte da família. O problema é o famoso equilíbrio: como colocar limites e resguardar os filhos dos perigos da vida sem invadir a privacidade deles nem prejudicar seu amadurecimento?
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Isenção de IR para professores

Projeto de Lei n.2607, de 2011, está tramitando em caráter conclusivo na Câmara Federal e prevê que professores que trabalham na rede pública de educação infantil, fundamental, média e superior poderão deixar de pagar o Imposto de Renda. Além de beneficiar os professores em efetivo exercício, a lei poderá incentivar pessoas a ingressarem no magistério.
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Déficit de vagas nas creches

Fico impressionada com as manifestações dos representantes da Secretaria Municipal de Educação de Maringá (Seduc) no que se refere à falta de vagas nas creches (o déficit é de cerca de 4.000 vagas). Segundo Adriana Palmieri, diretora de ensino: 1) as mães insistem em matricular seus filhos nas creches próximas às suas residências, nas quais nem sempre há vagas e 2) há casos em que os pais podem matricular os filhos em creches particulares, mas usam as do município (O Diário 26/2). As afirmações são absurdas. A insistência das mães é um direito delas, o problema é que a Seduc não tem planejamento adequado, sobram vagas em algumas creches e faltam em outras. E gostaria de saber como a Seduc chegou à segunda conclusão, pois é um direito de toda criança, independente da renda familiar, ser matriculada em uma escola pública, garantido pela Constituição, pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
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Vagas nas creches: como agir

Para garantir as vagas nas creches as mães devem tomar as seguintes atitudes: 1) procure a creche mais próxima a sua casa e inscreva seu filho; faça isso com o máximo de antecedência para não ficar muito tempo na fila de espera – antes mesmo de a criança nascer; 2) se a creche não arrumar a vaga, procure a Diretoria Regional de Ensino ou a Secretaria Municipal de Educação para lutar pela vaga; 3) procure a Defensoria Pública e o Ministério Público ou o Conselho Tutelar para reivindicar os direitos da criança; 4) procure o promotor de Justiça da Infância e da Juventude que poderá entrar na Justiça contra o Estado e obrigá-lo a fornecer a vaga solicitada.
Ivana Veraldo

Educomunicação

Daqui para frente, ouviremos falar muito de Educomunicação, campo de conhecimento que estabelece diálogos entre a Educação e a Comunicação. A utilização de recursos tecnológicos nas escolas tem sido comum, mas faltam projetos pedagógicos que aproveitem o potencial máximo dessas ferramentas. A Educomunicação tem como objetivo usar as tecnologias da informação para promover avanços na aprendizagem, tanto em sala de aula como em movimentos sociais e no terceiro setor. Exemplo: o emprego do rádio e do jornal como aliados no processo de ensino-aprendizagem e a ampliação da articulação oral dos estudantes, da competência para a elaboração de redação e da capacidade de trabalho coletivo. Embora a Educomunicação seja relativamente jovem, a incorporação dos avanços tecnológicos pela educação não é uma novidade. Pesquisas futuras avaliarão se essa parceria entre Educação e Comunicação resultará efetivamente em melhoria do aprendizado dos alunos.
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O preconceito anda à solta

O Rigon postou aqui uma carta em defesa da psicóloga Marisa Lobo, que, infelizmente, tem esbanjado preconceito em sua página. O Conselho Regional de Psicologia do Paraná acolheu denúncia contra ela pela sua conduta profissional, por associar fé religiosa ao exercício da psicologia, promover a discriminação e o preconceito, o que é vedado pelo Código de Ética do Profissional Psicólogo e pela Resolução CFP nº 001/99. O escopo do Código informa que o psicólogo deverá colaborar na criação de condições que visem eliminar a opressão e a marginalização do ser humano. Consta que ao psicólogo é vedado praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão; induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exer cício de suas funções profissionais. Na resolução que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual está registrado que os psicólogos deverão contribuir para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. Entretanto, no site da psicóloga, que se apresenta como “psicóloga cristã”, há matérias que demonstram seu proselitismo religioso e o preconceito contra os homossexuais. Continue lendo ›

O carnaval e a ditadura da felicidade

Os donos do capital, nas últimas décadas, para continuar a acumular lucros, alteraram a lógica tradicional do capitalismo, deixando de investir tanto na base produtiva e passando a investir mais na esfera do consumo. Culturalmente, houve consequências e, os movimentos que explodiram no mundo a partir dos anos 60 expressam essas transformações. A derrota das reivindicações mais políticas e a predominância das reivindicações existenciais refletem esse novo contexto. A felicidade, que era um direito, passou a ser uma obrigação. E, o carnaval é o período em que essa obrigação é mais cobrada: é a ditadura da felicidade. Quem tiver coragem, que se deprima!
Ivana Veraldo

O governo prometeu e não cumpriu

Os professores e técnicos administrativos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) estão insatisfeitos e cobram do governo do Estado o cumprimento das negociações acordadas em 2011. Para os docentes, o governo havia proposto reajuste de 31,75% até 2014. A partir de 2012, um reajuste de 9,62% no primeiro trimestre de cada ano seria repassado aos docentes, o que equipararia o salário-base de professores com a remuneração inicial dos técnicos de nível superior. A promessa não foi cumprida e os professores decidiram, em assembleia realizada ontem, pela paralisação das atividades acadêmicas e administrativas no dia 14 de março. Sem reajustes, com certeza perderemos docentes qualificados. É absurda a maneira como são tratadas as Instituições de Ensino Superior no Paraná .
Ivana Veraldo

Obediência cega ou…

Os educadores e os pais almejam obter das crianças a obediência cega às normas do mundo adulto? É fato que hoje muitos adultos se recusam a cumprir a sua responsabilidade na apresentação e no cultivo de normas e regras que dizem respeito à convivência das crianças com um mundo comum e público. E o resultado dessa tendência aparece na formação de pequenos tiranos que acreditam poder fazer de seus desejos a regra. Por outro lado, há aqueles que louvam a absoluta obediência e submissão às normas. Seguidores do nazismo alegaram simplesmente obedecerem às ordens; defensores ou torturadores do regime militar, no Brasil, alegaram o simples cumprimento de ordens. A obediência cega pode substituir a reflexão ponderada e gerar situações extremas como essas. Esse é um embate pedagógico de respeito.
Ivana Veraldo

Adeus minha avó!

Ontem, faleceu minha avó, pioneira de Maringá, Alexandrina Conde Bogo, depois de anos de sofrimento. Ao lado do meu avô? Elisiário Bogo, e do meu tio, Walter Bogo, ajudou a construir essa cidade com sua sapataria na avenida Riachuelo. Mulher corajosa, forte e carinhosa, ficará na minha memória, com o seu pão feito em casa guardado no saco de algodão alvejado. O pão era assado em forno de barro, embrulhado em folha de bananeira; quando ficava pronto, ainda quente, os netos ganhavam uma farta fatia com manteiga, derretendo. Era demais! Dá água na boca! Saudade…
Ivana Veraldo

Medicalização da educação: de aluno a paciente

A Educação vem sofrendo um processo violento de medicalização: o retorno das explicações biológicas para justificar defasagens no aprendizado. É um processo que transforma questões coletivas e sociais em questões individuais e biológicas, mais especificamente, em doença. O fracasso escolar, por exemplo, é explicado como resultado do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperativismo (TDAH), ou da Dislexia, ou da Discalculia ou do Transtorno de Oposição Desafiadora (TOD). Quando um problema coletivo é medicalizado, isentam-se de responsabilidades todas as instâncias que respondem por esse problema, a começar pelas autoridades, instituições e as próprias famílias, e localiza-se o problema no indivíduo. Sem falar nos interesses comerciais que estão por trás.
Ivana Veraldo

Gastos com a educação 1

A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) divulgou no último dia 10 os resultados de uma pesquisa que realizou sobre gastos educacionais dos municípios brasileiros. O estudo revelou que a aplicação de recursos na educação básica encontra-se abaixo do recomendado pelo CAQi- Custo Aluno Qualidade Inicial. A pesquisa mostrou também forte desigualdade de investimentos entre as regiões. Nas regiões em que há maior concentração de riquezas a educação evolui perceptivelmente. As regiões com melhores índices são a sudeste e a sul. O trabalho comprova que o Plano Nacional de Educação (PNE) precisa ser aprovado com a destinação de 10% do PIB para o setor. Mas, dificilmente essa meta passará. Consequentemente…
Ivana Veraldo