As perguntas ecoam nos gabinetes do Planalto e nos cômodos da sede do governo paralelo, no estado americano da Virgínia. O que houve com o capitão? O que explica o seu súbito desinteresse pelo enfrentamento justamente no momento em que o bolsonarismo virótico mais esperava dele? O desânimo, o timbre chocho? A ponto de o Weintraub fugir às pressas para Miami, lamuriando-se: Meu Deus, escantearam até o Olavão!…
Vistas separadamente, as aflições ético-jurídicas dos membros do clã Bolsonaro são infecções decorrentes da falta de higiene política. Juntas, as agonias do pai e dos seus três filhos com mandatos eletivos compõem uma espécie de pandemia familiar na qual os membros da dinastia contagiam-se uns aos outros.
Formalmente, Frederick Wassef pediu para sair da defesa de Flávio Bolsonaro. No mundo real, ele foi retirado do caso porque ficou mais próximo da condição de investigado do que da posição de advogado.
No jogo de gato e rato que trava com o Judiciário, Bolsonaro decidiu voltar suas baterias para o Tribunal Superior Eleitoral. Um dos ministros da Corte eleitoral ironizou as críticas do presidente ao julgamento de processo que pede a cassação da chapa que formou com o vice- Hamilton Mourão.
Em menos de 15 dias, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, participou de duas coreografias políticas que aborreceram profundamente parte da cúpula das Forças Armadas.
Jair Bolsonaro dispensa ao ministro Nelson Teich um tratamento bem diferente do que infligia a Henrique Mandetta. Com Mandetta, o capitão guerreava por meio da imprensa. Com Teich, nem isso.
Nos primeiros meses de governo, Jair Bolsonaro teve a oportunidade de negociar com o Congresso de fronte erguida. Imunizado pelo frescor dos 57,7 milhões de votos obtidos em urnas recém-abertas, o presidente poderia ter fixado as suas bases para um novo padrão de relacionamento com o Legislativo. Bolsonaro preferiu apostar na fricção de um presidencialismo de trincheira.
Jair Bolsonaro inventou a nomeação do tipo combo, uma novíssima modalidade de preenchimento de cargos públicos. Combo, como se sabe, é uma palavra em língua inglesa que representa a abreviação de combination. Em português, significa combinação.
O embate entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro mudará de patamar. O vale-tudo inaugurado nas redes sociais no final de semana será transferido para as páginas de um inquérito formal, a ser aberto nesta segunda-feira pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Moro será chamado a depor.
O ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, negou pedido do senador Flávio Bolsonaro para trancar as investigações sobre o caso da rachadinha. O primogênito do presidente da República é acusado de se apropriar de nacos dos salários dos assessores do seu gabinete quando dava expediente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Mal comparando, Jair Bolsonaro se parece muito com um cano furado. Um esbanja água num esguicho perdulário. Outro esbanja inverdades. O penúltimo jorro de Bolsonaro aconteceu no dia 9 de março, nos Estados Unidos. O capitão declarou que só não venceu a eleição presidencial no primeiro turno porque houve fraude eleitoral. Assegurou que dispõe de provas. E prometeu mostrar.
A boa notícia é que o coronavírus não conseguiu infectar Jair Bolsonaro. A notícia ruim é que o antebraço do presidente ainda não se livrou da mania de dar banana para a imprensa.
No jogo de gato e rato que trava com Sergio Moro, Jair Bolsonaro se deu conta de que pode ter mais a perder do que o seu ministro. Menos de 24 horas depois de declarar que cogita desmembrar o Ministério da Justiça, retirando de Moro a área da Segurança Pública, Bolsonaro afirmou que a chance de algo assim acontecer “é zero”. Diz-se que o presidente recuou. Engano. Na frase seguinte, Bolsonaro esclareceu que essa é apenas a sua posição momentânea. “Não sei o amanhã, porque na política tudo muda”, disse ele.
Entre uma posição e outra, Bolsonaro foi submetido a uma avalanche de críticas nas redes sociais, seu habitat natural. Os gênios que cercam Bolosonaro no Planalto começaram a fazer em voz alta uma pergunta singela: o que acontecerá se Sergio Moro chamar o caminhão de mudança e sair batendo a porta? A pergunta indica que Bolsonaro meteu-se numa enrascada. Tendo ciência de que o passado político da primeira-família estava encostado em rachadinhas e nas relações perigosas com Fabrício Queiroz e milicianos do Rio, Bolsonaro chamou o xerife da Lava Jato para cuidar do combate à corrupção e ao crime organizado. Agora, tenta cortar as asas de Moro. Ironicamente, o ex-juiz contribui para para a própria fritura. Moro esqueceu de traçar limites a partir dos quais ele não recuaria. Sofre calado uma sequência de humilhações. Leia mais.
De um bom presidente espera-se que aproveite o cargo privilegiado que ocupa para irradiar bons exemplos ao país. No campo da ética, Jair Bolsonaro ainda não foi capaz de de inspirar bons exemplos. Mas o presidente tornou-se um fabuloso aviso. No final de semana, pronunciou mais uma frase que soa como aviso macabro. Referindo-se às investigações abertas contra os filhos Flávio e Carlos Bolsonaro, declarou que, se tivesse poder, “teria anulado, cancelado” os processos.
Numa República, como se sabe, todos são iguais perante a lei. Diz o latim: Dura lex, sed lex —a lei é dura, mas é lei. Bolsonaro preferiria “dura lex, sed látex —a lei é dura, mas estica sempre que for necessário livrar os filhos de encrencas. O cinismo de Bolsonaro explica a desfaçatez com que ele esvaziou o Coaf, o descaramento com que ameaçou intervir na PF e na Receita e a tranquilidade com que atropelou Sergio Moro na sanção do juiz de garantias. Leia mais.
A sucessão de escândalos transformou a democracia brasileira num projeto político que saiu pelo ladrão. Nesse projeto, os partidos passaram a ter uma função mercantil.Continue lendo ›
A língua de Jair Bolsonaro ganhou vida própria. Aventura-se no ramo da magia. Ela fala dez vezes antes que o presidente consiga pensar. A cada nova frase retira um gambá da cartola. Continue lendo ›
Tratados como aliados da Lava Jato nas mensagens atribuídas a Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, os ministros Edson Fachin (foto) e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, adotaram em público uma retórica que os distancia da atmosfera de barricada em que se viram involuntariamente metidos. Continue lendo ›
Em artigo que escreveu antes da fama, sobre a italiana Operação Mãos Limpas, lembra o jornalista Josias de Souza, Sergio Moro defendeu clara e abertamente o vazamento de informações sigilosas quando a ação for motivada por um “propósito útil”. Continue lendo ›
A euforia subiu à cabeça de Lula. Em sua primeira entrevista após a divulgação das mensagens trocadas entre os algozes Sergio Moro e Deltan Dallagnol, o presidiário petista foi acometido de amnésia. Não disse coisa com coisa. Continue lendo ›
1) Desde que assumiu o Planalto, Jair Bolsonaro vive tentando conciliar duas exigências conflitantes: ser Bolsonaro e exibir o bom senso que o cargo de presidente requer. O problema não é o conservadorismo do capitão. O que obscurece sua Presidência é o arcaísmo. Os valores que Bolsonaro deseja conservar pertencem à Idade da Pedra. Continue lendo ›
Eleito graças ao impulso que recebeu do antipetismo, maior força eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro realiza uma nova incursão no universo político do PT. Com a criação do 13º do Bolsa Família, o capitão invade a última cidadela do rival: os bolsões de pobreza situados nas regiões Norte e Nordeste e nas periferias das grandes cidades. O movimento coincide com a queda da popularidade do presidente. Continue lendo ›
Quem olha muito para trás acaba ganhando um torcicolo. Ao ordenar às Forças Armadas que fizessem as “comemorações devidas” do golpe militar de 1964, Jair Bolsonaro obteve algo ainda mais grave do que a torção no pescoço: antipatia popular. Continue lendo ›
A nota, de Josias de Souza, poderia envergonhar ao saudoso padre Orivaldo Robles, a quem se diz que Sergio Moro admirava:
A dúvida, como se sabe, produz insônias torturantes. A certeza, inversamente, funciona como um sonífero irresistível. Ao migrar do posto de juiz da Lava Jato para o cargo de ministro da Justiça, Sergio Moro conspirou contra o próprio sono. Continue lendo ›
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