A crise que podemos evitar

Ilustração

Anos atrás, na Lapa (PR) fui visitar o túmulo de Seo Abbas Salim Abulkaliq, meu avô, e da minha amada avó, Dona Erna Pasche Salim. Meu avô, imigrante libanês Druzo, por décadas foi barbeiro na pequenina Lapa, e Dona Erna cobria botões dos vestidos das moças da cidade.
Meu querido Abbas, deixou sábia herança. Ele certa vez comprou um terno bem bonito na Pernambucanas, porém só o vestiu para sair quando pagou a última prestação do carnê.

Na minha visita ao cemitério, observei abaixo da sepulcro de minha família, uma lápide em pedra sabão, que dizia assim: “Aqui jaz o valente Capitão Joachim Eleutério Vicente, Oficial da Real Armada Portuguesa, falecido a serviço de Deus e do Regente João de Bragança, aos 7 dias do abril do ano de Nosso Senhor Jesus Christo de 1799″….parei para refletir, lado a lado, um capitão lusitano e um humilde barbeiro, eles do pó vieram e ao pó retornaram.
Para medir de maneira correta a atual crise é preciso memória, pois bem pior que nesses dias, vivemos nós a cruel fase dos anos de 1980, cuja crise apenas perde para esta, em nível de pessimismo e no maior número de aproveitadores políticos (ou não) da miséria alheia.
Jamais as catástrofes naturais foram tão comemoradas pela ladroagem de plantão e quando não as temos, nossos eleitos em sua maioria, se deleitam na salvação das almas penadas que por estarem distantes da verdadeira Via Crucis, aqui em terra nossa, escolhem com prudência; ou as amáveis filas do SUS ou o doce atendimento quase que inteiro dobermaniano das perícias do INSS. Mas podemos arrumar nossa casa, começando pela crença legítima de que podemos comandar nossa própria vida, que colhe nossas escolhas..então, trabalhar mais, buscar funções para os polegares que parecem ter sidos descobertos no mesmo dia que o tal zapzap, buscarmos boa leitura e selecionarmos mais rigorosamente, sem julgar ninguém, as besteiras manipuladoras que nossos ouvidos merecem ouvir.
Que sejamos sempre de boa fé e desconhecedores da lei de gerson. Atitudes dos portadores comprovados de boa fé costumam perdurar, já os atos de velhacos aproveitadores se vão ao vento como o dinheiro e o suor alheio que eles roubam. Melhor é ter pouco na dispensa e apenas água na geladeira, de que ter que se esconder das pessoas com medo de que o justo lhes seja cobrado. E é. Se alguns escolhem esses dias de crise para chorar, tenham certeza de que muitos vão amanhecer na labuta de poderem vender lenços.
Nosso dia vai amanhecer, com ou sem crise, e que nós possamos somar forças aos que possuam ideais sérios e possíveis e deixemos que a desonestidade por seus próprios desarranjos busque seus pares longe de nosso convívio e de nosso lugar ao sol!
Um caminho para não sofrer a carestia que os manipuladores impõem, é não consumir seus produtos. É comer o que o bolso suporta pagar, mas sem alardear…é sair sem comprar…quando você descobre um manipulador ao seu lado, comece a concordar com ele, em palavras e surpreenda-o com boas atitudes, elogie as “qualidades” dele…eles, manipuladores odeiam isto, eles gostam de serem reconhecidos por suas malvadezas “secretas” quase sempre, finalizadas no escárnio do reconhecimento público.
Mantenha sempre ao seu alcance, um bom livro de auto ajuda…as vezes o papel higiênico pode ficar muito caro!
Viva intensamente cada um de seus dias, como se o armagedom fosse amanhã ou que talvez, a besta do Apocalipse venha em forma de mosquito e novamente, “voltaremos ao pó dos nossos antepassados”
Gabriel Esperidião Neto Velho Gagá