Organização de vereadora do PL faz lista de comerciantes a serem boicotados

Além do nome de pessoas e empresas supostamente ligadas ao PT, lista divulgada em grupo dos Patriotas Conservadores traz mensagem incentivando estupro de filhos de petistas

O grupo Patriotas Conservadores de Maringá, que participou de manifestações golpistas em 2021 defronte o Tiro de Guerra de Maringá, divulgou uma lista de pessoas e empresas que devem ser boicotados, por supostamente serem de filiados ao Partido dos Trabalhadores. A lista foi copiada em outras cidades, como Sarandi e Paiçandu (onde vereadores estariam selecionando os nomes), e repete o que ocorreu há4 anos, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL).

CItada em rede sociais como uma organização liderada pela vereadora Giselli Caetano Bianchini (PL), que foi candidata a deputada estadual em 2022 e este ano, o grupo é integrado até por quem defende estupro de filhos de petistas. Na biografia da vereadora, informa-se que ela “é uma defensora ativa dos valores cristãos e da família como base da sociedade”. Bianchini, da Igreja CIA, não respondeu a questionamentos sobre a organização nem sobre a lista.

Há informações de que a lista que circula em aplicativos de mensagem, que começou com 46 nomes, foi criada pelo grupo Patriotas Conservadores – que têm até um dia especial de comemoração em Maringá, em 6 de setembro, através de projeto de autoria da própria Bianchini.

O grupo de WhatsApp no qual apareceu a lista existe desde 2018 e, ao longo dos anos, foi mudando de nome. O motivo: sempre aparecia algum infiltrado que denunciava o grupo por conta dos comentários horrorosos que circulavam por lá.

No último domingo, pouco depois de Lula virar o jogo, por exemplo, um integrante escreveu uma mensagem desejando que os filhos dos adversários fossem estuprados. O conteúdo foi denunciado e o grupo acabou sendo derrubado por 24 horas.

Quando o grupo voltou, Lula (PT) já estava reeleito presidente. A partir de então voltaram as tais listas, que são criminosas e podem ser denunciadas e seus responsáveis penalizados legalmente. As mensagens eram tão absurdas que até a própria vereadora, que se denomina “Dra.”, administradora do grupo, precisou pedir calma em algumas ocasiões. A vereadora, que recebeu o Auxílio Emergencial durante a pandemia, foi ignorada.

No episódio da lista, ela chegou a alertar que aquilo poderia configurar crime. Sugeriu, em vez disso, que fizessem uma lista de empresas que haviam apoiado o candidato 22. Mas também foi ignorada. A discussão virou um bate-boca e, no fim, ela se estressou e removeu vários integrantes do grupo.