Brasil

A vida e a morte de Adriano da Nóbrega são duas histórias mal contadas

Por Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo:

Ganha um fim de semana em Rio das Pedras quem conseguir montar um cenário plausível para a seguinte situação:

Setenta policiais participam de uma operação para a captura do “Capitão Adriano”, foragido desde o ano passado. Suspeitando que ele se escondeu na chácara do vereador Gilsinho de Dedé (PSL), alguns deles formam um triângulo e cercam a casa. Tratava-se de uma área rural, sem vizinhos.

Segundo a versão da polícia baiana, ratificada pelo governador Wilson Witzel (Harvard Fake ‘15), “chegamos ao local do crime para prender mas, infelizmente, o bandido (Medalha Tiradentes ‘05) que ali estava não quis se entregar, trocou tiros com a polícia e infelizmente faleceu”.

Conta outra, doutor. Ou, pelo menos, conta essa direito. Adriano da Nóbrega estava cercado. O bordão “trocou tiros” é um recurso gasto. Antes da chegada da polícia, o miliciano já fugira da casa onde estava com a família, na Costa do Sauípe, e do esconderijo onde se abrigara, numa fazenda próxima à chácara.

Os policiais podiam ficar a quilômetros da casa e o bandido poderia atirar o quanto quisesse, mas continuaria cercado. Se a intenção fosse capturá-lo vivo, isso seria apenas uma questão de tempo. Três dias depois da operação, as informações divulgadas pelas polícias foram genéricas e insuficientes para entender o que aconteceu. 

Na melhor da hipóteses, os policiais foram incompetentes. Na pior, prevaleceu o protocolo de silêncio seguido pelo ex-PM Fabrício Queiroz, chevalier servant da família Bolsonaro e administrador da “rachadinha” de seus gabinetes parlamentares, onde estiveram aninhadas a mãe e a mulher de Adriano. O silêncio de Queiroz é voluntário, o do miliciano foi inevitável. Fica no ar um trecho da fala triunfalista de Witzel, no qual ele disse que a operação “obteve o resultado que se esperava”.

Quando a polícia estava no rastro de Adriano, o ministro Sergio Moro vangloriou-se de ter organizado uma lista dos criminosos mais procurados. Nela estavam 27 bandidos, mas faltava o “Capitão Adriano”. No melhor burocratês, o ministério explicou: “As acusações contra ele não possuem caráter interestadual, requisito essencial para figurar no banco de criminosos de caráter nacional”. Conta outra, doutor. Dois dos listados eram milicianos municipais do Rio de Janeiro. Ademais, a interestadualidade de Adriano foi comprovada na cena de sua morte, com policiais baianos e fluminenses.

O secretário de Segurança do governo petista da Bahia prometeu transparência na investigação da morte do miliciano. Seria uma pena se a cena do tiroteio tiver sido alterada. Numa troca de tiros deveriam existir cápsulas da arma de Adriano. Seria razoável supor que a polícia disparou mais tiros, além dos dois que atingiram o bandido. A cena poderia ter sido filmada, mas isso seria pedir demais, mesmo sabendo-se que se tratava de uma operação de relevância nacional. A captura de Adriano lustraria a polícia e jogaria luz sobre suas conexões. A morte do ex-capitão serviu apenas para aumentar as trevas que protegem essa banda das milícias do Rio.

Faz tempo, uma patrulha do Exército perseguiu outro ex-militar foragido pelo interior da Bahia. Chamava-se Carlos Lamarca. Apesar de ter teatralizado a cena de sua morte, o oficial que comandava a patrulha não falou em troca de tiros. Narrou uma execução.

Pois é…

De Ciro Gomes:

– Se Sérgio Moro não esclarecer cabalmente esse estranhíssimo encadeamento de fatos que inequivocamente estabelece vínculos entre Bolsonaro, filhos e mulher, Queiroz, as milícias do Rio e o assassinato de Marielle e Anderson, terá se transformado em cúmplice.

Para Alvaro, Moro é injustiçado por Bolsonaro

Em entrevista a Guilherme Amado, da Época, o senador Alvaro Dias concorda que o governo Bolsonaro tem sido pífio no combate à corrupção.

Ele afirmou que, na contramão dessa tendência, Sergio Moro seria o candidato natural do Podemos à Presidência, caso o ministro se filie ao partido.

“Ele é a autoridade mais popular do país, pela sua trajetória como juiz, e não no governo Bolsonaro”.

Mas, por enquanto, o senador jura que não formalizou um convite a Moro: “Ele já tem uma relação tumultuada com Bolsonaro. Não queremos dificultar mais”. Leia aqui.

Brasil está sendo salvo pelas qualidades de deputados e senadores

Por Celso Rocha de Barros, na Folha de S. Paulo:

Desde a posse de Jair Bolsonaro como presidente da República do Brasil, somos um país que tem tudo para dar errado, mas está sendo salvo pelas qualidades de seus deputados e senadores. Por essa, realmente, ninguém esperava.

Mas é verdade. Tudo o que foi feito no Brasil de 2019 para resolver problemas foi feito no Congresso.

A reforma da Previdência foi feita pelos presidentes da Câmara e do Senado enquanto Guedes insistia no delírio da capitalização. A reforma tributária não andou porque Guedes se recusou a abraçar a proposta que já circulava no Congresso, baseada no trabalho do respeitado economista Bernard Appy. 

A reforma do saneamento básico foi proposta do senador Tasso Jereissati (PSDB) e os deputados Tabata Amaral (PDT) e Felipe Rigoni (PSB) propuseram uma reorganização dos programas de combate à pobreza.

Enquanto isso, observe o que foi o governo Bolsonaro durante o recesso parlamentar, quando o Congresso não estava lá para trocar suas fraldas. 

O Enem foi um desastre. O secretário de Cultura Roberto Alvim divulgou um vídeo reproduzindo um discurso nazista. O secretário de Comunicação foi pego recebendo dinheiro (como consultor) das empresas para quem ele havia decidido distribuir muitos milhões em propaganda oficial (Band e Record). Bolsonaro criou uma crise com Sergio Moro que quase causou a demissão do ministro da Justiça. Leia mais.

Dicas para Glenn

Celso Daniel, em 1988

O jornalista e escritor Larry Rohter, ex-correspondente do New York Times no Brasil e que Lula quis deportar após um livro que citava sua predileção pelo álcool, em trecho de artigo na Época diz ter dicas para Glenn Greenwald :

Olha, se Glenn deseja investigar um escândalo ainda maior do que a aparente conivência entre Moro e Deltan Dallagnol, tenho uma sugestão. O sumo mistério político brasileiro do século XXI continua sendo o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André e coordenador da campanha de Lula, em 2002. Quem o matou e por quê? Sempre sustentei que a verdadeira razão pela qual Lula tentou me expulsar em 2004 era que o PT sabia que eu estava investigando o caso: numa entrevista a mim, um dos irmãos do prefeito havia citado Gilberto Carvalho e José Dirceu, assessores íntimos de Lula, como chefes de um esquema de corrupção maciço de arrecadação de fundos. Isso bem antes do Mensalão ou da Lava Jato.

Talvez Glenn não tenha ouvido falar do caso, sendo que o assassinato de Celso Daniel ainda incomoda — e quiçá implica — alguns dos correligionários dele. Mas o caso permanece sem resolução, assombrando a política brasileira, e como tal deve chamar a atenção de qualquer repórter que se preze de fazer jornalismo investigativo.

Glenn, se você topar investigar, se tiver a coragem de contrariar os interesses de seus companheiros, me ligue e eu atendo. Tenho dicas para você.

Corrupção legalizada

De Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo:

O doutor Gustavo Montezano, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), deu-se a um voo de ciência política e ensinou:

“A gente construiu leis, normas, aparatos legais e jurídicos que tornaram legal esse esquema de corrupção. A conclusão é essa”.

A gente, quem, cara pálida? Machado de Assis já ensinou que “a ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto”.

Para ficar num caso ocorrido durante o atual governo, as leis mandam que as compras para o serviço público sejam feitas por licitações e que compete à CGU (Controladoria-Geral da União) fiscalizar a lisura desses certames.

Em agosto passado o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação anunciou um pregão para a compra de 1,3 milhão de computadores, notebooks e laptops para escolas da rede pública. 

Coisa de R$ 3 bilhões.

A CGU sentiu cheiro de queimado e descobriu que numa escola de Minas Gerais cada um dos 255 alunos receberia 118 laptops. Soado o alarme, o edital foi suspenso e depois revogado.

As leis e as normas foram seguidas, mas até hoje ninguém explicou como esse edital foi concebido, armando a ocasião para interessados que, na visão de Machado, nasceram prontos. Parece falta de educação falar do assunto.

(Foto: Tania Rego/Agência Brasil)

Bolsonaro, cuidado

De Leandro Demori, na newsletter do The Intercept Brasil:

Vejam que coisa curiosa: o Brasil vem piorando há cinco anos nesse ranking mundial de percepção da corrupção. É a mesma idade da Lava Jato.

Há meia década, nós, brasileiros, achamos – a cada ano mais – que “nunca se roubou tanto” neste país. Mas vejam: isso é um ranking de percepção de corrupção, não da corrupção efetiva. É um ranking sobre o sentimento da população em relação à roubalheira. E o que potencializa essa percepção? Cinco anos de notícias diárias sobre o “combate à corrupção” com certeza sim.

E quem alimenta a imprensa com esse ciclo eterno? Sobretudo a Lava Jato.

Então, quanto mais Lava Jato tivemos, mais as pessoas foram achando o país corrupto. Quem se beneficiou disso? A Lava Jato, ora, que só cresceu, concentrou poder e cometeu arbitrariedades disfarçadas de heroísmo.

Quanto mais operações da Lava Jato, mais notícias. Quanto mais notícias, mais as pessoas foram achando que o país piorava em relação à corrupção. Qual remédio foi vendido para aplacar essa percepção crescente de que somos um país de ladrões? Mais Lava Jato. (e por favor, isso nada tem a ver com o combate à corrupção em si, mas com os métodos e a transformação da função pública em circo).

No dia seguinte à divulgação da pesquisa, Sergio Moro disse:
“Indicadores da Transparência Internacional mostram como é difícil mudar a percepção sobre corrupção. Nota no Brasil não melhorou nos últimos anos apesar dos avanços da Lava Jato e de 2019.Isso significa que precisamos fazer muito mais, inclusive no Congresso”.

Viram o remédio do Sergio? Mais Lava Jato, e os abusos de poder que ainda finge não terem existido.

Essa panaceia – como se os remédios anti-corrupção fossem sozinhos salvar o Brasil – criou a armadilha perfeita para destruir a confiança em toda a classe política e se buscar a saída fora dela: MPF e Judiciário com seu lavajatismo, aventureiros como Bolsonaro e (agora) Huck com sua anti-política.

Estamos bolsonarotemáticos, mas quem é o grande candidato da extrema-direita hoje? Ele, Moro. Talvez Bolsonaro já tenha se convencido que sua única chance é tirar Moro do palco imediatamente, antes que seja engolido. Isso aqui, por exemplo, deu no JN essa semana. Nem notícia é. Como Moro fora do governo, ele perde seu principal microfone.

Seguirá a ter repercussão, mas dependerá muito mais de besteiras ditas no Twitter do que de coletivas oficiais cheias de repórteres. O séquito de jornalistas que passam o dia atrás da agenda do ministro minguará, e serão três anos sem esse enorme palanque que é o Ministério da Justiça. Um longo caminho até 2022.

A história mostra que não existem ministros indemissíveis.
Ouça, Bolsonaro, ouça.

Moro deixa miliciano ligado a gabinete de Flávio Bolsonaro fora de lista de mais procurados

É de Ítalo Nogueira a, na Folha de S. Paulo, a notícia que, por tabela, mais envergonhou Maringá neste final de semana:

O Ministério da Justiça e Segurança Pública não incluiu na lista dos mais procurados do Brasil o ex-capitão Adriano da Nóbrega (foto), acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado.

Foragido há mais de um ano, o ex-PM também é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

De acordo com o Ministério Público, contas bancárias controladas por ele foram usadas para abastecer Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, suposto operador do esquema no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro. Queiroz é amigo do presidente da República.

Adriano teve duas parentes nomeadas no antigo gabinete do senador Flávio. Mensagens interceptadas com autorização judicial mostram ele discutindo a exoneração da mulher, Danielle da Nóbrega, do cargo.

Ele também foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro em discurso na Câmara dos Deputados, em 2005, quando foi condenado por um homicídio. O ex-capitão seria absolvido depois em novo julgamento.

Enquanto estava preso preventivamente pelo crime, foi condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes.

O ministro Sérgio Moro divulgou a lista sem o acusado em sua rede social. “A Seopi/MJSP [Secretaria de Operações Integradas da pasta] elaborou, com critérios técnicos e consulta aos Estados, a lista dos criminosos mais procurados. A lista ajudará na captura, e segue a orientação do PR @jairbolsonaro de sermos firmes contra o crime organizado”, diz o texto no perfil do ministro no Twitter.

De acordo com o Ministério da Justiça, o ex-capitão não foi incluído porque “as acusações contra ele não possuem caráter interestadual, requisito essencial para figurar no banco de criminosos de caráter nacional”.

De fato, 25 dos 27 que compõem a lista são apresentados pelo ministério como tendo uma atuação regional ou nacional.

Há na lista de Moro, porém, dois integrantes de uma milícia de outro bairro da zona oeste. Em seus perfis publicados na página da pasta, sua área de atuação indicada é apenas o Rio de Janeiro. São eles: Wellington da Silva Braga, o Ecko, e Danilo Dias Lima, o Tandera, seu braço direito. Os dois atuavam em Campo Grande. Leia mais.

Discurso é um, prática é outra

Exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro do cargo de secretário-executivo da Casa Civil, José Vicente Santini foi nomeado como assessor especial de relacionamento externo da pasta nesta quarta-feira. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta quarta-feira, mesmo dia em que foi publicada sua demissão.

A informação é de Naira Trindade e Gustavo Maia, em O Globo.

A nomeação ao novo cargo atende a um apelo dos filhos de Bolsonaro: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e com o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Amigo de infância de Santini, Eduardo Bolsonaro pediu para que o funcionário fosse mantido em outro cargo dentro do governo, como mostrou o jornal O Globo.

Santini foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro na terça-feira após usar um jato da Força Aérea Brasileira para uma viagem para a Índia. Bolsonaro considerou “inadmissível” o uso da aeronave em um voo para três servidores.

— O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de avião comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para a Ásia toda de classe econômica — lembrou Bolsonaro no Palácio do Alvorada. Leia mais.

(Foto: Rosinei Coutinho/STJF)

Seis ministros fizeram ‘imoralidades’

Seis ministros do governo do presidente Jair Bolsonaro utilizaram voos exclusivos da Força Aérea Brasileira com poucos acompanhantes para cumprir agendas no exterior.

Folha de S. Paulo mapeou, em dados divulgados pela FAB, os deslocamentos feitos por autoridades federais no primeiro ano de governo e constatou 12 missões ao exterior solicitadas para uso exclusivo do ministro para “viagens a serviço”. Em todas, não mais do que cinco passageiros foram a bordo. 

Com cinco missões, Ernesto Araújo (Relações Exteriores) foi o que mais solicitou aeronave dentro dessas condições. O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) utilizou os serviços da FAB em três oportunidades fora do Brasil.

Na lista de ministros estão ainda Sergio Moro (foto/Justiça e Segurança Pública), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Paulo Guedes (Economia). Cada um fez um voo. 

O uso exclusivo de uma aeronave da FAB para viagem no exterior levou nesta semana à destituição de Vicente Santini do cargo de secretário-executivo da Casa Civil. Bolsonaro classificou o ato de imoral.

Em um ano, Bolsa Família volta a ter fila de espera e salta de zero para 500 mil inscritos

Em apenas um ano, o programa Bolsa Família voltou a enfrentar um antigo problema. Desde junho, a fila de pessoas aguardando pelo benefício saltou de zero, patamar que se encontrava desde 2018, para 494.229 famílias.

A informação, de Pedro Capetti e Elisa Martins, é manchete do jornal O Globo desta segunda-feira.

Segundo a reportagem, a espera é a maior desde 2015, quando mais de 1,2 milhão de famílias aguardavam o auxílio. São famílias cujo perfil de renda é compatível com programa e já estão cadastradas — mas continuam na miséria e sem a ajuda de R$ 89 por pessoa.

Os dados foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação, após quatro meses de demanda junto ao Ministério da Cidadania, que só liberou a informação depois de determinação da Controladoria-Geral da União (CGU). Leia mais.

Sob Bolsonaro, Brasil repete pior nota em ranking de percepção do combate à corrupção

A Folha de S. Paulo de hoje que o 2019, o Brasil caiu uma posição no ranking do Índice de Percepção da Corrupção e ocupa a 106ª posição entre os 180 países avaliados — atrás de outros latino-americanos como Argentina (66ª), Chile (26ª), Colômbia (96ª), Cuba (60ª), Equador (93ª) e Uruguai (21ª).

“A eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), impulsionada por promessas de combate à corrupção, não alterou a percepção sobre este problema no seu primeiro ano de governo, marcado por denúncias contra integrantes do governo e familiares do presidente”, diz o texto de Fernando Mena.

Elaborado pela ONG Transparência Internacional, o ranking atribui notas de 0 a 100 a países com base em pesquisas e relatórios sobre como o setor público é percebido por especialistas e executivos de empresas no que diz respeito à prática de corrupção.

O Brasil repetiu a mesma nota 35 recebida em 2018, a pior do país desde 2012. Leia mais.

Até bolsonarista pode entender

Comentário impecável de Carlos Andreazza sobre o caso do jornalista Greenwald. A lei do abuso de autoridade, vê-se agora, faz todo o sentido.

Ele explica de forma tão didática que é capaz de bolsonarista entender o que realmente ocorre no país e o perigo que isso representa.

‘Tentemos ser generosos rs’

Procuradores da Lava Jato agiram politicamente – usando o site O Antagonista como porta-voz – para interferir na escolha do presidente do Banco do Brasil no governo Bolsonaro. Em fins de 2018, a força-tarefa municiou com documentos o site comandado pelos jornalistas Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas para alimentar notícias que evitassem que o ex-presidente da Petrobras Ivan Monteiro ocupasse a presidência do banco. Monteiro era o nome mais forte entre os cotados para assumir o BB, uma escolha do ministro da Economia Paulo Guedes – a ele era dado o crédito por ter salvado as contas da Petrobras.

O caso é o exemplo mais escandaloso de uma relação promíscua entre o grupo comandado por Deltan Dallagnol e os jornalistas do Antagonista – mas nem de longe o único, como mostram as conversas no aplicativo Telegram que foram entregues ao Intercept por uma fonte anônima. Elas fazem parte da série Vaza Jato, que já publicou 84 reportagens em parceria com os veículos Folha de S.Paulo, El País, Bandnews FM, Veja, BuzzFeed News, Agência Pública e UOL.

A leitura das conversas deixa claro que a Lava Jato e O Antagonista se veem como parceiros. O site abre mão da função primordial do jornalismo – fiscalizar o poder e os poderosos, aí incluídos procuradores e juízes – e recebe em troca informações em primeira mão. Os procuradores também interferiram, ao menos uma vez, diretamente na direção editorial do site.

O comentarista Diogo Mainardi, dono e editor do site, acatou pedido de Dallagnol e parou de publicar notícias sobre um escândalo de corrupção que envolvia a Mossack Fonseca, um escritório de advocacia suspeito de abrir empresas offshore no Panamá. Leia mais.

Bolsonaro e Thaís

De Elio Gaspari, em O Globo:

Jair Bolsonaro chamou a jornalista Thaís Oyama, autora do livro “Tormenta”, de “essa japonesa que eu não sei o que faz no Brasil”. Ela faz o mesmo que ele: vive no país onde nasceu. Oyama é neta de japoneses e Jair é bisneto de italianos.

Por mais preconceitos que tenham ofendido os japoneses, foram migalhas se comparados com as ofensas atiradas contra os italianos.

Delas, a mais interessante partiu de um ilustre quatrocentão ao referir-se a Alfredo Buzaid, ministro da Justiça do presidente Médici. 

“Não se pode confiar nos italianos, veja o caso desse Buzaid.” (Ele descendia de imigrantes do Oriente Médio.)

(Foto: Alan Santos/PR)

Moro aprovou jornalistas do Roda Viva

De Leandro Demori, do The Intercept Brasil, em sua newsletter:

Sergio Moro estará no Roda Viva na próxima segunda. Ele aprovou os nomes dos jornalistas que estarão na bancada para entrevistá-lo, nós confirmamos com fontes. Não me espanta: Moro não sentaria em um canal ao vivo por duas horas sem saber quem estaria na sua frente. Ele, assim como Bolsonaro, vê parte da imprensa como inimiga. Logo ele, que tanto usou a imprensa para seu projeto de poder. Pra Moro, jornalista só serve se escreve notícias de joelhos.

Imagine o ex-juiz chegar lá e dar de cara com um dos dezenas de jornalistas que trabalharam e trabalham nos arquivos da Vaza Jato? Nessa hora não dá nem tempo de chamar o Deltan. Moro se preveniu.

Na semana que acaba hoje, o programa foi forçado a se manifestar sobre a ausência do TIB na bancada – o público levou ao topo do Twitter a tag #InterceptNoRodaViva. Eu compreenderia um veto de Moro aos nossos nomes, mas o programa negou a interferência editorial do ministro: “Não pedimos sugestões nem submetemos a bancada ao entrevistado.” Então se não pedem sugestões e nem submetem a lista aos convidados, a formação da bancada sem nenhum dos vários jornalistas de vários veículos que participaram da Vaza Jato foi escolha deliberada do programa. Nessa versão dos fatos, Moro tem tanta confiança de que não precisará nos encarar que sequer precisa conhecer a lista. Vocês decidam o que é pior.

A campanha #InterceptNoRodaViva incomodou algumas pessoas. O Marcelo Tas (lembram dele?) mais uma vez atacou nossos jornalistas. Ele já tinha metido os pés pelas mãos antes. Com 9,5 milhões de seguidores e engajamento pífio digno de 9,5 milhões de robôs, Tas usa o TIB pra ter relevância no Twitter de tempos em tempos. Eu fico feliz que o TIB ajude o Marcelo Tas a ter relevância no Twitter uma vez por trimestre. Assim ele pode vender mais cursos sobre como ser relevante no Twitter. Geramos empregos! Vamos em frente!

O jornalista Pedro Doria entrou na onda: retuitou sem checar o ex-apresentador, e comentou: “Estou tentando lembrar quando foi a última vez que um veículo exigiu participar e moveu uma campanha para isso. E não consigo lembrar.” Pedro: você não consegue lembrar porque nunca existiu. A campanha partiu do público. Uma hora te mostro como pesquisar no Twitter (é fácil, prometo).

Os dois são exemplos de pessoas que não suportam que exista crítica de mídia no Brasil, porque eventualmente ela atingirá amigos e até a eles próprios (imagina se trabalhassem aqui no TIB, um dos veículos mais criticados do país…).

Na Itália, onde morei, é comum, até porque parte importante da TV é pública por lá (ei: a TV Cultura é pública também). Nos EUA nem se fala. Imaginem um programa onde o entrevistado fosse o já falecido Richard Nixon. Quem não gostaria de ver na bancada Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do caso Watergate, que derrubou Nixon? Quem se incomodaria em ver o público pedindo a participação dos dois? No Brasil, tem gente que sim.

Mas já que o público pediu que um site fosse convidado pela TV pública para questionar um personagem público sobre temas de interesse público e não foi atendido, então vamos lá: na segunda-feira, no mesmo horário do Roda Viva (22h30), nós estaremos ao vivo no nosso canal do youtube.

Assine agora e ative o sininho pra não perder.

Vamos, basicamente, assistir ao programa com vocês, como vizinhos vendo TV na calçada. Mais ou menos como o Bolsonaro assistindo ao Trump, mas sem babar de amor. Esperamos vocês!

A história do bispo bilionário e a sua Igreja Universal revelada em livro-reportagem

Por Inácio França, no Marco Zero:

Não foi a intenção do autor e não está escrito em nenhuma das 382 páginas do livro, mas o relato do jornalista Gilberto Nascimento em O Reino – A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal ajuda a desmentir a tese disseminada pelas redes sociais de que o crescimento dos evangélicos nas periferias só acontece porque “a esquerda teria abandonado o trabalho de base”.

Em sua minuciosa reportagem, enriquecida com um exaustivo trabalho de pesquisa, Nascimento conta a trajetória que levou um jovem interiorano de uma família remediada a tornar-se o bilionário bispo e empresário Edir Macedo. Para enriquecer e fazer sua igreja crescer, Macedo – assim como os demais líderes evangélicos – ocupou o vácuo deixado na periferia. Esse vazio, no entanto, não era dos partidos de esquerda, mas sim da Igreja Católica Apostólica Romana.

A intensa atividade dos templos evangélicos, com cultos, vigílias e jornadas a toda hora, contrastava – e ainda contrasta – com as capelas católicas fechadas, ao mesmo tempo em que os párocos, ricamente paramentados e de fala empolada, celebravam casamentos para milionários nas igrejas matrizes. Enquanto isso, em paletós surrados pastores evangélicos prometiam o paraíso na terra em troca de dinheiro.

O livro mostra como, sem rodeios e sem latim, Edir Macedo manipula os textos bíblicos a seu modo para oferecer aos fiéis uma relação comercial com um Deus disposto a aceitar sócios minoritários em seu reino na Terra. Algo mais fácil de entender e de convencer que uma homilia sobre a vida eterna no céu. Leia mais.

Há descalabros demais ao redor de Jair Bolsonaro

De Josias de Souza:

Descobriu-se que Fabio Wajngarten (foto), chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, flerta com o inaceitável. Como empresário, recebe dinheiro de emissoras de TV e agências de publicidade contratadas pela repartição que dirige como servidor público.

Jair Bolsonaro reagiu ao inadmissível como se operasse em duas velocidades. Ao hesitar em afastar seu secretário de Comunicação, o presidente revelou-se intelectualmente lento. Mantendo-o por mais tempo na função, reforçará a suspeita de que é um político eticamente ligeiro.

As duas velocidades de Bolsonaro são insultuosas. A lentidão intelectual afeta a própria autoridade do presidente, pois fica no ar a sensação de que o de o derretimento moral do Zero Um Flávio Bolsonaro fez da anormalidade um outro nome para normal no governo do capitão.

A ligeireza moral transforma de sólido em gasoso o discurso ético de Bolsonaro. Ele prometera na campanha honrar os eleitores que lhe deram votos no pressuposto de que saciaria a fome de limpeza que pairava sobre as urnas.

Se quisesse ser levado a sério, Bolsonaro mandaria o secretário Fabio Wajngarten para o olho da rua. Impossível manter no Planalto um auxiliar que mantém um pé em cada lado do balcão e não enxerga o conflito de interesses na imagem do espelho. Leia mais.

(Foto: Anderson Riedel? Agência Brasil)

Bolsonaro quis demitir Moro

Sergio Moro 1301

As revelações da jornalista Thaís Oyama em seu livro ‘Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos’ balançaram Brasília nesta segunda-feira.

Ela conta que o maringaense Sergio Moro não foi demitido do cargo de ministro da Justiça e da Segurança Pública por causa do general Augusto Heleno. Bolsonaro, irritado com crítica feita por Moro contra seu novo amigo de infância, ministro Dias Toffoli, iria exonerar o ex-juiz federal. “Se demitir o Moro, o seu governo acaba'”, disse Heleno.

Outra revelação: o presiente da República continuou mantendo articulações com seu ex-assessor e amigo Fabrício Queiroz, inclusive orientado-o a não comparecer ao MP.

Moro não quis comentar a quase demissão em 2019. Deve, por razões político-eleitorais, continuar subserviente ao ex-deputado federal do baixo claro.

Thaís Oyama participa agora do Três em Um, da Jovem Pan.

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Diretor de Itaipu recebe bônus de R$ 221,9 mil

Joaquim Luna

Diretor brasileiro da Itaipu Binacional há um ano, o general Joaquim Silva e Luna concedeu a todos os funcionários de Itaipu, fixos e temporários, um bônus equivalente a 2,8 salários como compensação de possíveis perdas decorrentes do acordo coletivo de trabalho. A informação é de Catia Seabra, na Folha de S. Paulo.

Com a medida, Luna, que foi ministro da Defesa de Temer e tomou posse em Itaipu na gestão de Jair Bolsonaro, também ganhou o pagamento extra no fim de 2019. Recebeu R$ 221,2 mil em indenização. Como tem caráter indenizatório, a remuneração é livre de Imposto de Renda. O salário do general na usina binacional é de R$ 79 mil.

Juntos, os seis diretores da empresa ganharam R$ 1,3 milhão. Com salários de R$ 76 mil, cada um dos outros cinco diretores, além de Luna, foi gratificado com R$ 212,8 mil. 

A indenização foi instituída por Luna na negociação anual de acordo coletivo entre empresa e sindicatos, com validade de 1º de novembro de 2019 a 31 de outubro de 2020. O pagamento extra foi criado para compensar eventuais perdas que empregados poderiam ter com a revisão de benefícios oferecidos pela companhia. Leia mais.

(Marcelo Camargo/Agência Brasi)

Bolsonaro: ‘Mentir engorda’. Hummm… E quanto ao Flávio?

Por Josias de Souza:

Jair Bolsonaro lembra um cano furado. Assim como o cano furado esbanja água num esguicho perdulário, Bolsonaro esbanja ofensa. Ainda não se deu conta de que as ofensas têm alcance extremamente longo. Um dia acabam alcançando seus autores ou pessoas do seu convívio.

No penúltimo jorro, transmitido online, o capitão associou a gordura humana à mentira. Fez isso para ofender a deputada e ex-amiga Joice Hasseumann. Mas acabou fornecendo material para que o primogênito Flávio Bolsonaro, investigado por peculato e lavagem de dinheiro, seja frito na própria gordura.

Bolsonaro irritou-se com Joice e também com o deputado Kim Kataguiri. Os dois haviam criticado o capitão por ter empurrado para dentro do Orçamento de 2020 um fundão de R$ 2 bilhões para financiar as eleições para prefeito e vereador. Leia mais.

Pau no Rui Barbosa

Moro-Weintraub

Os ministos Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Abraham Weintraub (Educação) não poderia estar em outro governo.

Mais que colegas de ministério e mandados de Jair Bolsonaro, são ruins quando se fala em língua portuguesa.

Um vem com “conje” e assemelhados pobres e errados, enquanto o da Educação quer bater recorde: depois de acepipes (quando diz quiser asseclas), antssessores, paralização, suspenção e imprecionante, ele já pode pedir música no Fantástico. É o grande ministro da Deseducação.

(Foto: Marcelo Camargo/EBC)

O PT insiste em Maduro

Guaidó

Por Bernardo Mello Franco, em O Globo:

O cerco militar à Assembleia Nacional da Venezuela agravou o isolamento internacional do regime de Nicolás Maduro. Os governos de Argentina, México e Uruguai, que não reconhecem Juan Guaidó como presidente autoproclamado, condenaram a manobra para impedi-lo de entrar no prédio. “O funcionamento legítimo do Poder Legislativo é um pilar inviolável das democracias”, advertiu a chancelaria mexicana.

No Brasil, o maior partido de esquerda escolheu outro caminho. Nas redes sociais, figurões do PT festejaram o tumulto em Caracas. (…)

Ao insistir no apoio incondicional a Maduro, o PT fica em más condições para criticar os arroubos autoritários do governo Bolsonaro. O momento do Brasil exige uma oposição que defenda a democracia como valor absoluto, acima de afinidades ideológicas. Se os petistas abrirem mão deste papel, outras forças políticas vão ocupar o lugar. Leia mais.

‘Danos à democracia’

Moro-Bolsonaro 0801

Da Der Spiegel, principal revista da Alemanha:

“[Sergio] Moro causou sérios danos à democracia e ao sistema jurídico brasileiro. Com seus truques, juiz criou fatos para mudar de forma dramática a história do Brasil. O processo contra Lula deveria ser anulado”.

Quem está por trás?

Movimento br

Movimentos criados na internet programam para 18 de fevereiro uma caravana nacional com destino a Brasília.

De acordo com a divulgação nas redes sociais, a caravana é “contra os ‘filhos da pauta’ Davi e Maia!”, referindo-se aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara Federal, Rodrigo Maia.

Deputados federais, como Alexandre Frota, querem saber quem está por trás financiando a caravana. “Tá pegando fogo é na Amazônia e na Austrália (…) Bolsonaristas vão começar cedo. Filhos da Pauta”.

Sem alarde, Moro determina aumenta no salário da elite da Polícia Federal

Da coluna Painel, da Folha de S. Paulo:

No sapatinho Sem alarde, o ministro Sergio Moro (Justiça) acaba de dar aumento à elite da Polícia Federal. Medida provisória publicada na última semana reestrutura cargos e, silenciosamente, distribui aumentos e gratificações.

No sapatinho 2 Superintendentes regionais sobem um degrau na remuneração do setor público, e chefes de cartórios e de núcleos de operação passam a receber um bônus. É um afago à categoria que havia se ressentido pelo ministro ter concedido benefício apenas à Polícia Rodoviária Federal.

A reclamação dos caminhoneiros

Wanderlei Alves, o Wanderlei Dedeco (foto), que foi candidato a deputado federal pelo Podemos do Paraná em 2018, volta à cena com o possível aumento do preço dos combustíveis.

Ontem ele foi citado pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, em nota intitulada “Quem te viu”. A nota: “Dedeco, uma das lideranças da categoria no Sul, afirma que Bolsonaro perdeu a coragem que dizia ter na campanha eleitoral. “O preço do combustível não pode acompanhar o dólar”, diz”.

A reclamação dos caminhoneiros é que o preço já está alto e qualquer reajuste extra, “mesmo que em percentual pequeno, pode entornar o caldo”.

Elio Gaspari: Não se deve confiar nos balanços de vendas de fim de ano

Vendas comercio

De Elio Gaspari, hoje na Folha de S. Paulo:

O ano de 2019 deixou uma lição: não se deve confiar nos balanços de vendas de fim de ano divulgados pelas guildas de comerciantes.

A Associação dos Lojistas de Shoppings festejou um crescimento de 7,5%, e a Associação Brasileira de Lojistas Satélites disse que 70% das lojas tiveram movimento menor, enquanto 30% registraram pequena melhora.

As duas guildas divergiram, mas concordaram num ponto: suas estimativas têm algo de palpite.

As regalias do Planalto

palacio planalto

De Roberta Paduan, na Veja desta semana:

A imagem mais conhecida do Palácio do Planalto, sede do governo federal, em Brasília, é o edifício modernista projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1960. Diante de tanta beleza, a maioria das pessoas nem chega a notar o conjunto de prédios construídos do lado direito, abaixo do nível da rua. Os três anexos — além de um restaurante, operado pelo Sesi — são conectados ao palácio por um túnel e formam um conjunto arquitetônico bem menos exuberante que o lugar de onde despacha o presidente da República. Mas é essa área pouco conhecida que abriga uma grande e surpreendente estrutura. Ela inclui um mini-hospital com profissionais de diversas especialidades e um laboratório próprio. Há também por ali cinco consultórios odontológicos. Os serviços só atendem funcionários do palácio e seus familiares. Por falar em funcionários, o total de empregados do palácio é 3 234. O exagero fica evidente na comparação com seus equivalentes americanos, a Casa Branca e o Edifício Eisenhower. Juntos, eles abrigam as equipes dos principais auxiliares do presidente dos Estados Unidos e somam aproximadamente 2 000 servidores.

No início do atual governo, ao tomar conhecimento da exorbitância herdada de outras administrações, o então ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, encomendou um estudo para enxugar custos. O primeiro passo era chegar ao número exato de empregados lotados no complexo presidencial, que inclui os ministérios da Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria-Geral, Secretaria de Governo e Vice­-Presidência. Ao saber que havia por lá mais de 3 200 servidores, Bebianno começou a afiar o facão. Só a folha de pagamento soma 160 milhões de reais por ano, de acordo com a administração do palácio. O custo anual sobe para quase 250 milhões quando se consideram as demais despesas de custeio para a manutenção da estrutura palaciana. “Meu objetivo era reduzir esse número em 30% em uma primeira fase e chegar a 50% no fim da reestruturação”, diz Bebianno. Na época, ele conseguiu obter o apoio de Vicente Falconi, um dos maiores consultores brasileiros em administração, que se dispôs a ajudá-lo na tarefa gratuitamente. Leia mais.

Teve mais dinheiro de Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro

A informação é de Ricardo Noblat: Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, depositou na conta de Michelle, a mulher do presidente Jair Bolsonaro, mais que os R$ 40 mil descobertos e admitidos no ano passado.

Segundo ele, tratou-se de dinheiro que havia emprestado a Queiroz e devolvido em 10 suaves prestações mensais. Não explicou por que Queiroz precisara do empréstimo se tinha movimentado em sua própria conta mais de R$ 1 milhão só no ano passado.

“Investiga daqui, investiga dali, descobriu-se que Queiroz depositou na conta de Michelle pelo menos R$ 60 mil. Talvez um pouco mais. O sigilo bancário da mulher de Bolsonaro não foi quebrado, mas a Constituição não impede que seja”.

(Foto: Valter Campanato/EBC)

Propaganda de condenado

O presidente Jair Bolsonaro fez questão de manifestar solidariedade ao empresário Luciano Hang, que teve a estátua de plástico de uma de suas lojas queimadas no final de ano.

Na mensagem ele apareceu vestido com a camisa do Cascavel e, como observou o jornalista Leandro Prazeres no , tem entre seus patrocinadores, além da Havan – que se expandiu com empréstimos feitos durante os governos petistas -, a Eucatur, empresa de transportes ligada ao senador Acir Gurgacz (PDT-RO), condenado à prisão por crimes financeiros.

A propósito, o presidente até agora não se manifestou sobre o atentado sofrido pela produtora do canal Porta dos Fundos, que colocou vidas em risco. Nem ele nem o maringaense Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública. Um dos envolvidos é Eduardo Fauzi, filiado ao PSL e procurado pela Polícia Civil, que oferece recompensa por informações que o levem à sua prisão.

Grupo reivindica autoria de atentado no Rio

Começou a circulou hoje nas redes sociais um vídeo em que um grupo que se denomina Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira reivindica o atentado à produtora do canal de humor Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro.

No vídeo, em que três homens aparecem usando bataclava e com voz distorcida digitalmente, o grupo chama o atentado de “ação direta revolucionária”.

O atentado, segundo eles, foi para “justiçar os anseios de todo povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica que o grupo de militantes marxistas Porta dos Fundos tomou quando produziu o Especial de Natal a mando da mega corporação bilionária Netflix”.

Às autoridades – em especial, ao maringaense Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública – cabe investigar os responsáveis pelo atentado e desmantelar o que parece ser um grupo terrorista organizado nos últimos tempos no país, aproveitando-se do desleixo aos direitos fundamentais do Estado em relação aos que não se alinham a uma suposta ideologia de direita.

O que chama a atenção, além de um texto longo e do visual de camisas verdes, que remetem aos integralistas, vistos recentemente em ato público em São Paulo, é que o vídeo traz cenas do atentado, feito com bombas Molotov. A polícia já tinha imagens da região mostrando que ao menos três pessoas participaram do atentado.

Pacote anticrime é sancionado com vetos

O presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto lei conhecido como pacote anticrime. O despacho foi publicado na noite de ontem (24), em edição extra do Diário Oficial da União. Houve 25 vetos à matéria aprovada pelo Congresso.

O pacote reúne parte da proposta apresentada no início deste ano pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e trechos do texto elaborado pela comissão de juristas coordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Entre os pontos que foram vetados estão o aumento de pena para condenados por crimes contra a honra cometidos pela internet, o aumento de pena para homicídios cometidos com arma de fogo de uso restrito, que poderia envolver agentes da segurança pública.

Foi mantido o texto principal sobre o chamado juiz de garantia. Com a medida, aprovada pelo Congresso, o magistrado que cuida do processo criminal não serâ responsável pela sentença do caso.

Todos os vetos foram justificados em mensagem encaminhada ao Senado. As razões também foram publicadas no Diário Oficial. (EBC)

(Foto: Wilson Dias/EBC)