Opinião

Résultats voyage en France

De José Fuji:

Pprometi que iria cobrar o resultado da nova investida internacional para solução de nova tecnologia de processamento do lixo de Maringá e agora venho a este espaço pedir esclarecimentos, se for em forma de ‘audiência pública’, na casa de leis, a Câmara Municipal de Maringá, seria melhor, pois ficaria registrado, não é senhor veredor Heine Macieira?

Em tempo quanto custou ao erário esta viagem, ou já está no Portal de Transparência?

Algo se moveu, porém, continuamos sem entender!

De Jorge  Ulisses Guerra Villalobos:

Terminei de ler um texto de Clóvis Rossi (“Algo se move, mas o que é?”, sábado 26 de março de 2011, Folha de S. Paulo), gosto do estilo dele que é direto e sempre provocativo, no sentido de despertar no leitor algo novo a respeito de temas educacionais. Certamente uma questão no centro do debate quando falamos de desenvolvimento. O artigo que comento trata das modificações sociais que têm sua causa imediata nas atitudes dos jovens da denominada “geração economicamente frustrada”. Essa geração é aquela nascida em meados dos anos 80 e que hoje com os estudos superiores concluídos busca no mercado de trabalho emprego e não estágio. Que, aliás, também deseja uma moradia para deixar a casa dos pais, e montar o cantinho, porém a moradia está cara, o transporte caro e o combustível cada vez com mais água para manter uns preços relativamente acessíveis. Continue lendo ›

O declínio do municipalismo

De Rudá Ricci:

Nos últimos dez anos o Brasil mergulhou em transformações profundas. Somos a 7ª potência econômica mundial (entre 205 países) e nos transformamos em um país de classe média. Mas há mudanças em curso não tão auspiciosas e pouco visíveis aos olhos do grande público. Uma das mais preocupantes é a concentração do orçamento público que resulta no declínio dos municípios como entes federativos autônomos. Estamos nos aproximando, em termos da lógica orçamentária pública, do modelo não-federativo do Chile. Trata-se de uma lógica, uma opção política do nosso país. Segundo o Observatório da Equidade do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o maior orçamento per capita municipal do país é 41 vezes maior que o menor orçamento. Ainda segundo a mesma fonte, os 20% mais pobres recebem das transferências intragovernamentais, em média, 850 reais per capita e os 20% mais ricos chegam a 1.700 reais per capita. No caso do repasse dos royalties, a relação é de 74 reais per capita para os 20% mais pobres para 142 reais per capita para os 20% mais ricos. E, finalmente, chegamos ao repasse do Fundo de Participação dos Municípios: os 20% mais ricos recebem 289 reais per capita e os 20% mais pobres apenas 190 reais per capita. Continue lendo ›

A irremediável burguesia religiosa

De Ricardo Gondim:

Se não me falha a memória, a frase é do Cazuza. “A burguesia fede, mas tem os seus encantos”. Pela classificação mais ordinária dos cidadãos brasileiros, nasci na classe “C”, isto é, no andar de baixo desta burguesia. Designado para viajar nos vagões mal cheirosos que ficam atrás do trem, minha infância não teve tantos mimos. Cresci sem automóvel (eu tinha 17 anos quando papai comprou um carro), sem frequentar lanchonete nos fins de semana e sem vestir roupa de grife. Não, nunca fomos pobres; tínhamos segurança alimentar e uma grande família com tios que chegaram junto na hora do sufoco. Mas, para entrar no baile de adolescente na vesperal do Clube Náutico, eu precisava pular o muro; para chupar um picolé no intervalo da aula, tinha que ir para o colégio a pé e para comer maçã, adoecer. Na íntegra.

Ainda dá tempo…

Do padre Júlio Antônio da Silva:
A Campanha da Fraternidade deste ano coloca-nos diante do grave estado do planeta terra. Somos convocados a olhar a mãe terra e perceber como estamos contribuindo para o fenômeno do aquecimento global e as mudanças climáticas. Esta preocupação da Igreja parte de um princípio ligado ao desejo de Deus que, desde o início da criação, entregou a administração do planeta nas mãos humanas. Contrariamente, porém, surgem desejos espúrios e a ganância desenfreada de pessoas e sistemas que corrompem, degradam nossa casa comum e comprometem sua “saúde”.
Somos convocados a reflexão. Mas, mais que isso, a buscarmos atitudes alternativas para salvar o salvável. Sabemos que as soluções não são tão simples, pois chegamos a um patamar complicado, resultante de um estilo de vida altamente dispendioso em materiais e em energia que se difundem por aí e degradam os bens criados. Na íntegra.

Cidadania

Do padre Orivaldo Robles:

Um episódio do “Globo Repórter” de 1997 documentou o trabalho infantil. Ergueu o tapete que cobria nossa sujeira e revelou um quadro de vergonha e nojo. Chocou nossa cultura burguesa dar de cara com imenso bando de crianças desnutridas e maltrapilhas, esmagadas pela brutalidade de um trabalho muito superior às suas forças. Longe da escola e dos folguedos infantis, sujeitas a cargas desumanas até para ombros adultos. “Isso é vida de criança?” questionou, desesperançada, uma das pequenas vítimas. A situação despertava pesar até em profissionais da televisão acostumados, por ofício, a retratar a miséria.
Mais surpreendente que tudo, porém, pareceu-me a resposta de um garoto coberto de sujeira e de suor ao repórter curioso sobre o que ele pretendia ser quando adulto. Seca como a terra que pisavam seus pés descalços, cortante como peixeira da caatinga, em duas palavras, escandiu com voz clara e triste: “Um cidadão”. Na íntegra:

A movimentação política lá e cá

De Valdir Fries:

Tudo promete, Obama já esta no Brasil acompanhado de uma comitiva de cerca de 1.000 integrantes, com objetivos que envolvem a política externa de interesse dos dois países. Mesmo amordaçados pela direção nacional, os PeTralhas mais ligados a ditadura comunista se expressam através de carta contra a vinda de Obama. Já o Partido Verde se desentende com Marina Silva, a qual agora fica a deriva e junto com Fernando Gabeira e outros militantes históricos do PV devem acompanhá-la para junto de outra moita, caso não se reestruture/renove a direção do partido conforme havia sido previsto quando Marina ingressou ao PV. Leia mais.

Violência em blitz

Do leitor:

Por que será que a Polícia Militar não aprende nunca que violência gera violência? Será que, para que uma blitz tenha sucesso, tem que impor violência na revista, chutando as pessoas, gritando, ofendendo os cidadãos? Pois bem, é isso que se tem visto nas blitze da PM em qualquer ambiente, seja em bares, lanchonetes, nas ruas, etc. Ora não é porque um cidadão está num bar que ele é mal elemento, aliás, policiais não bebem? Que hipocrisia é essa, ao invés deles darem segurança no dia a dia, que quando a gente liga no 190 eles sempre demoram para atender e, quando atendem, eles ficam esculachando as pessoas que pagam o salários deles. Continue lendo ›

O triste fim de uma história

De Danilo Roque:

Indispensável à administração da justiça, nas palavras da própria Constituição Federal de 1988 em seu art. 133, o advogado é, salvo em raras exceções, essencial e obrigatório em todas as causas judiciais. Diversas vezes, contudo, principalmente por motivos financeiros, torna-se impossível que a pessoa constitua-o de forma particular. Para esses casos há – ou pelo menos deveria haver – em todas as unidades federativas a Defensoria Pública Estadual. Paraná e Santa Catarina são os únicos estados da República Federativa do Brasil que não possuem esse órgão de suma importância à defesa dos cidadãos. O bem protegido transcende à mera administração da justiça, resguarda os interesses do cidadão atendido, sua dignidade, prima pela ampla defesa. Para tentar contornar essa situação, criou-se na Universidade Estadual de Maringá o Serviço de Assistência Judiciária no ano de 1981  (SAJ), atendendo pessoas de nossa comarca, que, além de Maringá, inclui Floresta, Floriano, Ivatuba, Doutor Camargo e Paiçandu.
O SAJ, em seu auge, atendia 900 casos por mês, 10.000 por ano! Contou com um quadro de treze advogados, além dos estagiários. Oferecendo um serviço de grande qualidade, possibilitou que inúmeras pessoas tivessem garantidos direitos nas áreas cível (execuções fiscais, indenizações), família (reconhecimento de paternidade, alimentos, execução de alimentos, divórcios) e criminal (acompanhamento de todo o processo).Continue lendo ›

Restos a pagar, o jeito PT de governar

De Valdir Fries:

Para quem não sabe, “restos a pagar” é o termo usado na esfera da administração pública, utilizada cada vez mais à cada ano desde que o PT passou a “governar” o Brasil. A cada ano que se passa tudo se inclui no Programa de Aceleração do Crescimento, muito se promete, pouco se contrata, quase nada é liberado, muito menos se paga. “Restos a pagar” é todo compromisso dos governos, contratado para ser executado pelo próprio, ou compromissos de convênios firmados pela União para repasse de recursos do OGU aos estados e principalmente para os municípios. Convênios firmados entre o governo federal e os municípios, ainda em 2009, não foram pagos em 2010 e ficaram inscritos em “restos a pagar” com recursos do Orçamento Geral da União do exercício de 2011. Já estamos em meados de março e nada foi cumprido até então, o que deixa prefeitos de todo o Brasil de orelhas em pé e cabelos arrepiados, sabendo-se que mais de 50% de seus mandatos já voou ao tempo e pouco conseguiram fazer em relação ao que consta de seus “planos de governo”. Na íntegra.

Festa sem fim

Do padre Orivaldo Robles:

Inútil negar a evidência de que somos um povo festeiro. Para muita gente, de dezembro ao Carnaval, a vida é só festa. A atenção se volta para passeios e compras, fazendas e chácaras, viagens e praias, noitadas e curtições de calibres vários. Isso tudo “y otras cositas mas”: a palavra festa conhece muitas traduções. Aplica-se a tudo o que causa prazer e alegria de momento. Mesmo que, depois, surjam consequências desastrosas. Pessoas usam o vocábulo para definir situação em que acreditam aceitável a prática de absolutamente tudo o que vier à mente, ainda que alguns “caretas”, segundo afirmam, torçam o nariz. A parcela maior do povo rala, de cedo à noite, todos os dias. Não se pode permitir o luxo da diversão. Há quem sequer no sábado e no domingo descanse direito. Precisa pôr na mesa o pão e o leite, o arroz e o feijão da família. Para esses, falar de festa não faz sentido. Leia mais.

Governo estadual precisa reconsiderar agenda para a educação

Do deputado estadual Enio Verri (PT):

Ao contrário dos últimos anos, o ano letivo de 2011 nas escolas estaduais está começando com preocupação. Em dois meses, o governo estadual adotou medidas que pouco colaboraram para o bom andamento do sistema educacional no Paraná. Ao invés de dinamizar o sistema, proporcionando mais eficiência e qualidade, as primeiras medidas para a educação criaram apreensão e dúvidas em professores, funcionários, pais e estudantes. Na íntegra.

Amigos

Do padre Orivaldo Robles:

Amo meus amigos. Pouco numerosos, é verdade, mas todos munidos de raras grandezas. Não me incomodam os seus defeitos. Melhor seria, é óbvio, que os não tivessem. Quem sou eu, porém, para botar reparo? Não estou em condição de a ninguém cobrar perfeição. Fosse o mesmo de mim exigido, amigo nenhum eu teria. Muito mais do que eu com eles, acredito sejam eles condescendentes comigo. Entendo que amigo não julga. Simplesmente aceita. Perdoa as fraquezas do outro e oferece apoio para a sua superação. Parafraseando São Paulo, a amizade “tudo crê, tudo suporta, tudo espera”. Assim são meus amigos. Sofrem com meus defeitos e fazem o que podem para me ajudar a corrigir-me. Na íntegra.

O Direito e a intolerância de pensamento

De Paulo Vidigal:

Gostaria respeitosamente de compartilhar, principalmente com meus colegas acadêmicos, uma modesta reflexão. É de conhecimento de todos que na próxima semana teremos aula apenas na quinta e sexta.  Na sala de aula participamos de uma discussão (no melhor sentido da palavra) que tinha como objetivo que todos fossemos “unidos” e faltássemos à aula nesses dois dias para que ninguém ficasse com falta.  Esse foi o argumento utilizado: a união, a vontade da maioria sobre a vontade da minoria.  Ficou claro que os que fossem contrários estariam contra a vontade da maioria. Na minha opinião, todos têm o livre arbítrio de fazer suas escolhas. Nesse caso especificamente, o direito decidir se vão à aula ou não. Por outro lado, aqueles que como eu decidiram ir à aula nesses dias, devem ter seu direito e sua decisão respeitada. Pense: algum acadêmico pede autorização a outro para faltar à aula? É claro que não. Apenas falta e assume a responsabilidade do seu ato. Na íntegra.

Por que não valorizar as auxiliares de creche?

De leitora:

Sou mãe e preocupo-me com a educação de meu filho. Fiquei sabendo que as auxiliares de creche ficaram excluídas do Plano de Carreira. A partir daí estou sempre acompanhando o Blog do Sismmar sem contar que procurei acompanhar todos os movimentos em prol dos direitos das mesmas. Fiquei indignada com o desabafo de uma delas pois que, acompanho a rotina de meu filho e reconheço o quanto são importantes para a formação dele e de muitas crianças maringaenses. Por que a atual gestão fez tantas propagandas sobre a educação municipal e não valoriza estas profissionais que tem nossos filhos como seus? Na reunião dos pais e no dia a dia na porta quando entrego meu filho vejo o carinho que estas profissionais tem pelas crianças. E por que não valorizá-las?Continue lendo ›

A nossa casa comum

Do padre Júlio Antônio da Silva:

O biólogo alemão Ernest Haeckel (1834-1919) criou a palavra ecologia e definiu-lhe o significado: o estudo do inter-retro-relacionamento de todos os sistemas vivos e não vivos entre si e com seu meio ambiente, entendido como uma casa, donde deriva a palavra ecologia. Não custa lembrar que esta palavra vem da língua grega, “oikos”, que significa: casa. De um tema periférico, quase que como um subcapítulo da biologia, nestes últimos tempos, passou a ser um discurso de grande peso universal. Capaz de mobilizar grandes massas e de provocar grandes discussões. Não é sem razão que existem, legalmente estabelecidos, os dias ou semanas do meio ambiente, o dia da ecologia etc. Na íntegra.

Um circo e tanto

Neste domingo, nós maringaenses fomos presenteados com um grandioso espetáculo. Enquanto estávamos nos preparando para uma simples e rotineira eleição, o que se mostrou ao final do dia foi um verdadeiro Deus nos acuda. Para os possuidores de narizes atentos, algo já não cheirou bem no momento de início de campanha, sendo visível a disparidade entre os materiais de campanha proporcionados aos candidatos. Era carro de som contra carriola e panfleto contra outdoor. Mas… como todo bom circo, isso era apenas os preparativos, ainda tinha muito por vir. Continue lendo ›

O “exemplo” da cidade pioneira do Conselho Tutelar

De Marcos Nascimento, adolescente participante do Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná:

A eleição para conselheiro tutelar, realizada neste último domingo em Maringá, deveria ter sido um exercício de cidadania, mas na minha visão, e também na da grande maioria dos adolescentes residentes neste município, foi um fracasso, um completo fracasso. Falta de agilidade e locais de votação, falta também de pessoal preparado para exercer a função de mesário, falta de cédulas, para os locais de votação, casos de pessoas votando em diversos lugares, alguns casos isolados de problemas nos computadores, faixas de divulgação das eleições em locais errados, pessoal tendo que votar em envelopes por falta de cédulas, atraso na chegada das urnas, e para fechar com “chave de ouro”, houve atraso na apuração dos votos, onde um princípio de tumulto marcou o início da mesma, havendo a necessidade de presença da polícia para acalmar os ânimos.Continue lendo ›

Um a um no jogo do amor

De Maria Newnum:

Carlos Drummond de Andrade escreveu nas linhas de seu poema Amar verbo intransitivo o seguinte: “Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida… […] Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.”
Em Amar verbo intransitivo o poeta aponta o amor em sua profunda essência, ou seja, em tudo aquilo que supera o primeiro encontro “do olhar que faz o coração parar de tesão”, ou seja, a tensão física que é tão peculiar nos primeiros beijos, mas que, com o tempo se estabiliza e conduz ao que é real na vida a dois. E é nesse vácuo de tempo que se dis-tingue o “amor profundo” das “tensões sexuais”. Vale dizer que ambos os momentos são bons e saudáveis, mas, é preciso em algum momento escolher o que é fundamental para “eternizar-se” até que dure o amor. E o poeta continua: “Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te der uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida”. Falemos sério! Isso é amor! Continue lendo ›

Rezar?

Certo é que para alguns a ação de rezar é uma via espiritual que objetiva principalmente reencontrar Deus, ideia essa que se inspira na possibilidade de acesso ao conhecimento vindo diretamente de uma entidade superior. Essa Luz Divina ingressaria, por Graça, na nossa mente, esclarecendo os pensamentos e ações, para que inspirados, assim, pelo bom pensar e agir, continuemos a tarefa. Esse parece ser também o entendimento de Akino. Uma vez que ele disse “rezar” para que seja iluminado certo político. Sendo que esse pedido, realizado pelo crítico social, não o faz para si mesmo, o que demonstra, não somente a boa vontade desse ilustre cidadão, como também seu espírito cristão e republicano, uma vez que ele deseja que outro que tem o dever, receba uma bênção, para cumprir suas obrigações. Vale lembrar que o caminho escolhido pelo vereador já foi disciplinado no seu rumo, e que para esse agir o político jurou pessoalmente o seguinte: “Prometo cumprir a Constituição Federal, a Constituição do Estado e a Lei Orgânica do Município, observar as leis, cumprir o mandato que me foi confiad9o, trabalhando sempre pelo progresso do município e bem-estar de seu povo”.
Assim, meu estimado Akino, entendo que não é questão de rezar ou pedir. É tempo de demandar por quebra de decoro.

Jorge Guerra Villalobos

A trajetória esquerdista do governador José Richa

De Laércio Souto Maior, meu primeiro editor, no  Jornal Água Verde, de Curitiba:

Às vésperas do golpe militar de 1964, o jovem líder estudantil, recém formado em Odontologia, José Richa, foi eleito deputado federal pelo Partido Democrata Cristão (PDC), indo compor a ala esquerda do seu partido. Dois anos depois, os militares através do Ato Institucional nº 2 (AI-2), dissolveu os partidos políticos fundados para disputar as eleições da Constituinte de 1946. Emergiram no lugar dos velhos partidos duas agremiações criadas artificialmente para atuar politicamente no período ditatorial: a Arena (governista), e o MDB(oposição). No Paraná, a reunião que decidiu pela fundação imediata do MDB, realizou-se no centro da cidade de Londrina, dentro de um fusquinha. Participaram do histórico encontro o deputado federal José Richa, pelo PDC; o deputado federal Renato Celidônio [de Maringá], pelo PTB; o deputado estadual Sinval Martins, pelo PSD; e o corretor de café, Zízimo de Carvalho, pelo Partido Comunista Brasileiro – PCB. Continue lendo ›

Oração hoje?

Do padre Orivaldo Robles:

Manhã úmida e fria. Fato estranho para o mês de dezembro. Na verdade, uma exceção. Passam dez minutos das seis horas. Ontem choveu o dia inteiro. Amanheceu escuro. Uma cerração de cortar com faca. Difícil enxergar além de cinco metros. Estugo o passo para chegar logo à Catedral. Sinto que devia ter vestido uma jaqueta. Mas como ia adivinhar esse friozinho de mês de julho, aqui fora? Agora, o jeito é enfrentá-lo de camiseta e braços pelados.
Nessa hora, quase ninguém na rua. Até os caminhantes matinais de outros dias, receosos, quem sabe, de um resfriado, parecem ter preferido o recolhimento de sua casa e o calor de sua cama. Assim que começo a atravessar a praça, do meio da neblina, emerge um vulto de contornos indefinidos. Caminha na minha direção. Procuro disfarçar o susto que levei. na íntegra.

O bom dia do flanelinha

De Ronaldo Nezo:

Geralmente, estaciono meu carro num lugar livre de Estar (o estacionamento regulamentado de Maringá) e num horário em que chego antes do flanelinha. Hoje, porém, já não havia vagas. Ao trocar de “endereço”, ganhei meu primeiro “bom dia” de um “guardador de carros”. Confesso que o “bom dia” dele me deixou intimidado. Uma aproximação rápida, inesperada e um resmungo não é o tipo de boas-vindas que a gente busca. Ainda mais quando o dia mal está começando. Mesmo desconfortável, agradeci. Ele não gostou. Balbuciou mais algumas palavras. Não entendi nada e segui em frente. Na íntegra.

A Líbia não é o Egito

De José Gil de Almeida (muito maringaense tem o Livro Verde graças a ele):

O Egito sempre foi uma ditadura (a mídia só descobriu isto semanas atrás, quando começaram os levantes populares naquele país), enquanto que a Líbia é governada pelo povo, pelos Congressos e Comitês Populares, apoiados pelos Comitês Revolucionários. As riquezas do país são divididas entre a população. O povo tem o poder e as armas. A terra é de quem trabalha a terra. Não tem assalariados, mas sim associados. Não existe locação de imóveis: a casa é de quem mora nela. Isso faz com que o povo defenda sua Revolução Al Fateh a todo custo, inclusive com a própria vida. No Egito era – e continua sendo – exatamente o contrário: cada político é um ladrão insaciável; cada meio de comunicação é um papagaio de pirata do imperialismo e do sionismo. Na Líbia não tem políticos corruptos, verdadeiras quadrilhas organizadas dominando Assembléias Legislativas, Congressos Nacionais, Câmaras de Deputados e Vereadores. O povo se reune em Congressos Populares e decide as questões que lhe interessa, sem atravessadores, sem políticos representantes. Esta é a grande diferença entre a Líbia e o Egito, por isso, a Líbia não é o Egito e povo líbio saberá defender suas conquistas revolucionárias à qualquer custo. Na íntegra.

“Crueldade auditiva”

Do leitor:

Em meio a tantos problemas, parece irrelevante o que vou colocar, mas acredite, para mim é um transtorno fazer supermercado em Maringá. Parece que todos os gerentes de supermercados de Maringá acreditam piamente que todo maringaense gosta de música sertaneja e “dá-lhe música sertaneja”, o dia todo. Tenho certeza que é para agradar o cliente, mas eu não gosto de música sertaneja, gosto sim de música caipira, de samba, de jazz, de blue, de rock, bossa nova e tantas outras. Toda vez que vou ao supermercado sofro uma crueldade auditiva, só há música sertaneja, não varia nunca: é do começo ao fim. Digo crueldade porque fazer supermercado é uma necessidade. Após um dia de trabalho, dentro do meu tempo limitado, sou obrigada a fazer compras ouvindo um tipo de música que me causa irritação. Já troquei várias vezes de supermercado, mas não encontro opção.Continue lendo ›

E tudo era muito bom

De padre Júlio Antônio da Silva:

As mudanças do planeta – sobretudo o desarranjo do clima -, a crise das ciências, a falta de referências claras entre a pessoa e o cosmos e tantos outros fatores complexos que enfrentamos geraram um forte e novo sentido na compreensão do movimento ecológico mundial. Mais que a um conceito, o termo ecologia traduz e significa toda a somatória de ações e gestos éticos que defendem o respeito a todos os seres vivos, para manter o equilíbrio do ecossistema e buscar o tal “desenvolvimento sustentável”. Na íntegra.

Deus quis assim

Do padre Orivaldo Robles:

– Eram quatro irmãs jovens e lindas. Iam dos 16 aos 23 anos, mas não aparentavam. A caçula passaria por uma criança de 13. Não tinham antes chamado, de forma especial, minha atenção. Eu as via entre os frequentadores das missas dominicais. Era de onde me conheciam. Agora, entram na sala de atendimento as quatro de uma vez. À minha frente, quatro rostos de grande beleza e profundamente tristes. Sua história me encheu de dor. Também de revolta com gente que fala o que não sabe. Eram de uma cidade distante 130 quilômetros de Maringá. O pai aqui as colocara para estudarem. A mãe se dividia entre marido e filhas; mais tempo para elas do que para ele. Proprietário rural trabalhador, ele dava duro, de segunda a sexta, no sítio, mas o final de semana era da família. Na íntegra.