Opinião

A privilegiada

Do padre Júlio Antônio da Silva:

Desde a Igreja nascente,  Maria de Nazaré ocupa um lugar preferencial no coração do povo de Deus. Não é sem razão que a primeira leva de cristãos entende que Deus marcou com sua graça a vida dessa mulher. Desde o início da vida da Igreja,  Maria é tida como “cheia de graça” (Lc 1,28). Termo traduzido por São Jerônimo na primeira tradução popularizada das Escrituras Sagradas. Mas que, originalmente, em grego, faz-nos entender a extensão da expressão bíblica. Na língua grega o texto bíblico fala de “kecharitoméne”. Que além de significar  “cheia de graça” (gratia plena), significa, também, privilegiada, gratificada, contemplada. E no contexto de Lucas a expressão leva-nos a descobrir uma realidade maior que a própria humanidade daquela jovenzinha de Nazaré. Ela foi acarinhada interiormente por uma presença plena do Espírito de Deus que tudo transforma. Foi contemplada pela força do alto (Lc 1, 35). Isto mesmo, com-templada. Na íntegra.

Dia de quais mães?

Do padre Orivaldo Robles:

Como na semana passada, uma trova pescada no fundo do baú. Não sei se de Bastos Tigre, Belmiro Braga, Archimimo Lapagesse ou de outro. É sobre mãe: “A mãe que hoje nós temos/É como a luz, meu rapaz:/Só quando falta é que vemos/A falta que ela nos faz”.
Nos últimos quarenta anos, é meu primeiro Dia das Mães sem poder vê-la. Ainda estranho quando entro em seu quarto vazio. Quando nos deixou, na tarde de 7 de setembro, uma paz doce cobriu nossa casa. Vimo-la definhar de forma inexorável, amargurada e sofrente, apesar do nosso desvelo. Nada mais havia que fazer. Já nem tentávamos disfarçar as lágrimas, quando a víamos chorar rogando a Deus que a levasse. Ele decidiu que era hora de atendê-la. Na íntegra.

Taí a solução

Leitor apresenta a solução para o problema da coleta de lixo em Maringá, sem precisar de terceirização. É só voltar aos tempos de 2006. Pelo menos, observa, veremos o prefeito e assessores fazendo alguma coisa realmente útil para a cidade.

(Foto: Toscorama)

João Daniel, o bombeirinho de Maringá

Do jornalista e escritor Luiz Andrioli:

A fantasia de uma criança pode transformar a realidade. Meu mais novo herói tem 5 anos. É João Daniel, que espera por um transplante de medula óssea. Ele quer ser bombeiro quando crescer. E por isso foi carinhosamente “adotado” pela corporação em Maringá, no Noroeste paranaense. Em um momento mágico e surpreendente, o garoto foi resgatado através da janela do hospital pelos bombeiros em uma escada usada em salvamentos. O garoto mobilizou a comunidade pela sua luta, compartilhada com outras duas mil pessoas em todo o brasil. Doadores existem, temos mais de um milhão e meio cadastrados no Brasil. O problema são as chances de compatibilidade, muito pequenas. Grande tem que ser a força de quem aguarda. Por isso, a esperança deste menino comove. Na íntegra.

Código florestal debaixo do martelo e da foice

Vale entender que a discussão substancial do Código Florestal não trata de propriedade rural, grande ou pequena. Ele  trata de território como espaço de gestão de bens e sua função socio-ambiental, ou seja, são recursos ambientais que implicam de forma direta à sadia qualidade de vida do povo brasileiro. Uma vez que esses bens ambientais formam Biomas que são espaços físicos do território que incluem fauna, flora e suas interações entre si e o ambiente físico: solo, água e ar, abrangendo inúmeros estados da federação. O povo brasileiro é dono de uma das biodiversidades mais ricas do mundo. Porém, do bioma de Mata Atlântica somente restam 7% do total. Isso significa que perdemos até agora território, qualidade de vida e segurança ambiental, uma vez que não é somente o desmatamento que destrói, pois também são os agrotóxicos dos quais hoje somos campeões mundiais de produção e consumo. Perdemos com tudo isto um aspecto substancial da Soberania uma vez que se atinge a durabilidade e qualidade do espaço nacional.
Politicamente incorreto o deputado federal por São Paulo Aldo Rebelo, do PC do B, relator do Código, que certamente bem conhece a teoria marxista e poderia lembrar que Marx escreveu na ideologia alemã “aquilo que os indivíduos são depende das condições materiais da sua produção”. Assim, deveria entender-se que a Terra não é um simples suporte produtivo, uma vez que ela é base da existência material do ser humano e de sua dignidade. Por tanto, equivocados  estão aqueles que de forma míope insistem em continuar destruindo aquilo que não lhes pertence, mas do qual são somente fieis depositários para as presentes e futuras gerações.

Dr. Jorge Ulises Guerra Villalobos
Universidade Estadual de Maringá

Os devaneios da Maringá do raio de 5 km da Catedral

De Carlos Rico:

Nesses dias de aniversário, de alguma data comemorativa, de algum feriado importante, chovem textos sobre os mesmos assuntos. Mas minha intenção não é fazer reverências à “Cidade Canção”. Esse trabalho fica pra quem consegue ver só as maravilhas de uma das cidades mais bonitas do Brasil, nesse mês em que comemora-se 64 anos de sua fundação. São muitos os elogios,os louvores,de quem vê a cidade somente no raio de 5 km a partir da Catedral, principal ponto turístico da cidade. As ruas limpas, os canteiros centrais das avenidas com belos jardins, a segurança mantida pela polícia e pela guarda municipal. O Parque do Ingá, esplendoroso, com seus mais de 47 hectares de floresta conservada, onde, feliz e despreocupadamente,se reúne a classe média na sua certeza de viver no paraíso. Mas a cidade não é só beleza e prosperidade, não é? Pra quem vive no conforto da segurança da sua classe social, é. Agora, quem quiser colocar à prova todas as suas conclusões dessa Maringá dos sonhos, o Éden brasileiro,basta visitar outras partes da cidade que não o mundinho fantasioso criado nos condomínios de R$ 2.000 mensais. Na íntegra. (novo link)

O fim de Bin Laden

De Hélio Schwartsman:

Quanto mais leio sobre as circunstâncias da morte de Osama bin Laden, menos gosto do conjunto. Até acredito que essa não poderia ter sido uma operação 100% de acordo com o direito internacional. Pedir licença aos paquistaneses, por exemplo, como exigem a boa educação e as leis, teria sido estúpido. É difícil acreditar que o líder terrorista tenha vivido por mais de cinco anos num espalhafatoso complexo ao lado de uma academia militar numa cidade a apenas 50 km da capital sem o beneplácito de gente importante em Islamabad. Na íntegra.

Trânsito na Zona 4

Leitor reclama que passou por uma cena onde comprova irresponsabilidade do trânsito maringaense. “Passei pela rua Luis Gama na Zona 4 e me deparei com com dois carros estacionados na contramão e um parcialmente sobre a faixa. No estabelecimento que fui próximo dali me informaram que foi acionada a Setran e a polícia e em torno de 20 minutos onde nao houve a presença de nenhum agente. Pessoas que trafegam naquela região reclamam das entradas especiais para cadeirantes pois é uma região de clinicas e as pessoas não respeitam as faixas e e essas entradas estacionando os seus carros ali. O trânsito de maringa esta precário, porém quem é pago para auxiliar na melhora não responde as espectativas do público e ainda tentam fazer propaganda institucional para conscientizar pois ainda nao enxergaram que o maringaense só acorda e só melhora quando mexem nos bolsos (os poucos que melhoram).”

Vontade de ajudar

Por padre Orivaldo Robles:

A professora discorria sobre a necessidade de praticar boas obras para tornar melhor a convivência entre as pessoas. Diariamente, afirmava, é preciso fazer algum bem para os outros. Assim, cada um estará contribuindo com sua parcela de esforço para tornar o mundo mais fraterno, mais próximo da paz por todos querida. Após a pormenorizada explicação, quis saber quem podia contar algo bom que tivesse feito nos dias anteriores.
Animado, Joãozinho levantou a mão:
– Eu, professora. Ontem levei pelo braço uma velhinha para o outro lado da rua.
– Muito bem. Está aí um exemplo que todos podem imitar. Devemos sempre ajudar as pessoas nos problemas que, sozinhas, não conseguem resolver.
– É, professora, mas a senhora não sabe o trabalhão que deu. Eu tive quase que arrastar a velha. Ela não queria ir de jeito nenhum! Na íntegra.

Beto Richa já começou a mudar o Paraná

Do deputado Ademar Traiano:

Em poucos meses à frente do governo do Paraná, Beto Richa demonstrou que está à altura do enorme desafio que recebeu e já começou a mudar o Estado. Beto está agindo em várias frentes. Ao mesmo tempo em que promoveu um levantamento profundo da herança recebida dos antecessores, Roberto Requião e Orlando Pessuti, está agindo para mudar o Paraná. O levantamento revelou números assustadores, resumidos em um documento intitulado “Diagnóstico de Gestão”. Recebemos uma situação caótica nos setores chaves do Estado – como educação, saúde e segurança pública. Isso sem falar de um rombo de R$ 4,5 bilhões. Na íntegra.

Os falcões do PT

De Rudá Ricci:
Rui Falcão foi conduzido à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores na mesma reunião em que 80% da direção nacional deste partido decidiram acolher o pedido de refiliação de Delúbio Soares. Esta reunião não foi um mero ato administrativo. Foi a consolidação de uma trajetória partidária que exterminou a via de construção de um partido de massas, com forte controle da base militante sobre a estrutura burocrática e até mesmo sobre parlamentares e governantes eleitos. O PT nasceu sob este signo autonomista, uma cultura política que rejeitava o centralismo do processo decisório o que, por tabela, refutava o centralismo democrático, o neologismo do velho comunismo para definir prazos e controles para discussões internas e a adoção da linha justa que aproximava o partido de uma estrutura militarizada. Na íntegra.

Mais tempo para as florestas

Da ex-senadora Marina Silva:

Proponho que a presidente Dilma faça um chamamento à classe política e à nação para que, nos próximos meses, discutamos uma política nacional para a gestão sustentável de nossas florestas e de nossos recursos naturais. Para tanto, poderíamos adiar o prazo de averbação da reserva legal, previsto para 11 de junho, de forma que tenhamos um ambiente menos tensionado para o diálogo. Cabe ao governo a responsabilidade de colocar o país no caminho da sustentabilidade e impedir o desmonte da legislação ambiental. Na íntegra.

O dia mais importante da sua vida

De Carlão Pacheco:

Caso você esteja acompanhando os blogs, os sites de noticias, as colunas sociais, os telejornais, a imprensa escrita e tantos outros meios de informação no Brasil e no mundo, deve ter percebido que hoje é um dia muito especial. Um dia que vai entrar para a história como um dos mais importantes do nosso tempo. Eu até pensei em escrever sobre cerca de 100 milhões de pessoas que estão sem teto no mundo. Sobre 1 bilhão de analfabetos, 1,1 bilhão de pessoas que vivem na pobreza, sendo que destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta anual bem menor que 275 dólares. Ou sobre 1,5 bilhão de pessoas sem água potável, 1 bilhão de pessoas passando fome, 150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo), 12,9 milhões de crianças que morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida. Continue lendo ›

Maringá na contramão

De José Fuji:

Notícia de primeira página em O Diário de hoje: “Prefeitura prepara pacote da verticalização urbana”. Resumo da matéria, além da contradição do crescimento vertical, é “a liberação de edifícios até mesmo à margem dos “fundos de vale”. Enquanto o mundo faz estudos mais apurados para que o crescimento horizontal seja implantado em áreas urbanas onde a qualidade de vida, na saúde, transporte e segurança, seja mais fácil; enquanto, o mundo preocupa com o meio ambiente, o aquecimento global, preservação dos fundos de vales em suas cidades; enquanto o Brasil preocupado com o meio ambiente lança a Campanha da Fraternidade 2011, cujo tema é: “Fraternidade e a Vida no Planeta” com o lema  “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22), a Prefeitura Municipal de Maringá prepara um pacote de verticalização urbana, até mesmo nos fundos de vale.
Meu comentário: É pacabá!

Carta de um delegado de polícia ao senador Roberto Requião

De Cláudio Marques “Rolim” e Silva:

Olá senador, como vai? Depois do episódio da aposentadoria, já não sei se o chamo de nobre ou “pobre”. Sou o delegado Marques, lembra? Ah, sim, de Paranacity. Lembra agora? Ainda não? Sem querer te irritar, como vai o “Ferreirinha”? Não se preocupe, esta introdução é só para refrescar sua memória. Fique tranqüilo, não serei ofensivo, porque agora que não é mais o governador do Paraná não teria nenhuma graça. Mas senador, o senhor tem que admitir que anda meio, digamos, “nervosão”. Não sei qual ato foi mais tresloucado, o “cavalo-louco” no gravador ou ocupar a tribuna para vociferar contra a imprensa. Só faltou o chapeuzinho ridículo para ficar igual o ditador Kadafi. Uma vergonha para o Paraná. Continue lendo ›

Amar, verbo intransitivo

Do monsenhor Orivaldo Robles:

É o título de um romance, escrito em 1927, por Mário de Andrade. Surpreende, porque amar é verbo transitivo direto. Intransitivo é verbo que  não aceita complemento. Sua ação ou estado permanece no sujeito. Não se completa em algo ou alguém distinto do agente. É fechado em si mesmo, verbo autossuficiente. O mundo está cheio de pessoas que amam de forma intransitiva. Vivem falando de amor, mas o que praticam, de verdade, é puro culto de si mesmo. Só têm em mente a própria satisfação. São incapazes de olhar para outro(a), se não for por interesse. Amar é sair de si para buscar outro(a) a quem se decide fazer feliz. Na natureza do amor está inserida a exigência de abrir mão de si mesmo(a) e de suas conveniências. Amar é jogar o destino nas mãos de outro(a) a quem se entrega, por inteiro, a vida. Na íntegra.

Bem-vinda a Maringá S/A

Do leitor:

A estação rodoviária de Maringá, cuja construção tem apenas 13 anos, mal projetada, não comporta todos os veículos que precisam usar o estacionamento para deixar ou receber passageiros. É o caos todos os finais de semana e a situação agrava ainda mais nos feriados. Ontem, por exemplo, centenas de motoristas que levavam ou buscavam passageiros eram obrigados a estacionar no ponto de ônibus, na avenida Tuiuti. Ao contrário de Londrina, cuja rodoviária foi provida de um amplo estacionamento gratuito, quem quiser uma vaga com mais facilidade na rodoviária de Maringá é obrigado a pagar pelo estacionamento no subsolo que, devido a exploração, fica vazio a maior parte do tempo (prédio público entregue à iniciativa privada – vem aí o Parque do Ingá S/A. A área da extinta estação rodoviária também segue nos mesmos moldes S/A). Em suma: o povo paga para comprar e construir mas se quiser usar, que pague novamente ao novo proprietário. Se o ritmo for mantido, em breve também serão privatizadas as creches, escolas, postos de saúde, câmara e prefeitura (pensando bem, a julgar pelos esquemas e mando político, essas duas últimas já foram privatizadas há mais de uma década).

Privilégios na Igreja?

De Lucimar Moreira Bueno:

Acredito que não deva fazer verse diferença entre lideranças e povo. O exagero nos destaque só cria barreira, gera a auto suficiência de grupo e impõe uma menos importância ao restante. Partilho com vocês alguns acontecimentos que acontece e não concordo e faz necessária uma discussão. Não sei por que, algumas paróquias vão criando divisões dentro da Igreja, dando a um grupo privilégios como se fossem possuidor de algo á mais do que as outras lideranças e todo o povo. Cada vez mais, tenho a convicção que isso causa indignação em muitas pessoas. Esses privilégios ficam visíveis e inaceitáveis principalmente nas celebrações da Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa, Sábado Santo e na celebração de Corpus Christi. Na íntegra.

Tornou-se maldição

Do monsenhor Júlio Antonio da Silva:

No tempo de Jesus, muitas pessoas ficaram perdidas pelo seu jeito de ser. Acreditavam num messias político-partidário, que encabeçaria a tomada de poder para expulsar o imperialismo romano de sua terra. Ao afirmarem que Jesus era “Messias”, o faziam em vista de projetos humanos. A pregação de Jesus respondia a certas aspirações de grupos políticos de sua época, porém, não se conformava totalmente com nenhuma delas. Ele consegue garantir uma postura autônoma e livre diante de tudo e de todos. Na íntegra.

Meu velho

Do monsenhor Orivaldo Robles:

Estivesse vivo, neste mês meu pai completaria 97 anos. Idade tão longa, forçoso é convir, ninguém alcança com vida de qualidade. Sobretudo quem, como ele, arcou com todo tipo de doenças nos seus derradeiros 20 anos. Ainda assim, duro na queda, só se entregou no quarto enfarte. Foi homem extremamente simples. Chegou criança ao Brasil. Como outros chefes de família pobres e sem futuro na Europa, meu avô emigrou da Espanha. Primeiro, para a Argentina, com os três filhos mais velhos, capazes de trabalhar.
A avó ficou em casa com os tios Tomás, Maria, Felicidad e o caçula da ninhada, meu pai, de três anos, talvez menos. Como sobreviveram só Deus sabe. Oito anos depois, a família voltou a se reunir, agora no Brasil, para onde viera meu avô com os tios. Então, chamou da Espanha o restante da família. A imigração trazia espanhóis aos montes. O pai sempre recordava a passagem do navio por Gibraltar, a travessia do oceano e o desembarque em Santos.  Continue lendo ›

Os efeitos perniciosos do ufanismo

De Ricardo Gondim:

Já vivi encantado pelo otimismo. Afirmei com contundência que a sorte é bumerangue que sempre volta com fortuna. Cantei com um público frenético: “Vai dar tudo certo, em nome de Jesus”. Em minhas palestras e sermões, antecipei grandes reviravoltas na vida dos ouvintes. Mas, com o passar do tempo, percebi que apesar de toda a boa vontade, tais guinadas não aconteciam com a frequência que eu desejava. Nem tudo dava certo! Alguns amigos agonizaram, carcomidos de câncer. Outros foram à bancarrota. Quantos casamentos celebrei que terminaram em divórcio. Por que não confessar a infantilidade? Repeti jargões ufanistas sem levar às últimas consequências minhas afirmações. Pior, capitalizei em cima de ilusões. Na íntegra.

Mau gosto

Do padre Orivaldo Robles:

Tenho certeza de que, ao final desta leitura, serei malhado. Já aconteceu antes. Padre se abre a boca, vem paulada na moleira. “Entendidos” de plantão sacam  requentadas fichas da Inquisição, da pedofilia de clérigos e coisas que tais. Fatos que ouviram, embora nunca revelem interesse por conhecer. Melhor deitar falação inconseqüente do que investigar com serenidade. Estudar dá trabalho. Além do quê, vai que a pesquisa chegue a conclusão diferente daquela que a gente aceita. Aí, toca mudar de opinião e enrolar a bandeira agitada com tanto gosto.
A verdade, não custa lembrar, independe de preferências. Por si mesma se impõe. Muita gente, porém, tenta o malabarismo de montar, sobre fato único, várias verdades excludentes entre si. Ajeita a realidade àquilo que lhe convém. Será que exatidão factual só tem valor para peritos, como nossos Reginaldo Benedito Dias e Ângelo Priori? Os outros podem usar uma História light descompromissada da objetividade? Na íntegra.

Cido Spada não é diferente do PT

De Avanilson Araújo, do PSTU:

Muitos petistas honestos de Sarandi tem comemorado a saída de Cido Spada, como a tábua de salvação do PT como um partido de luta e que representaria os interesses da classe trabalhadora. Mas, a saída de Spada representa somente apenas mais um episódio da crise política desse partido que, nacionalmente, aplica e aprofunda contra os trabalhadores a mesma política do PSDB e outros governos burgueses. Para se ter uma ideia o governo Dilma cortou do orçamento federal 50 bilhões de reais o que, todos sabem, significará piora dos serviços públicos e cortes em áreas fundamentais para a população, como saúde, educação e moradia. Por outro lado, esse mesmo governo eleito com o apoio da classe trabalhadora aumentou os salários dos deputados, presidente e ministros em 62%, enquanto o salário mínimo aumentou R$ 35,00 – no mesmo momento em que a inflação come o salário dos trabalhadores antes do final de cada mês. O PT é um partido nacional e Sarandi não é uma ilha. Na íntegra.

Mesmice dos jornais

A tragédia no Rio nos entristece e vai alimentar por muitos dias os meios de comunicação. Duro será aguentar a mesmice da informação. Amanhã, muito provavelmente, jornais trarão manchetes surradas: “Atirador invade escola e mata 10 crianças” ou “Tragédia no Rio: atirador mata 10 em escola”. Vão repetir o que todos já sabem. Já viram pela internet. Quando caiu aquele avião da Airfrance, jornais no outro dia estamparam algo mais ou menos assim: “Avião cai no mar com… (não lembro o número de mortos) pessoas a bordo”. Por essas e outras que, cada vez mais, fala-se no fim dos jornais impressos. Acabar, talvez, não, mas terão de melhorar muito para não ficar na sombra da internet.

Donizete Oliveira

Faltou alguém no velório do Zé

De José Ribamar Bessa Freire:

Os dois morreram com a mesma idade: 79 anos. Os dois foram abatidos pela mesma doença maligna contra a qual lutaram bravamente por um longo período. José Alencar (1931-2011), vice-presidente do Brasil, câncer no intestino. François Mitterand (1916-1996) presidente da França, câncer na próstata. Ambos tiveram funerais solenes com pompa de chefe de Estado. No velório do francês, porém, foi registrada uma presença, que esteve ausente no enterro do brasileiro.
Quase 15 mil pessoas desfilaram diante do corpo de Alencar, velado no Palácio do Planalto, em Brasília e, no dia seguinte, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, com direito a desfile em cortejo fúnebre, limusine preta, celebração presidida pelo núncio apostólico, honras militares, 21 tiros de canhão, bandeira a meio mastro, luto oficial. Alguém, no entanto, sentiu a perda, mas não foi aos dois palácios. Quem? Na íntegra.

Água da graça

Do padre Júlio Antônio da Silva:

A celebração da páscoa coloca-nos diante da possibilidade de participarmos do mesmo processo pelo qual Jesus de Nazaré passou: enfrentar a morte e, pelo poder de Deus, vencê-la! Na vida cristã esta experiência é iniciada a partir da recepção do sacramento do batismo. É o apóstolo Paulo quem afirma esta verdade: “Pelo batismo somos sepultados na morte com o Cristo, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também vivamos de modo novo” (Rm 6, 4). E ele continua dizendo: “Com ele, vocês foram sepultados no batismo, e nele vocês foram também ressuscitados mediante a fé no poder de Deus, que ressuscitou Cristo dos mortos” (Col 2, 12). A participação na vida do morto-ressuscitado é querida por Deus desde sempre, desde a criação do mundo. É por isso que “a própria criação espera com impaciência a manifestação dos filhos de Deus… e geme e sofre dores de parto… à espera da adoção” (Cf. Rom 8, 18-27). Portanto, toda obra criada – a natureza humana e as demais naturezas – tem o mesmo princípio e encaminha-se para a plena comunhão com aquele que a fez e que a contemplou como muito boa (Cf. Gn 1, 31). Na íntegra.

Convivência civilizada

Do padre Orivaldo Robles:
Sem admitir perfeição na mobilidade urbana de Maringá nem legitimar a ditadura do automóvel, cumpre reconhecer que, por causa das vias binárias, no centro, hoje nosso trânsito flui melhor. Houve ganho de tempo e redução do estresse gerado pelo vagar de lesma nos horários de pico Quem desconhece lentidão experimente cruzar a via férrea durante a travessia de uma composição de 98 vagões puxados por duas locomotivas, em velocidade de 10 quilômetros por hora. Menos mal que, dentro de poucos meses, esperamos, a região central se verá livre dos cruzamentos em nível. Aquilo é dose para tirar do sério o mais impassível dos viventes. Foram anos e anos de críticas à assincronia de nossos semáforos. Pronto; pelo menos nessas avenidas não há mais do que reclamar. Questão resolvida, então? Quem dera! Por má sorte, o elemento complicador não está nas vias públicas. Nem nos semáforos. Nem nos carros. Está na peça colocada atrás do volante. O problema – igual, de resto, ao que se dá em outras áreas- somos nós. Nossa pretensão de poder e mando incita-nos a agir como se somente nós existíssemos. Na íntegra.

Ficha limpa

De Almir Pazzianotto Pinto:
Possui nítido viés surrealista o debate em torno da eficácia da Lei Complementar 135, de 4 de junho de 2010, conhecida como “ficha limpa”. (…) Todo cidadão deveria sentir-se confiante de que ocupantes de cargos públicos, e aspirantes a mandatos populares, fossem titulares de folha corrida imaculada. (…) A rigor, lei destinada a moralizar eleições, deveria ser desnecessária. Ao fixar as bases da organização do Estado, a Constituição determina, no art. 37, que “a administração pública direta e indireta, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. Fosse respeitado o princípio da moralidade, não haveria lugar para larápios na vida pública. Na íntegra.

Qual é o lugar da mulher no metodismo brasileiro?

Poucas mulheres pentecostais, católicas, protestantes e mesmo as ligadas aos organismos ecumênicos se acham vítimas de discriminação de gênero nos espaços eclesiásticos. Especialmente nas comunidades locais elas são “pau para toda obra”: Varem o chão, limpam banheiros, organizam liturgias belíssimas e põem flores perfumadas no altar; de onde lá do alto, os homens comandam confortavelmente o show! Sendo assim, muitas se sentem “agraciadas” e participantes da cena cotidiana eclesiástica.
Poucos deles demonstram apreciação ao trabalho delas. Mas elas não ligam: ficam lá embaixo, algumas como verdadeiras “tietes”, ovacionado egos de personagens que, se não fora o palco montado por elas, não brilhariam.
Essa é a realidade pouco percebida; e as cenas seriam cômicas, não fosse pelo trágico fato de que revelam a condição de ostracismo imposto, por elas a tantas mulheres brilhantes.Continue lendo ›

Résultats voyage en France

De José Fuji:

Pprometi que iria cobrar o resultado da nova investida internacional para solução de nova tecnologia de processamento do lixo de Maringá e agora venho a este espaço pedir esclarecimentos, se for em forma de ‘audiência pública’, na casa de leis, a Câmara Municipal de Maringá, seria melhor, pois ficaria registrado, não é senhor veredor Heine Macieira?

Em tempo quanto custou ao erário esta viagem, ou já está no Portal de Transparência?