Crônica

O parque (quase não) do Ingá

A primeira vez em que lá entrei foi em 1967, em companhia do prefeito Luiz de Carvalho. O local era ainda conhecido como “Bosque 1” – um pedacinho da antiga floresta em meio à qual a população pioneira construiu a garbosa urbe onde hoje a gente orgulhosamente mora.

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A bênção, maestro Matti

A Cantina do Zitão, como vocês sabem, era um animado lugar onde os solteiros da recém-nascida Maringá se encontravam para saborear a comidinha gostosa de Dona Maria José. Desde janeiro de 1955, quando aqui cheguei, e por mais alguns anos, fui um dos clientes da casa. Ali, por afinidades várias, meus mais frequentes companheiros de mesa eram dois dos nossos mais ilustres pioneiros do ensino: José Hiran Sallé e Aniceto Matti. Do bom Hiran já lhes falei; hoje vou falar do bom Aniceto, o querido maestro Matti, do qual sentimos todos uma saudade enorme.

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Mostra do More

Quem foi o diretor de “Casablanca”? Quem foi a protagonista de “E o vento levou”? Qual foi o primeiro filme de Orson Welles?… Hoje você vai ao Google e fica sabendo na hora. Mas até o final do século passado, pelo menos aqui em Maringá, se você quisesse saber algo sobre cinema, o modo mais fácil de obter respostas rápidas e precisas seria perguntar ao More.

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O duelo JP x Haroldo

Em algumas cidades é comum a população dividir-se em duas torcidas: no Rio o Fla-Flu, em Porto Alegre o Grenal, na capital paranaense o Atletiba. Em Maringá, ao longo dos anos 1960, houve algo semelhante, porém no campo político: de um lado os seguidores do Doutor João Paulino Vieira Filho, líder do PSD (depois Arena-1), do outro lado os seguidores do Doutor Haroldo Leon Peres, líder da UDN (depois Arena-2).

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JP, Granado e Schiavone

Se a gente juntasse alguns dos muitos casos engraçados ocorridos na história desta cidade, daria um livro delicioso. Outro dia, num papo com um pessoal meio da saudade, conversa-vai, conversa-vem, veio à lembrança um fato que vou recontar pra vocês, pedindo desculpas antecipadas aos três ilustres personagens da cena, dois deles em memória.

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Doutor Luiz, um homem justo

Segunda metade da década de 1960. O prefeito era o Doutor Luiz Moreira de Carvalho, médico, nascido mineiro em Divisa Nova, pioneiro maringaense aqui chegado em 1949. A prefeitura funcionava ainda no prédio antigo, na esquina das avenidas Getúlio Vargas e 15 de Novembro. 

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Joubert de Carvalho

     Um jornalista de São Paulo, amigo do Aristeu Brandespim (diretor da revista NP), de passagem por Maringá, almoçou conosco e a certa altura indagou: “Onde fica a Rua Joubert de Carvalho? Eu gostaria de fotografá-la”.

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Divanir, o Mecenas

Por A. A. de Assis:

Em 1966, Maringá era uma jovem cidade de apenas 19 anos, no auge do pioneirismo, com poucas ruas pavimentadas e uma população ainda empenhada em fincar raízes para a construção de uma vida nova em meio à floresta virgem.Continue lendo ›

Na cola do Leminski

Por Douglas de Souza Fernandes:

Falando assim, poucos vão acreditar, mas já escrevi no verso do Leminski! Explico: em 1986, trabalhava no jornal curitibano Correio de Notícias, mas em Maringá, como repórter da sucursal na Rua Santos Dumont pouco depois da Praça Napoleão Moreira da Silva. Continue lendo ›

Vendo carroça

Por José Luiz Boromelo:

“Vendo carroça usada, necessitando de pequenos reparos, equipada com pneus meia vida, freio de mão em funcionamento, varal reforçado com ferragem de construção. Acompanha arreio artesanal muito resistente, fabricado em couro cru contendo coalheira, selote, tapa, rédea, correntes e ainda bridão, rascadeira e chicote. Continue lendo ›

A duvidosa paz do morto

Por João Batista Leonardo:

Vivi horas místicas, em clima de reflexão, no velamento de um amigo. Lá, umas pessoas chorosas se consolavam, outras meditativas e intrínsecas, muitas contentes querendo se mostrar e a maioria preocupada em assinar na lista de presenças, para se valer diante da família.Continue lendo ›

Eu, robô

celular

Por José Luiz Boromelo:

Olhos grudados na tela colorida. Atenção toda voltada a intermináveis passeios a redes sociais. Ansiedade contínua e incessante em conferir possíveis novas mensagens. Textos, vídeos e clipes de gosto duvidosos, atraindo cada vez mais usuários, que se tornam dependentes em um piscar de olhos. Continue lendo ›

O tédio no casamento

Tédio

Por João Batista Leonardo:

A vida comungada a dois clama que seja, minimamente, firmada em bases sólidas para a continuidade nos planos sociais, econômicos e sentimentais.
Convivi como médico no seio de famílias por mais de cinquenta anos e os casais desajustados que acompanhei foram tantos e tantos, pelos mais diversos motivos.Continue lendo ›

Porianna, nascimento e morte
de um jovem neonazista

Neonazistas

Por David Arioch, em seu blog:

Conheci Piero pessoalmente quando tínhamos 17 anos. Ele era um adolescente comum. Estatura mediana, magro, cabelos e olhos castanhos e uma exímia vontade de existir e ser notado para além dos cravos e das espinhas que o exasperavam. No final dos anos 1990, nos tornamos amigos através da música. Eu já gostava muito de heavy metal e ele também. Então começamos a fazer trade em Maringá, onde ele visitava familiares. Eu saía de Paranavaí e ele de São Paulo. Nos encontrávamos na Musical Box, na Avenida Brasil, onde trocávamos CDs e cópias de fitas de shows em VHS.Continue lendo ›

Uma árvore em nós

arvore

Por João Batista Leonardo:

Intrigante conotação da natureza, num mundo mutante onde a analogia se faz marcante, junto ao nascimento, vivência, morte e continuidade.
A terra é viva e todos nós vivos fazemos parte do seu ciclo, atendendo os seus desígnios e embrenhados numa correlação, certamente intrigante e interessante à análise.Continue lendo ›

Os sentidos do amor

Amor

Por João Batista Leonardo:

O amor é um sentimento bom, nasce no âmago, frutifica nas ações. Mostra-se até numa mínima manifestação como no tombo da gota, na mansidão da amamentação, no zumbir dos ventos. Com os poetas e pensadores, embeleza pensamentos, versos e escritas. Faz parte das almas pacíficas que entendem nele a força e brandura frente aos atropelos diários. É arma potente para quebrar barreiras e sentir a gratificação da vitória.Continue lendo ›

Somos míopes diante da bondade alheia

xisAnos passados e eu perambulava, como já contei procês, nas ruas de Curitiba, vendendo bijujas nos semáforos, para arrumar algum dinheirinho para fazer frente ao meu tratamento. Não é apenas falha da Saúde Pública, mas as doenças degenerativas raras, mundialmente são poucos os investimentos em pesquisas de condutas, tratamentos e remédios e enfim eu tinha que chacoalhar o arreio, morder o bridão e seguir na batalha…mas o começo foi tortura de chinês traído. Era muita bronca pra quem só queria trabalhar feito eu.Continue lendo ›

A peleja do diabo com o vesgo leitão

peleja

Reza a lenda de que o Diabo, cansado de torrar a paciência de Deus, resolveu vir à Terra e entrar na Biblioteca pública para ler a tal Crônica de Machado de Assis, “A Igreja do Diabo”, e que foi chamado aos céus de Alláh, sem pagar direitos autorais da dita cuja… ele leu, tentou ler de novo, mas gargalhou muito ao perceber que ele mesmo tem muito que aprender com a maldade humana e num pulo de susto, ao seu lado um leitãozinho um tanto zarolho, de óculos que não escondiam que o pobre porquinho era vesgo. Continue lendo ›

A Semana Santa

semana santa

Por Padre Júlio Antônio da Silva

Nossa fé cristã tem origem no mistério da Páscoa de Jesus, sua morte e ressurreição. Para nós, a Igreja nasceu daí.
Por isso a Páscoa de Jesus Cristo é o centro da vida cristã. Cada ano vivenciamos e celebramos esse mistério de salvação libertadora. Todo o tempo quaresmal é uma preparação para celebrarmos digna e frutuosamente a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.Continue lendo ›

Na psicoticocracia não existe paella valenciana grátis

ilustra

Por Gabriel Esperidião Netto:

As rotas de fuga devem ser atualizadas, mas por cidadãos honrados. A nação caminha, passo a passo, para, ao terminar de cruzar o pântano do ridículo, o desgoverno federal já começa seu “Regime de Exceção”, trilhando uma cartilha elaborada por bons especialistas médicos, colaboradores presos e vídeos do FBI, para governarem pelo egocentrismo na visão do egocêntrico.
Eles, cuja Via Láctea gira em torno de seus próprios umbigos, não calculam riscos, são de mandar matar e correm para prantear o morto, ombro a ombro com suas viúvas.Continue lendo ›

O milagre do arroz

Ilustração

Dos dias em que vejo destruírem minha Pátria por pura vaidade, dias tristes
de alegres e vesgos porcos eleitos, Deus me enviou Anjos
e tais Anjos me presentearam um livro
E o livro, presente de amor, narra a misericórdia
pelo Amor

((Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio…))Continue lendo ›

Zika, a talidomida orgânica

Ilustração

Na pobre ética política praticada em nosso país, os créditos das inaugurações, que conseguem unir num só evento, o maior nível de pelegos por centímetro de risoles quadrados do mundo, a um número surpreendente de oportunistas ávidos por uma dica de concorrência, desde que seja pública, pois a fatura, nos acertos é creditada aos mandatários eleitos, e, em efeito trágico, a conta vem nas guias de nossos impostos.
Não temos, enquanto cidadãos, o direito a ampla defesa, nem o benefício da dúvida, mas na mesma dúvida, imposto que vence no sábado, tem que ser pago na sexta-feira.Continue lendo ›

Carta para minha mãe, Dona Hipólita

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Bogotá, Grã-Colômbia, 28 de setembro de 1828

Para minha Mãe-e-Pai de criação e do dulcíssimo afeto, Dona Hipólita, negra e escrava liberta, que habita no que o bastardo Dom Fernando, Imperador Regente do Reino de Espanha, deixou restar da casa de meus familiares, na prisioneira Caracas, ainda Província de Venezuela, Capitania da Coroa.
Amada Mãe, não sei dizer se é mais difícil ser presidente de um país recém-livre, ou sentir a falta tua, dos teus aconselhamentos, do cafezinho que sempre coava quentinho dos frutos colhidos sobre pano alvo, apenas para mim!Continue lendo ›

A crise que podemos evitar

Ilustração

Anos atrás, na Lapa (PR) fui visitar o túmulo de Seo Abbas Salim Abulkaliq, meu avô, e da minha amada avó, Dona Erna Pasche Salim. Meu avô, imigrante libanês Druzo, por décadas foi barbeiro na pequenina Lapa, e Dona Erna cobria botões dos vestidos das moças da cidade.
Meu querido Abbas, deixou sábia herança. Ele certa vez comprou um terno bem bonito na Pernambucanas, porém só o vestiu para sair quando pagou a última prestação do carnê. Continue lendo ›

Só resta a você os amigos que conquistou

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De Ademar Schiavone, em sua coluna “Memórias de um bom sujeito”, no Jornal do Povo de domingo passado:

Conhecemo-nos quando ele chegou a Maringá no início da década de l950, jogando futebol nos campos de terra que existiam às dezenas em nossa cidade.
A amizade e o tratamento cordial sempre foi uma constante em nossas vidas.Continue lendo ›